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Comissão da Verdade: relatório é divulgado na íntegra; leia

10 dez 2014
11h30
atualizado às 21h46
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O relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que durante 31 meses investigou os crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura, foi divulgado em sua íntegra, nesta quarta-feira.

Relatório elaborado pela Comissão Nacional da Verdade
Relatório elaborado pela Comissão Nacional da Verdade
Foto: Reprodução

As investigações apontaram violações de direitos humanos cometidos em sua maioria pelo Estado brasileiros e por agentes públicos entre os anos de 1946 e 1988. Os trabalhos identificaram prisões ilegais, torturas, mortes, violência sexual, ocultação de cadáveres e desaparecimento.

O relatório foi dividido em três volumes: I- As atividades da CNV, as graves violações de direitos humanos, conclusões e recomendações; II - Textos Temáticos e III Mortos e Desaparecidos Políticos.

Durante os trabalhos foram colhidos 1.121 depoimentos, 132 de agentes públicos, além e 80 audiências e sessões públicas realizadas pelo País. Durante as perícias um desaparecidos foi identificado.

No primeiro volume, o relatório enumera as atividades realizadas pela CNV. Se divide em cinco partes e 18 capítulos. São também contextualizadas as graves violações, apresentadas as estruturas repressivas e seus procedimentos, a atuação da repressão no exterior e as alianças repressivas no cone sul e a Operação Condor. O primeiro volume mostra ainda os métodos e práticas de graves violações de direitos humanos.

O segundo volume reúne um conjunto de nove textos tratando de violações de direitos humanos em segmentos, grupos ou movimentos sociais. Sete textos mostram como militares, trabalhadores organizados, camponeses, igrejas cristãs, indígenas, homossexuais e a universidade foram afetados pela ditadura e a repressão e qual papel esses grupos tiveram na resistência.

O terceiro volume é integralmente dedicado às vítimas. Nele, 434 mortos e desaparecidos políticos têm reveladas sua vida e as circunstâncias de sua morte, "tragédia humana que não pode ser justificada por motivação de nenhuma ordem", como afirma a apresentação do relatório final da CNV.

O documento foi entregue oficialmente à presidente Dilma Rousseff, que ressaltou a autonomia dos trabalhos, ficou emocionada ao lembrar daqueles que morreram e dos familiares que perderam parentes, mas ao mesmo tempo, afirmou que se trata de um trabalho de resgate da verdade, e não de revanchismo. “A verdade não significa revanchismo, não deve ser motivo para ódio ou acerto de contas, a verdade liberta todos nós do que ficou por dizer, por explicar, por saber, liberta daquilo que permaneceu oculto, de lugares que não sabemos onde foram depositados os corpos de muitas pessoas, mas faz com que agora tudo possa ser dito, explicado e sabido”.

Fonte: Terra

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