PUBLICIDADE

SP envia quatro líderes do PCC para presídios federais; total de transferências chega a 60

Presos vão passar a cumprir pena em unidades de Mossoró (RN) e em Porto Velho. Investigações apontaram movimentação bilionária oriunda do tráfico de drogas

2 jun 2021 14h30
| atualizado às 17h20
ver comentários
Publicidade

Quatro presos apontados como líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram transferidos nesta terça-feira, 1, de unidades prisionais paulistas para presídios federais. Eles integram a cúpula da facção e são investigados por ligação com uma movimentação bilionária oriunda do tráfico de drogas.

Total de transferências de SP para unidades federais chegou a 60
Total de transferências de SP para unidades federais chegou a 60
Foto: Ministério da Justiça/Divulgação / Estadão

Com a nova transferência, chegou a 60 o número de presos transferidos de São Paulo para o sistema federal, cujas unidades são consideradas de segurança máxima. A quantidade de transferências cresceu sob a gestão do governador João Doria (PSDB). No início de 2019, o número estava em 22 detentos paulistas em unidades federais.

A polícia e o Ministério Público tem solicitado essa medida como forma de combater o contínuo crescimento do PCC, que seguiu lucrando mesmo com lideranças presas, como Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O chefe da facção está detido na Penitenciária Federal de Brasília após ser transferido de São Paulo em fevereiro de 2019.

Nesta terça-feira, foram transferidos: Marcelo Moreira Prado, o Sem Querer, Eduardo Aparecido de Almeida, o Pisca, Decio Gouveia Luis, o Decio Português, e Bruno Fernando de Lima Flor, o Armani. Prado, Luis e Almeida estavam no presídio de Presidente Bernardes e foram levados para a unidade federal em Mossoró (RN); Flor estava em Presidente Venceslau e cumprirá pena na unidade federal de Porto Velho.

Sem Querer e Pisca, ambos com atuação no Paraguai, figuraram entre os acusados pelo Ministério Público na chamada Operação Sharks, deflagrada em outubro do ano passado. A apuração apontou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentou R$ 1,2 bilhão com o tráfico internacional de drogas por ano, quantia que não incluía os negócios particulares feitos por seus membros e associados.

A Justiça de São Paulo decretou na oportunidade a prisão de 18 acusados de pertencer à cúpula da estrutura de tráfico de drogas e de lavagem de dinheiro e de comandar as ações da organização criminosa nas ruas.

Só uma parte do dinheiro detectado pelos promotores foi movimentado no sistema financeiro - cerca de R$ 200 milhões - por meio de contas bancárias em nomes de laranjas e de empresas fantasmas. O restante foi mantido em casas-cofre e transportado em carros até ser entregue a doleiros, que remetiam os recursos para o exterior a fim de a facção pagar seus fornecedores de drogas no Paraguai, na Bolívia e no Peru.

Foi a primeira vez que o MPE se aproximou da decisão de qualificar o PCC como organização de tipo mafioso, pois esclareceu os esquemas de lavagem de dinheiro do grupo, última etapa para que o grupo pudesse ser considerado uma máfia. "Mostramos que o dinheiro do PCC não fica no Brasil. Ele vai para o exterior", afirmou na oportunidade o promotor Lincoln Gakiya.

Já Armani e Decio Português são nomes apontados como sucessores no comando da facção após a transferência de outros líderes para unidades federais, onde o regime de comunicação é mais restrito. Em novembro de 2020, Armani foi alvo da Operação Fast Track. Os investigadores apontaram que Armani recebeu 'poderes' da 'Sintonia Final' do PCC para assumir o controle do 'Setor do Universo', o comando nacional da organização.

Decio Português foi preso pela última vez em agosto de 2019 no Rio de Janeiro e chegou a ser internado no ano passado em decorrência de um quadro grave de covid-19. Investigadores acreditam que ele já foi o braço direito de Marcola, com quem cumpriu pena por mais de dez anos em Presidente Venceslau, e chegou a ser o número 3 na ordem de comando da facção.

Estadão
Publicidade
Publicidade