Corpo é encontrado sob os escombros da obra e encaminhado ao IML para ser identificado
Foto: Beto Martins / Futura Press
O Corpo de Bombeiros encontrou, na tarde desta quinta-feira, um corpo sob os escombros do prédio que desabou na noite de segunda-feira, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo Paulo Victor Novaes, coordenador da Defesa Civil de Guarulhos, o corpo foi encontrado na parte dos fundos do terreno.
De acordo com os bombeiros, o corpo seria do ajudante-geral Edenilson de Jesus do Santos, desaparecido desde o dia do desmoronamento, mas não há confirmação oficial sobre a identidade da vítima. Familiares de Edenilson foram chamados para fazer o reconhecimento do corpo.
O capitão do Corpo de Bombeiros Humberto Marques Leão falou como foi a descoberta do corpo, que teve o auxílio de cães farejadores. "Depois de todos esses dias de trabalho, com os demais órgãos - guarda municipal, policiamento local e a Defesa Civil - acabamos de encontrar o corpo da vítima, não com vida como a gente sempre espera, mas justamente no local onde as equipes dos dias anteriores já estavam desconfiadas. (...) Fizemos aquele trabalho de remoção, com guindastes das partes grandes a maiores e também o trabalho manual, das partes menores, para chegar ao local”, disse.
Segundo o militar, a vítima estava em uma rota de fuga, quando foi surpreendida pela queda do prédio. "O local era a rampa de saída do alojamento. Ele estava em rota de fuga, para tentar escapar.” Agora, peritos da Polícia Civil serão convocados para fazer a perícia no local, antes da retirada do corpo.
Leão foi questionado sobre as informações repassadas por operários da obra, que apontavam exatamente para o local onde o corpo foi encontrado. Segundo os trabalhadores, as equipes costumavam brincar dizendo que, caso o prédio desabasse, aquele seria o local para se esconder.
"A ocorrência pode ter mais de uma vítima. Os cães indicam o odor e esse odor pode sair por vários lugares. Dividimos em quadrantes o terreno e trabalhamos com várias equipes ao mesmo tempo. Para chegar a esse lugar demoramos mais de 20 horas. Já tínhamos ideia de que ele estaria lá. Mas temos que ampliar a área. Mesmo agora, se não encontrássemos, tínhamos um grande indício e iríamos para as laterais. É assim que trabalhamos”, completou.
“Terminada essa fase de atendimento da ocorrência, a defesa civil irá acompanhar a família para reconhecimento do corpo no IML, auxiliar para que a família possa fazer o sepultamento”, disse Paulo Victor Novaes, da Defesa Civil.
Quando as máquinas deixarem o terreno, o órgão deverá fazer novas vistorias nas casas ao lado. “Essa vistoria é nas residências em volta, para avaliar a situação final e assim tomarmos uma decisão se as famílias poderão retornas para as casas”, completou. De acordo com a Defesa Civil, moradores de dois prédios vizinhos ao terreno poderão voltar para seus apartamentos. Já os moradores das casas que ficam nos fundos do local do desabamento só serão liberadas após uma nova avaliação.
Desabamento
O prédio em construção desabou na noite de segunda-feira, no bairro Vila Leonor, em Guarulhos. No terreno, restaram nada menos do que 1,2 mil toneladas de entulho, equivalente a cerca de 150 caminhões, segundo o Corpo de Bombeiros.
Segundo a prefeitura, a obra tinha alvará de construção em dia. O documento foi emitido em 23 de novembro de 2012 e autoriza a construção de um condomínio residencial de 30 apartamentos e dois salões comerciais, com um total de 3.706 metros quadrados.
A construtora Salema, responsável pela obra, entrou com um pedido em maio deste ano para prosseguir com a obra. O novo alvará foi expedido no mês passado, informou a prefeitura. "A partir daí, e de acordo com as normas técnicas brasileiras, a responsabilidade sobre a execução da obra cabe à empreiteira, através do seu engenheiro responsável", destacou.
2 de dezembro - Bombeiros passaram a madrugada trabalhando no local do acidente
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Ao menos 20 viaturas dos bombeiros foram acionadas para a ocorrência
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - De acordo com os bombeiros, o prédio estava em construção
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Prédio de 10 pavimentos desabou por volta das 19h20 dessa segunda-feira
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - A prefeitura de Guarulhos afirmou que pesquisa informações a respeito dos responsáveis pela obra e a situação da construção
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Até o início da madrugada desta terça-feira não havia registro de vítimas
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Segundo o Corpo de Bombeiros, o cães que auxiliam nas buscas por pessoas que poderiam ter ficado soterradas com o acidente não indicam a presença de vítimas no local
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - O Corpo de Bombeiros recebeu a informação de que 13 funcionários trabalhariam na obra, mas apenas uma vítima estaria no local no momento do desabamento
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Um operário disse que na hora do desabamento os companheiros já deviam ter deixado o local
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Segundo os bombeiros, os pavimentos inferiores do edifício foram menos atingidos, aumentando a chance de sobrevivência de possíveis vítimas
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Após vistorias no local, agentes e engenheiros da Defesa Civil interditaram preventivamente um número não especificado de imóveis no entorno do prédio que desabou
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Prédio em construção desabou em avenida de Guarulhos nesta segunda-feira
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
2 de dezembro - Prédio em construção desabou em avenida de Guarulhos nesta segunda-feira
Foto: Beto Martins / Futura Press
2 de dezembro - Os bombeiros solicitaram que helicópteros não sobrevoassem a região para evitar barulho, já que tentam ouvir possíveis vítimas que podem estar sob os escombros
Foto: Beto Martins / Futura Press
2 de dezembro - Segundo a prefeitura de Guarulhos, homens da Defesa Civil foram encaminhados ao local
Foto: Beto Martins / Futura Press
2 de dezembro - Após vistorias no local, agentes e engenheiros da Defesa Civil interditaram preventivamente um número não especificado de imóveis no entorno do prédio que desabou. Por conta disso, moradores foram retirados do local
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram por desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - As causas do desabamento ainda serão investigadas pela Polícia Civil
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Homens da Defesa Civil também atuam no local
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Uma retroescavadeira ajuda na retirada de escombros
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Os bombeiros mudaram a estratégia de buscas após escombros cederem cerca de 20 centímetros
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - A avenida onde desabou o prédio fica próxima a um importante shopping de Guarulhos e também da rodovia Presidente Dutra
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Dois cães auxiliam nas buscas
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Na noite de segunda, os bombeiros solicitaram que helicópteros não sobrevoassem a região para evitar barulho e facilitar nas buscas
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - O ajudante-geral Edenilson de Jesus do Santos estaria na obra no momento do desabamento
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram por desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
2 de dezembro - Treze pessoas estariam trabalhando no local no momento do acidente
Foto: Fabio P. / vc repórter
3 de dezembro - Todos buscam por um operário desaparecido
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Os militares trabalharam a noite toda no local
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros trabalham em escombros de prédio que desabou em Guarulhos, nesta segunda
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros trabalham em escombros de prédio que desabou em Guarulhos, nesta segunda
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros trabalham em escombros de prédio que desabou em Guarulhos, nesta segunda
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros trabalham em escombros de prédio que desabou em Guarulhos, nesta segunda
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros trabalham em escombros de prédio que desabou em Guarulhos, nesta segunda
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros trabalham em escombros de prédio que desabou em Guarulhos, nesta segunda
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Bombeiros procuram operário desaparecido em obra que desabou em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
3 de dezembro - Homens do Corpo de Bombeiros encontraram os documentos do operário desaparecido
Foto: Thiago Tufano / Terra
2 de dezembro - Internauta registra instantes que se seguiram ao desabamento de prédio
Foto: Waldir Fernandes / vc repórter
2 de dezembro - Prédio em construção que desabou no bairro Vila Leonor tinha rachaduras nas paredes, segundo um operário
Foto: Waldir Fernandes / vc repórter
2 de dezembro - Outro operário disse que a construtora Salema, empresa responsável pela obra, não fornecia equipamentos de segurança
Foto: Waldir Fernandes / vc repórter
2 de dezembro - Um trabalhador está desaparecido desde o desabamento
Foto: Waldir Fernandes / vc repórter
2 de dezembro - Dois cães farejadores estão sendo revezados para tentar encontrar o trabalhador desaparecido
Foto: Waldir Fernandes / vc repórter
3 de dezembro - O prédio em construção que desabou na noite de ontem tinha rachaduras nas paredes, segundo um operário que trabalhava na obra
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
3 de dezembro - Girão afirmou que o sindicato recebeu a denúncia e que ele esteve no local e também constatou rachaduras na estrutura do prédio feito pela Salema
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
3 de dezembro - Foto mostra obra antes do desabamento
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
3 de dezembro - O ajudante de pedreiro André Rodrigues Santana, 24 anos, disse que já havia avisado a seus superiores sobre o problema
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
3 de dezembro - Outro operário disse que a Salema, empresa responsável pela obra, não fornecia equipamentos de segurança a todos os obreiros
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
3 de dezembro - Cães farejadores são usados na tentativa de localizar operário que estaria sob escombros
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
4 de dezembro - Corpo de Bombeiros prossegue nas buscas ao operário Edenílson Jesus Santos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Após quase 36 horas de busca, a corporação ainda tem esperança de encontrar o jovem de 24 anos com vida debaixo dos escombros
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Uma cama intacta foi encontrada em um dos chamados bolsões de ar dos escombros
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam a remover escombros e procurar espaços vitais isolados
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Corpo de Bombeiros prossegue nas buscas ao operário Edenílson Jesus Santos, desaparecido após o desabamento de uma obra de um prédio de dez pavimentos na cidade de Guarulhos (SP)
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - De acordo com outros operários que trabalhavam na obra, Edenílson dormia em um alojamento durante a semana e estava no local no momento do acidente
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Os bombeiros ainda procuram por um operário que está desaparecido
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - O prédio que desabou tinha 10 pavimentos - seis andares, dois subsolos, um térreo e um mezanino
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Até as 10h desta quarta-feira, já haviam sido retiradas 240 toneladas de material de construção em cerca de 30 caminhões
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - A quantidade equivale a 150 caminhões
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Ao todo, os bombeiros calculam que haja 1.200 toneladas de entulho no local
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Entulhos são removidos do local onde ficava a obra, em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Bombeiros continuam o trabalho de busca por operário desaparecido entre os escombros em Guarulhos
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Segundo o capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros, a quantidade de entulho prejudica o trabalho de busca pelo operário Edenílson Jesus Santos, 24 anos, que está desaparecido desde o desabamento
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - O prédio em construção tinha cerca de 1,2 mil toneladas de entulho
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - O investigador Sérgio Peres foi ao local do desabamento no começo da tarde para buscar as testemunhas
Foto: Bruno Santos / Terra
4 de dezembro - Três pessoas consideradas testemunhas na investigação do desabamento de um prédio em Guarulhos (SP) foram convidadas a prestar depoimento na tarde desta quarta-feira, no 5º Distrito Policial da cidade
Foto: Bruno Santos / Terra
5 de dezembro - Corpo é encontrado sob os escombros da obra e encaminhado ao IML para ser identificado
Foto: Beto Martins / Futura Press
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Rachaduras
O ajudante de pedreiro André Rodrigues Santana, 24 anos, trabalhava na obra e disse que existiam rachaduras no local e que seus superiores sabiam do problema. "Eu já tinha percebido as rachaduras. Todo mundo falou que esse prédio uma hora ia cair. Todo mundo estava sabendo. Tinha trincas nas paredes e já tínhamos avisado os mestres da obra", afirmou ele.
Santana trabalhava na obra do prédio havia seis meses. No dia do desabamento, ele deixou a construção por volta das 18h, cerca de uma hora antes de a estrutura desmoronar.
Outro operário disse que a construtora Salema, empresa responsável pela obra, não fornecia equipamentos de segurança a todos os obreiros. O encanador Mário Ferreira dos Santos, 62 anos, afirmou que trabalhava sem capacete ontem, algumas horas antes do desabamento.
"Não sou registrado, não estava usando capacete e só alguns operários tinham equipamento de segurança. Eles não forneciam equipamentos para todo mundo. O correto é andar com equipamento, pois é muito perigoso", disse Santos.
Para o advogado da Salema, o ocorrido foi uma "catástrofe" e garantiu o uso de equipamento de seguranças pela equipe de operários.
Testemunhas disseram que operários trabalhavam sem os equipamentos básicos e alguns usavam até chinelos no horário de trabalho. "Isso não é verdade. Sem equipamento e de chinelos? Uma obra desse tamanho, sem fiscalização, não existe", disse o advogado Maurício Monteagudo.
Quando questionado sobre denúncias da existência de rachaduras no local, Monteagudo afirmou que "isso é improvável". “Se tivesse alguma avaria, já tinha corrigido. Falta de equipamento é impossível, até porque temos engenheiro de segurança”, falou.
"Estávamos com quase 80% da obra concluída. Não tinha nenhum problema estrutural em um primeiro momento e o engenheiro responsável acompanhava a obra toda semana. Isso pode ser estrutural do solo, em minha opinião", falou o advogado.
A Polícia Civil continua investigando o caso e, até agora, três pessoas foram ouvidas. O engenheiro civil Fernando Madeira Salema, dono da construtora Salema, ainda é aguardado para prestar depoimento.
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