SP: família e amigos fazem ato em memória de Toninho do PT
Familiares e amigos se reuniram nesta terça-feira, às margens da avenida Mackenzie, local onde foi encontrado o carro com o corpo do prefeito Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, em memória do chefe do Executivo de Campinas assassinado em setembro de 2001, enquanto passava pelo local. Uma cruz, velas e imagens religiosas foram colocadas próximas a um pequeno morro. Dezenas de amigos e familiares fizeram orações e lembraram de Toninho.
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Segundo a viúva do prefeito, Roseana Garcia, Toninho morreu por incomodar interesses. "Eu não sabia que ele era tão grande. Ele não se curvava e não se deixava levar. Ele morreu porque não concordava com os poderosos. E isso que a polícia tem que apontar e a Justiça julgar", disse.
Muito emocionadas, Roseana e a filha Marina residem em outra cidade. "Sim, eu recebi ameaças veladas, não eram diretas", respondeu. "Por isso que me mudei de Campinas. Todos sabiam nosso endereço, onde minha filha estudava e isso foi falado para a gente: 'sabemos tudo sobre vocês, onde vão, a que horas' e decidimos ir embora", contou.
Família denunciará 'omissão' do governo
A família do prefeito anunciou que irá denunciar o governo brasileiro à Organização dos Estados Americanos (OEA) por omissão na investigação do caso. A decisão ocorre após o Ministério da Justiça ter negado, na última sexta-feira, pedido da defesa dos familiares do prefeito de entrada da Polícia Federal na apuração do crime.
Segundo o advogado da família de Toninho, William Ceschi, a Polícia Civil não possui estrutura para investigar o caso e uma participação da Polícia Federal seria necessária para que o crime fosse de fato apurado. “(Desde que foi reaberto, em 2010) o caso está parado, não anda. Foram ouvidas poucas pessoas, feitas poucas diligências. (...) A própria polícia (Civil) já afirmou que não tem estrutura”, disse Ceschi.
O pedido de federalização do caso foi feito em 2010, logo após a reabertura da investigação do crime, depois que a denúncia contra Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, foi negada.
Em 2012, a PF, porém, negou o pedido e afirmou que a Polícia Civil de São Paulo possui competência e estrutura para apurar o caso, o que é contestado pela defesa da família de Toninho.
No mesmo ano, a polícia paulista formou uma força-tarefa para a investigação, o que não fez com que a apuração da morte do prefeito avançasse, de acordo com Ceschi.
Com a negativa da PF, a defesa da família recorreu ao Ministério da Justiça, em 2012, solicitando parecer do ministro Eduardo Cardozo para que o caso fosse federalizado.
Com a negativa, entregue na sexta-feira (6), a família do prefeito considera que se esgotaram todas as possibilidades no âmbito nacional para que o caso seja apurado e, por isso, até o final de setembro, uma denúncia à OEA será feita. A família já havia apresentado essa possibilidade em 2011, mas não a colocou em prática justamente por considerar não ter esgotado os pedidos nas instâncias no Brasil.
Mesmo que a denúncia seja aceita, porém, a OEA não pode obrigar o Brasil a colocar a Polícia Federal no caso, como deseja a família.