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Em ano de Copa e eleições, caso Master provoca 'frio na barriga' de muita gente em Brasília

Após a operação contra Jacques Wagner, líder do governo no Senado, petistas tentam delimitar o foco das suspeitas e evitar consequências para a candidatura de Lula, que se distanciou na dianteira de Flávio Bolsonaro nas pesquisas justamente após o nome do PL aparecer no escândalo.

22 jun 2026 - 09h11
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Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Senador Flávio Bolsonaro discursa pedindo CPMI do Banco Master durante Sessão do Congresso Nacional para analisar vetos parciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.
Senador Flávio Bolsonaro discursa pedindo CPMI do Banco Master durante Sessão do Congresso Nacional para analisar vetos parciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026.
Foto: © Lula Marques/Agência Brasil / RFI

Enquanto para muita gente o foco do momento é a Copa do Mundo, para alguns brasileiros o nervosismo não tem origem em dribles e gols, mas sim no que ainda pode surgir do caso Master, vista a rede de apoio político tecida por Daniel Vorcaro, sempre abastecida por muito dinheiro, na busca de garantir seus interesses nas várias esferas de poder.

Em um ano de eleições, um escândalo dessa monta pode ter impacto decisivo. Prova disso é que Lula se distanciou na dianteira das pesquisas desde que vieram à tona conversas de Vorcaro com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lhe pediu recursos.

A bola da vez é o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e os próprios petistas reconhecem que a forma como o governo vai administrar a crise pode definir o quanto esse capítulo vai atingir Lula. Muitos defendem a substituição da liderança no Senado, porque logo passa a Copa e a política volta a dominar as redes sociais, onde o caso já ganhou repercussão.

"A Polícia Federal encontrou dinheiro vivo, em dólar e euro, e investiga um suposto esquema de propina envolvendo o líder do PT no Senado, Jaques Wagner", afirmou Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "Ele teria recebido do Master um apartamento de luxo, uma mansão suspensa em Salvador, além de outros pagamentos suspeitos. Será que o líder do governo Lula planejava fugir do Brasil? Será? Jaques Wagner é só a ponta do iceberg", disse o presidente do PL.

"E os R$ 61 milhões? Flávio, cadê esse dinheiro?", rebateu o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que apresentou uma das estratégias de tentar afastar o caso de Lula. "A Polícia Federal, com Lula, tem autonomia para investigar, para ir atrás de tudo, doa a quem doer. Se cometeu um erro, vai ter que pagar. Não tem essa, não. Agora, você lembra na época do Bolsonaro? Ele interferindo para proteger os filhos, para proteger Flávio naquele esquema das rachadinhas."

Além de Wagner, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) já havia sido alvo de operação na investigação do Banco Master, o que também gerou entre apoiadores de Lula o questionamento sobre a ausência de Flávio Bolsonaro nessa relação.

Como pessoas de vários partidos e cargos são citadas no escândalo, muitos apostam em um grande acordo, com um ou outro nome de peso indo para o sacrifício. Mas, até aqui, as tentativas de delação premiada não avançaram porque o Ministério Público e a Polícia Federal consideraram muito tímida a lista de autoridades e crimes que Vorcaro se dispôs a entregar.

Divisão no Supremo

O escândalo também mostrou uma divisão no Supremo Tribunal Federal, evidenciada na sessão em que Gilmar Mendes falou em "excessos investigativos", e o relator do caso, André Mendonça, defendeu a manutenção da prisão do pai de Vorcaro, citando a periculosidade do grupo.

"Liderada por Daniel Vorcaro, a turma tinha um sicário, alguns policiais federais, nem todos descobertos ainda. Ainda se investigam outros policiais federais. Havia nessa turma empresários do jogo do bicho. Era uma mistura de milícia da Polícia Federal dentro da Polícia Federal, com o crime organizado no Rio de Janeiro", disse Mendonça.

"Há uma série de figurinhas desconhecidas aqui. Talvez seja muito simples hoje encerrar a investigação. Basta que alguns desses desconhecidos atentem contra a integridade física do relator. É disso que estamos tratando. O polo mais frágil sou eu."

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