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Tragédia na Muzema: cinco anos depois, acusados respondem em liberdade

Os réus enfrentam acusações de homicídio qualificado pelas 24 vítimas, lesão corporal gravíssima e pelo crime de desabamento

12 abr 2024 - 14h33
(atualizado às 14h36)
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Após cinco anos da tragédia, a investigação ainda está em curso e o julgamento não foi marcado
Após cinco anos da tragédia, a investigação ainda está em curso e o julgamento não foi marcado
Foto: Reprodução / Globocop / Perfil Brasil

Após cinco anos da tragédia que resultou na queda de dois prédios na comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a investigação ainda está em curso e o julgamento dos três acusados pelo Ministério Público Estadual ainda não foi marcado. Os réus José Bezerra de Lira, conhecido como Zé do Rolo, Renato Siqueira Ribeiro e Rafael Gomes da Costa enfrentam acusações de homicídio qualificado pelas 24 vítimas, lesão corporal gravíssima e pelo crime de desabamento.

A mais recente audiência sobre o caso ocorreu em 28 de novembro de 2023, no fórum da capital. Contudo, o desenrolar do processo tem sido complexo devido à dificuldade em reunir depoimentos de testemunhas de acusação. A mudança de controle na comunidade, antes dominada por milícias e atualmente ocupada por traficantes, dificulta ainda mais o acesso a informações relevantes.

Inicialmente, o policial civil Jorge Luiz Camillo Alves liderou a investigação, porém, nove meses após o acidente, as autoridades o prenderam em uma operação contra as milícias que atuavam na região. Desde então, as testemunhas de acusação tornaram-se escassas, levando o Ministério Público a desistir de algumas delas.

"Meu cliente era pedreiro. Ninguém, em sã consciência, vai fazer uma obra para cair e encerrar a carreira. Naqueles dias que antecederam à queda do prédio choveu sem igual na cidade do Rio. Isso também ajudou à queda do imóvel", afirmou ao G1 Telmo Bernardo Batista, advogado que defende o Zé do Rolo.

Os advogados dos réus afirmaram que só irão se pronunciar novamente após a conclusão da fase de depoimentos. Uma vez encerrada essa etapa, a Justiça poderá agendar o tão aguardado julgamento.

A tragédia pode se repetir?

A comunidade da Muzema permanece marcada pela tensão entre traficantes e milicianos, que disputam o controle do território. O local onde os prédios desabaram agora está coberto de vegetação, uma das poucas mudanças visíveis no mercado imobiliário da região.

Até novembro de 2023, investigações do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro revelaram que a Muzema estava sob controle de milicianos, com registro de crescimento no mercado imobiliário dominado por eles desde os anos 1990. O número de prédios com pelo menos cinco andares aumentou na favela, totalizando 23 imóveis demolidos entre 2021 e 2023 devido à irregularidade de construção. Em três desses casos, descobriu-se que a milícia investiu cerca de R$ 7 milhões.

Para enfrentar essa ocupação irregular do solo urbano, o procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, criou uma Força-tarefa do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado há dois anos. Recentemente, a facção Comando Vermelho assumiu o controle da favela, impondo suas regras, o que inclui a exploração dos imóveis antes controlados pela milícia.

A mudança de comando trouxe uma nova dinâmica para a comunidade, com motoqueiros circulando sem capacete e bailes realizados nas madrugadas. A Polícia Civil também investiga um ex-policial militar suspeito de treinar milicianos e traficantes do Comando Vermelho para invadir territórios da milícia e de outras facções rivais. Anteriormente ligado à milícia, Ronny Pessanha de Oliveira, do BOPE, é suspeito de se aliar aos traficantes que dominam a Muzema.

* Matéria publicada com supervisão de Ricardo Parra.

Perfil Brasil
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