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CUT comanda 1ª ofensiva anti-impeachment com 'Blinda Dilma'

Maior central sindical do País se junta a movimentos sociais e outras entidades sindicais para ato em favor da Petrobras e contra manifestações do domingo (15)

12 mar 2015
09h43
atualizado às 13h01
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Um movimento encabeçado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), com apoio de outras entidades sindicais e movimentos populares, promete ser a primeira grande ofensiva, nesta sexta-feira, contra as manifestações que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Apelidado nos bastidores de “Blinda Dilma”, o ato ocorre em 24 capitais com a defesa da Petrobras e a manutenção do governo Dilma entre suas bandeiras principais.

<p>A CUT apoiou em 2014 a candidatura de Dilma à reeleição e comanda agora ato contra tentativa de impeachment da petista</p>
A CUT apoiou em 2014 a candidatura de Dilma à reeleição e comanda agora ato contra tentativa de impeachment da petista
Foto: Paulo Pinto / Analítica

Em São Paulo, o “Blinda Dilma” será realizado na avenida Paulista, em frente ao escritório da estatal, e seguirá em passeata pelas ruas do centro da capital. No mesmo dia, também à tarde, um grupo de militantes pró-impeachment, articulados via redes sociais, protesta na Paulista contra o governo petista. No domingo, dia 15, ao menos em 30 cidades brasileiras estão programadas passeatas pela saída da presidente do poder.

O ato em defesa do governo nesta sexta-feira, entretanto, promete criticar medidas que as entidades consideram afrontar direitos dos trabalhadores, além de defender uma reforma política que foi mote na campanha eleitoral, mas ainda não foi realizada.

Além da CUT, que representa cerca oito milhões de trabalhadores em 3,2 mil sindicatos, a iniciativa contará com centrais como a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), que defenderam a reeleição da petista ano passado. Ao contráro, a Força Sindical, segunda maior central  do País e que apoiou a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência, apoiará a manifestação pró-impeachment do dia 15. Está prevista também a participação no ato do Movimento dos Sem Terra (MST) e da União Nacional dos Estudantes (UNE).

De acordo com o presidente da CUT em São Paulo, Adi dos Santos Lima, uma reunião entre os movimentos e as centrais sindicais na tarde desta quinta-feira, na capital paulista, deverá traçar estratégias e estimativa de público. Há setores, como a CTB, que falam em pelo menos 50 mil manifestantes.

“O que está em jogo são a defesa do direito dos trabalhadores e a defesa da Petrobras, que, em virtude das notícias e investigações sobre corrupção, tem por trás hoje uma forte tendência de privatização que não podemos aceitar. Já fizeram isso com outros patrimônios do País”, disse Lima. “Temos também de fazer uma defesa intransigente da democracia. Temos hoje um cenário político muito conturbado, mas achamos que o regime democrático não pode ser interrompido em função das dificuldades do governo. Daí nossa defesa de uma reforma política o mais rápido possível, pois nosso Congresso hoje está contaminado”, declarou Lima.

Indagado sobre o posicionamento do PSDB divulgado nessa quarta por Aécio – os tucanos defendem a manifestação, mas institucionalmente não declara organizar nem participar dela – , Lima analisou: “Em um País democrático, as manifestações devem existir. Mas lamento uma liderança política como o Aécio incentivar uma manifestação pelo golpe. Deveríamos ir para as ruas para defender outro rumo para governo. Para consertar, não para acabar”, pontuou o sindicalista.

Entre os alvos dos sindicalistas, contra o governo, estão as medidas provisórias (MPs) 664 e 665, que alteraram as regras de concessão de benefícios previdenciários como seguro-desemprego. “Achamos que o governo errou no método e no conteúdo. Essas MPs prejudicam os trabalhadores e protestaremos também contra isso”, afirmou.

Terceira maior central sindical, com quase 1 milhão de trabalhadores e 1.147 sindicatos, a CTB também tem as MPs 664 e 665 no alvo. “Mas somos absolutamente contrários a essa tentativa da direita de colocar o governo no canto da parede. Vamos cobrar algumas coisas da presidente que afetaram os trabalhadores, só que isso é negociação. A presidente foi eleita democraticamente, e quem perdeu a eleição não se conforma com isso”, disse o secretário-geral da CTB, Wagner Gomes.

Sobre a postura de Aécio de apoiar a militância a comparecer aos atos pró-impeachment, mas sem necessariamente a participação dele,o representante da CTB resumiu: “É uma atitude covarde. Se ele não vai, devia dizer a seus militantes para não ir”. Segundo Gomes, a entidade estima que ao menos 50 mil participantes no evento desta sexta-feira.

Fonte: Terra
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