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Em nova aceleração, covid-19 atinge 89% dos municípios

"Na última semana você tem um aumento dessa curva bastante interessante", disse o secretário Arnaldo Correia

24 jun 2020
20h36
atualizado às 20h38
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A expectativa de estabilização no número de casos novos de coronavírus no Brasil não se confirmou e o país voltou a registrar aceleração da Covid-19 na semana passada, em meio a um avanço da epidemia pelo interior do país, e agora 88,6% das cidades já foram atingidas pela doença respiratória provocada pelo vírus.

Moradores de Mendonça, no interior de São Paulo, terão toque de recolher, após segunda morte por coronavírus.
Moradores de Mendonça, no interior de São Paulo, terão toque de recolher, após segunda morte por coronavírus.
Foto: Prefeitura de Mendonça/divulgação / Estadão Conteúdo

Depois de apontar para o possível início de um platô no número de novas infeccções, com cerca de 30 mil casos novos registrados por dia, o Ministério da Saúde reconheceu nesta quarta-feira que a estabilização não se confirmou, após o país registrar um recorde de 217.065 infecções na semana encerrada em 20 de junho.

"Na última semana você tem um aumento dessa curva bastante interessante", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde Arnaldo Correia em entrevista coletiva no Palácio do Planalto. "Parecia que a curva estava chegando a um certo platô e daí entre a semana 24ª para a 25ª nós tivemos um aumento de 22%."

O ministério havia apontado para um possível platô depois que os casos tiveram aumento de apenas 2% entre as semanas epidemiológicas de número 23 e 24, mas a explosão na semana 25 jogou por água abaixo essa expectativa.

Dados da atual semana apontam para um novo crescimento, uma vez que o país registrou mais de 80 mil novos casos apenas nos últimos dois dias.

O ministério informou que foram registrados nesta quarta-feira 42.725 novos casos da doença, elevando o total no país a 1.188.631. O número diário é o segundo maior registrado desde o início da pandemia, superando os 39.436 casos da véspera e abaixo apenas da cifra verificada na última sexta-feira, quando o país notificou um recorde de 54.771 casos por causa de uma instabilidade em contagens estaduais no dia anterior, segundo a pasta.

AVANÇO PELO PAÍS

De acordo com números do ministério, 4.937 municípios brasileiros já registraram casos confirmados de Covid-19, o que representa 88,6% dos 5.570 municípios do país. Em comparação, no início do mês eram 4.170 cidades com casos de Covid-19, o equivalente a 75%.

Em relação ao número de mortes, o Brasil registrou nesta terça mais 1.185 óbitos em decorrência da Covid-19, atingindo um total de 53.830. O país atingiu um certo platô nas últimas semanas em termos de mortes por Covid-19, com cerca de 1.200 óbitos por dia útil (nos finais de semana há uma queda por atraso nos registros).

Até o momento, 2.374 municípios registraram óbitos em consequência da Covid-19, o que representa 42,6%.

O país é o segundo do mundo com maior número de casos e mortes devido ao vírus, atrás apenas dos Estados Unidos, que possuem cerca de 2,3 milhões de infecções confirmadas e 121 mil óbitos. A pandemia, porém, vem apresentando maior aceleração no Brasil do que nos EUA, uma vez que o Brasil tem registrado mais casos do que os EUA.

Apesar da aceleração da pandemia no Brasil, muitas cidades e Estados iniciaram processos de reabertura econômica e flexibilização do isolamento social, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, os Estados mais afetados pelo coronavírus no país.

Segundo dados do ministério, São Paulo possui 238.822 casos e 13.352 mortes. O Rio de Janeiro vem na sequência na contagem do ministério, com 103.493 infecções, além de 9.295 mortes. O Ceará tem 99.578 infecções e 5.815 óbitos, acrescentou a pasta.

Os dados foram atualizados às 18h desta quarta-feira. O Brasil, ainda de acordo com o ministério, possui 649.908 pacientes recuperados da Covid-19 e 484.893 em acompanhamento. A taxa de letalidade da doença no país é de 4,5%.

O Ministério da Saúde também apresentou nesta quarta-feira o que afirmou ser um novo programa de testagem da Covid-19, mas não houve mudanças significativas em relação ao que já havia sido anunciado em maio em um primeiro programa para ampliar os testes.

A meta do governo continua sendo realizar cerca de 46 milhões de testes no total, sendo 24,5 milhões de testes moleculares e 22 milhões de testes sorológicos. Até o momento, os laboratórios oficiais realizaram 860.604 exames moleculares, de acordo com o ministério.

Desde o início da pandemia, a baixa capacidade de realizar testes é apontada como uma das principais fraquezas do Brasil para enfrentar o novo coronavírus. Na segunda-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou para uma subnotificação de casos no país devido à pouca testagem.

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