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D. Odilo critica prece anti-homofóbica em SP: "inadequada"

Cardeal considerou “inadequadas” as orações contra homofobia e criminalização sexual feitas em igreja de Itaquera, semana passada

27 jun 2015 - 18h23
(atualizado em 28/6/2015 às 01h48)
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O cardeal e arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, 65 anos, considerou neste sábado "inadequadas" as preces anti-homofobia e contra a criminalização sexual feitas na missa de uma igreja na zona leste de São Paulo no último domingo. O assunto viralizou nas redes sociais, nos últimos dias, graças à divulgação da foto do panfleto com trecho da oração. Para o arcebispo, a celebração litúrgica "não deve ser instrumentalizada para luta ideológica de nenhum tipo".

A iniciativa foi adotada pela igreja Nossa Senhora do Carmo, onde, domingo passado, uma oração comunitária pediu aos fieis que rezassem contra "a ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica" presente no Congresso Nacional” e a enfrentar situações como essa “com ousadia e serenidade” e em defesa de “causas libertárias”. A paróquia, contudo, não pertence à arquidiocese, mas à diocese de São Miguel Paulista, também no leste paulistano.

Cardeal brasileiro Dom Odilo Scherer chegou a ser um dos cotados no conclave que, em 2013, escolheu o papa Francisco como novo líder dos católicos
Cardeal brasileiro Dom Odilo Scherer chegou a ser um dos cotados no conclave que, em 2013, escolheu o papa Francisco como novo líder dos católicos
Foto: Tony Gentile / Reuters

Neste sábado, a assessoria de imprensa de dom Odilo encaminhou nota ao Terra na qual também fez questão de enfatizar que o pároco da Nossa Senhora do Carmo em Itaquera, Paulo Sérgio Bezerra, de 61 anos, “não pertence ao clero da Arquidiocese de São Paulo” e “não perguntou a opinião do arcebispo de São Paulo sobre suas iniciativas” [na missa de domingo]. Padre Paulo é pároco no local há 33 anos – a maior parte de seus 35 anos de ordenação. Em 2013, com a renúncia do então papa Bento 16, após oito anos no posto, dom Odilo chegou a ser cotado para suceder o pontífice. O conclave dos cardeais terminou com a escolha do argentino Jorge Bergoglio, 78 anos, desde então, papa Francisco. 

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O tipo de oração considerada “inadequada” pelo arcebispo, além das críticas contra práticas supostamente homofóbicas por parte do Congresso, tinha ainda trechos que pediam pelo diálogo sobre as sexualidades, para que isso levasse “as igrejas cristãs a superar a demonização das relações afetivas”. A criminalidade sexual – que fez o Brasil liderar o ranking de assassinatos de homossexuais, ano passado – seria citada outras duas vezes, pelo fim dela, bem como para que os direitos individuais pudessem ser resguardados a cada indivíduo.

Foto do panfleto com a oração contra "a ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica presente no Congresso Nacional" viralizou nas redes sociais esta semana
Foto do panfleto com a oração contra "a ofensiva homofóbica, fundamentalista e histérica presente no Congresso Nacional" viralizou nas redes sociais esta semana
Foto: Facebook / Divulgação

A reportagem tentou ouvir dom Odilo sobre o porquê de preces que condenam atitudes de ódio serem avaliadas como instrumentos “para luta ideológica” a ser evitada na cerimonia litúrgica. O pedido de entrevista foi negado.

Procurado, o padre em Itaquera evitou polemizar com o arcebispo. “Respeito o cardeal de São Paulo”, disse, para completar: “As preces estão dentro de um contexto de sete domingos de celebrações nos quais o tema geral são as ‘provocações da vida e as respostas da fé’. Não se trata de nenhuma ideologia, a não ser buscar na palavra de Deus, nas ciências e na liturgia as respostas da fé para as provocações da vida, só isso”, definiu.

“As preces são um momento em que o Espírito sopra onde quer, são livres, sequer fui eu que as escrevi. Tenho total respeito ao cardeal, mas estou na Igreja como membro dela e tentando dialogar com as questões que o mundo coloca, entre as quais, a sexualidade – mas, veja bem, o mundo coloca, não eu. E as respostas que a fé dá são plurais”, encerrou o religioso.

Causas "libertárias" envolvem indígenas e LGBT

A reportagem ouviu esta semana padre Paulo sobre a repercussão que a oração ganhou na internet e sobre quais seriam, afinal, as “causas libertárias” que deveriam contrapor a chamada “ofensiva homofóbica” citadas na oração. De acordo com o religioso, elas vêm sendo apresentadas uma a cada domingo, no planejamento feito já há um ano. Vão desde a ameaça sofrida por povos indígenas – tanto por terras demarcadas quanto por fatores ambientais – a questionamentos sobre felicidade e corrupção.

“Não estamos desconectados de nada que o papa Francisco vem pedindo – por exemplo, sobre casais que não dão mais certo juntos, e, moralmente, devem se separar. Não queremos brigas, mas precisamos soltar a língua e parar de ter medo de falar aquilo que precisa ser dito”, justificou, na ocasião.

A cada domingo de manhã, conforme o padre, o tema expresso na “oração dos fiéis”, durante a liturgia, é discutido durante a missa com um convidado. Além dos teólogos e sociólogos que já participaram, as duas últimas celebrações “libertárias” do ciclo terão o deputado federal Chico Alencar (PSOL) para falar sobre a crise política e a onda conservadora, neste domingo, e, no seguinte (5), o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, para falar sobre a importância dos movimentos sociais como forma de participação política.

A paróquia fica na rua Flôres do Piauí, 170, em Itaquera.

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Fonte: Terra
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