Edir Macedo: 4 polêmicas do líder da Universal e dono da Record investigado pela PF
O nome de Edir Macedo está em alta nesta terça-feira (23) após a deflagração da Operação Miragem, da Polícia Federal. A investigação tem como alvo o banco Digimais, instituição financeira ligada ao grupo econômico do fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Record.
Segundo a PF, há suspeitas de fraude contábil e financeira, com possíveis manipulações de demonstrativos para ocultar a real situação econômica da instituição perante órgãos reguladores. A Justiça Federal autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, além do bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos investigados.
Embora as autoridades ainda não tenham detalhado o grau de participação individual dos envolvidos, a operação fez ressurgir episódios controversos que marcaram a trajetória pública de Edir Macedo ao longo das últimas décadas. Veja 4 polêmicas envolvendo o nome do bispo.
1. Prisão por acusações de charlatanismo
Em 1992, o líder religioso foi preso durante investigações que apuravam acusações de charlatanismo e supostas irregularidades relacionadas à sua atuação religiosa. O caso ganhou ampla repercussão nacional e intensificou o debate sobre a atuação de igrejas neopentecostais no país. Posteriormente, Macedo foi liberado e seguiu à frente da Igreja Universal.
2. Acusações de lavagem de dinheiro
Em 2011, Edir Macedo voltou a enfrentar questionamentos na esfera judicial após ser denunciado pelo Ministério Público Federal ao lado de outros dirigentes ligados à Igreja Universal. A acusação incluía suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e associação criminosa.
Segundo a investigação, recursos oriundos de dízimos e doações de fiéis teriam sido movimentados por meio de empresas localizadas no exterior, em operações que, de acordo com os procuradores, serviriam para ocultar a origem dos valores. A denúncia também apontava que parte do dinheiro teria retornado ao Brasil para financiar investimentos e aquisições patrimoniais.
Em outubro de 2019, porém, o processo foi extinto por prescrição. Com isso, não houve julgamento definitivo sobre o mérito das acusações apresentadas pelo Ministério Público.
3. Declarações sobre homossexuais geraram forte reação
Em 2022, Macedo foi alvo de críticas após um discurso transmitido em rede nacional. Na ocasião, ele comparou pessoas homossexuais a "ladrões" e "bandidos".
"Você não nasceu mau. Ninguém nasce mau. Ninguém nasce ladrão, ninguém nasce bandido, ninguém homossexual ou lésbica. Ninguém nasce mau, todo mundo nasce perfeito com a sua inocência, porém, o mundo faz das pessoas aquilo que elas são quando elas aderem ao mundo", afirmou.
A declaração provocou reações de entidades ligadas aos direitos humanos, movimentos LGBTQIA+ e parlamentares.
Dois anos depois, em 2024, Edir Macedo e a Record foram condenados pela 10ª Vara Federal de Porto Alegre ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.
A decisão judicial teve como base a veiculação de conteúdo considerado homofóbico. O caso voltou a colocar o líder religioso no centro de discussões sobre liberdade religiosa, discurso público e direitos da população LGBTQIA+.
4. Investigação sobre importação de equipamentos para a Record
Em 2006, o Ministério Público Federal apresentou denúncias relacionadas à importação de equipamentos destinados à expansão tecnológica da Record.
Na época, auditores da Receita Federal identificaram irregularidades em cargas de equipamentos de radiodifusão vindas do exterior. As investigações apontavam a suposta utilização de documentação com informações divergentes e a possível subavaliação dos valores declarados nas operações de importação.
Segundo o MPF, o objetivo seria reduzir a cobrança de tributos sobre os equipamentos adquiridos para a emissora. As acusações foram contestadas pelas partes envolvidas e se tornaram mais um dos episódios de grande repercussão na trajetória empresarial ligada ao líder da Igreja Universal.
Operação Miragem amplia pressão
A Operação Miragem adiciona um novo capítulo à lista de controvérsias envolvendo o empresário e líder religioso. De acordo com a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de manipular balanços e demonstrativos financeiros para apresentar ao Banco Central uma situação de estabilidade diferente da realidade econômica da instituição.
As apurações também apontam possíveis operações financeiras irregulares realizadas em benefício da empresa controladora do banco e a suposta inserção de informações falsas em sistemas oficiais utilizados pelo órgão regulador.
Até o momento, a PF não divulgou detalhes sobre eventuais responsabilidades individuais dos investigados, e o caso segue sob apuração.
Quem é Edir Macedo
Nascido no Rio de Janeiro em 1945, Edir Macedo fundou , 81 anos, a Igreja Universal do Reino de Deus em 1977. Antes disso, trabalhou em órgãos públicos como a Loteria do Estado do Rio de Janeiro e o IBGE.
Além da atuação religiosa, construiu um conglomerado empresarial que inclui a Record, editoras, instituições de ensino e empresas do setor financeiro. Também é autor de diversos livros, entre eles a trilogia autobiográfica "Nada a Perder".
Com influência no cenário religioso, empresarial e político brasileiro, Macedo continua sendo uma das figuras mais conhecidas e controversas do país. Ele é casado com com Ester Bezerra há mais de 50 anos e juntos eles têm dois filhos: Cristiane Cardoso, escritora e apresentadora do programa "Casamento Blindado", exibido na Record, Viviane Freitas, ativa em obras sociais e projetos da igreja e Moysés Bezerra Macedo, filho adotivo do casal, conhecido artisticamente como Mike, que viralizou recentemente ao postar fotos sensuais nas redes sociais.
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