Clarinetista cearense leva ritmos brasileiros para concertos e conservatórios da França
Há duas décadas, uma oportunidade de estudos levou o clarinetista Alison Pereira a trocar Fortaleza pelos Alpes franceses. Hoje, radicado na região da Savoia, no sudeste da França, o músico atua como professor, diretor de orquestra e divulgador da música brasileira em conservatórios e festivais europeus. Ele acaba de participar do tradicional Festival de Violoncelos de Briançon, cidade onde estudou na juventude.
Luiza Ramos, da RFI em Paris
A história começou em 2006, quando Alison foi selecionado para participar do projeto "Tempo de Brasil", criado em Briançon pelo violoncelista Fernando Lima. Na época, ele já tocava em orquestras em Fortaleza e buscava novos desafios profissionais.
"Eu estava no Brasil, em Fortaleza, e recebi uma ligação de um professor da universidade me contando que havia um projeto começando em Briançon. Eles estavam procurando estudantes brasileiros com um certo nível para fazer um curso intensivo no Conservatório du Briançonnais", relembra.
Selecionado após um processo que incluía o envio de currículo e de vídeos tocando clarinete, ele desembarcou na França acompanhado de outros dois músicos brasileiros selecionados. O que seria inicialmente um intercâmbio acabou mudando o rumo de sua vida.
A ligação com Briançon permanece forte. Além de trabalhar em eventos culturais da cidade, Alison construiu ali uma família e uma rede de amigos.
Formação clássica com raízes brasileiras
Apesar de ter seguido uma formação voltada para a música clássica em conservatórios de Briançon, Lyon e Paris, o músico nunca deixou de lado suas raízes brasileiras.
O choro, a bossa nova e o samba continuam presentes em seu trabalho pedagógico e artístico. "Sempre tive um pé na música popular brasileira. Toco pandeiro, bateria, violão e o que mais puder fazer batucada", brinca.
"A música brasileira é a minha especialidade maior. Essa influência sempre aparece nos meus trabalhos, seja como diretor musical de orquestra sinfônica, banda de música na região da Savoia - onde eu tenho projetos que são ligados à música brasileira - ou em intervenções em conservatórios por toda a França", diz Alison Pereira.
Música do Brasil enriquece o ensino europeu
O clarinetista diz que sempre que possível adiciona a riqueza rítmica e melódica das composições brasileiras no repertório de seus alunos, pois, segundo ele, representa um importante complemento para a formação dos estudantes europeus. "A música brasileira enriquece muito o aluno porque tem muita nota, muito ritmo e coisas interessantes musicalmente falando", aponta.
"Compositores brasileiros fazem parte da história da música. Nossa Bossa Nova, por exemplo, tem influências do impressionismo francês de Claude Debussy e Maurice Ravel. Quando apresentamos esse repertório em exames nos conservatórios, os júris e colegas professores ficam impressionados com a 'cor' e o ritmo, que soam exóticos sem perder nada em dificuldade técnica", afirma.
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Atualmente, Alison divide seu tempo entre aulas, apresentações e projetos musicais em diferentes países europeus. No fim de agosto, ele ministrará uma oficina de clarinete em Autrans-Méaudre en Vercors com alunos da França e da Bélgica.
Dirigida por ele, Orquestra Sinfônica de Pays d'Arlysère, na região da Savoia, fará um concerto de Natal no fim de semana de 12 e 13 de dezembro. E além disso, o músico tem a agenda lotada de projetos diferentes até 2028. Ele costuma publicar suas apresentações nas redes sociais.
Aos jovens brasileiros que sonham em seguir uma carreira internacional na música, Alison Pereira deixa uma mensagem de perseverança: "O conselho que dou é que tenham confiança em si e sejam sérios nos estudos. Cada minuto que passamos estudando se 'paga' depois, não é tempo perdido. Quem tiver a oportunidade de vir estudar aqui, que aproveite bem", aconselha o clarinetista.
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