Destroços do voo 447 da Air France são localizados
O Escritório de Investigações e Análises (BEA) da França, responsável pela investigação técnica sobre voo 447, anunciou neste domingo que foram localizados os destroços do avião da Air France, que caiu ao longo da costa brasileira no fim da noite de 31 de maio de 2009, deixando 228 mortos. Com isso, os investigadores disseram que têm "esperanças" de localizar as caixas-pretas da aeronave.
"Durante as operações de busca no mar realizadas nas últimas 24 horas e dirigidas pelo WHOI (Woods Hole Oceanographic Institution), a equipe a bordo do navio 'Alucia' localizou destroços do avião", indicou o BEA. "Esses destroços foram identificados pelos investigadores do BEA como pertencentes ao avião A330-203, voo AF 447", disse o organismo francês em um comunicado afirmando também que "informações complementares serão divulgadas no futuro".
Para o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec, os investigadores tês "esperanças" de encontrar as caixas-pretas do avião, já que os destroços estão "relativamente concentrados". "A notícia favorável é que os destroços estão relativamente concentrados. Devido a isso, temos esperanças de encontrar as caixas-pretas", disse.
Apenas as caixas-pretas, que registram os dados do voo e as conversas dos pilotos, podem explicar com exatidão o acidente. O BEA informou que divulgará "as primeiras imagens dos destroços localizados do avião" durante uma entrevista coletiva à imprensa na segunda-feira à tarde nas imediações de Paris.
Perguntado sobre o que já foi localizado, Troadec disse que foram encontradas "as turbinas e algumas partes da asa". Segundo uma fonte ligada ao caso, os submarinos Remus, que realizam buscas no fundo do Oceano Atlântico "estão fotografando os destroços do avião presentes no local do acidente em um retângulo de 500 m por 300 m".
A ministra francesa da Ecologia e dos Transportes, Nathalie Kosciusko-Morizet, e a secretária de Estado de Transportes, Thierry Mariani, saudaram neste domingo à noite um "avanço essencial" na investigação.
O diretor do BEA explicou que os submarinos Remus, pequenos equipamentos de quatro metros de comprimento, indicaram indícios da presença de destroços do avião. Um segundo mergulho dos aparelhos foi realizado com uma câmera para confirmar a localização dos destroços.
Esperança
Até o momento, o BEA considera que a falha das sondas de velocidade era um dos elementos que explicam o acidente, mas que esta pode não ser a única causa da catástrofe. Essas sondas chamadas de Pitot, fabricadas pela francesa Thales, tinham problemas de congelamento em altas altitudes, que as tornavam inoperantes.
"Esta localização, apenas alguns dias após o lançamento da quarta fase de buscas no mar financiada pela Air France e pela Airbus (cerca de 9 milhões de euros), é uma notícia muito boa porque traz esperanças de que possamos finalmente obter informações sobre as causas desse acidente até hoje não explicado", disse o diretor executivo da Air France-KLM, Pierre-Henri Gourgeon.
O presidente da associação francesa de famílias das vítimas "Ajuda Mútua e Solidariedade AF447", Jean-Baptiste Audousset, também considerou que a localização dos destroços é "uma esperança para as famílias". "Mas vamos nos manter extremamente prudentes", disse, ressaltando que as famílias aguardam a apresentação de provas. "Continua sendo fundamental encontrar as caixas-pretas. É a única forma de entendermos a sequência de causas do acidente", reagiu um porta-voz da Airbus consultado pela agência de notícias AFP.
Buscas
O BEA iniciou no dia 25 de março uma quarta fase de buscas no mar para encontrar os destroços do voo AF 447. As causas exatas da tragédia ainda não foram elucidadas.
A nova fase de buscas foi iniciada em uma zona de 10 mil km², ou seja, um raio de 75 km em torno da última posição conhecida do voo AF 447. Uma quinta fase deve ser lançada em breve para recuperar partes da aeronave.
Já na investigação judicial, a empresa europeia Airbus e a companhia francesa Air France foram indiciadas recentemente por homicídios involuntários.