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SP: bombeiros encontram corpo em local de desabamento em Guarulhos

5 dez 2013 - 13h42
(atualizado às 20h38)
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Corpo é encontrado sob os escombros da obra e encaminhado ao IML para ser identificado
Corpo é encontrado sob os escombros da obra e encaminhado ao IML para ser identificado
Foto: Beto Martins / Futura Press

O Corpo de Bombeiros encontrou, na tarde desta quinta-feira, um corpo sob os escombros do prédio que desabou na noite de segunda-feira, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo Paulo Victor Novaes, coordenador da Defesa Civil de Guarulhos, o corpo foi encontrado na parte dos fundos do terreno.

De acordo com os bombeiros, o corpo seria do ajudante-geral Edenilson de Jesus do Santos, desaparecido desde o dia do desmoronamento, mas não há confirmação oficial sobre a identidade da vítima. Familiares de Edenilson foram chamados para fazer o reconhecimento do corpo. 

O capitão do Corpo de Bombeiros Humberto Marques Leão falou como foi a descoberta do corpo, que teve o auxílio de cães farejadores. "Depois de todos esses dias de trabalho, com os demais órgãos - guarda municipal, policiamento local e a Defesa Civil - acabamos de encontrar o corpo da vítima, não com vida como a gente sempre espera, mas justamente no local onde as equipes dos dias anteriores já estavam desconfiadas. (...) Fizemos aquele trabalho de remoção, com guindastes das partes grandes a maiores e também o trabalho manual, das partes menores, para chegar ao local”, disse.

Segundo o militar, a vítima estava em uma rota de fuga, quando foi surpreendida pela queda do prédio. "O local era a rampa de saída do alojamento. Ele estava em rota de fuga, para tentar escapar.” Agora, peritos da Polícia Civil serão convocados para fazer a perícia no local, antes da retirada do corpo.

Leão foi questionado sobre as informações repassadas por operários da obra, que apontavam exatamente para o local onde o corpo foi encontrado. Segundo os trabalhadores, as equipes costumavam brincar dizendo que, caso o prédio desabasse, aquele seria o local para se esconder.

"A ocorrência pode ter mais de uma vítima. Os cães indicam o odor e esse odor pode sair por vários lugares. Dividimos em quadrantes o terreno e trabalhamos com várias equipes ao mesmo tempo. Para chegar a esse lugar demoramos mais de 20 horas. Já tínhamos ideia de que ele estaria lá. Mas temos que ampliar a área. Mesmo agora, se não encontrássemos, tínhamos um grande indício e iríamos para as laterais. É assim que trabalhamos”, completou.

“Terminada essa fase de atendimento da ocorrência, a defesa civil irá acompanhar a família para reconhecimento do corpo no IML, auxiliar para que a família possa fazer o sepultamento”, disse  Paulo Victor Novaes, da Defesa Civil.

Quando as máquinas deixarem o terreno, o órgão deverá fazer novas vistorias nas casas ao lado. “Essa vistoria é nas residências em volta, para avaliar a situação final e assim tomarmos uma decisão se as famílias poderão retornas para as casas”, completou. De acordo com a Defesa Civil, moradores de dois prédios vizinhos ao terreno poderão voltar para seus apartamentos. Já os moradores das casas que ficam nos fundos do local do desabamento só serão liberadas após uma nova avaliação.

Desabamento

O prédio em construção  desabou na noite de segunda-feira, no bairro Vila Leonor, em Guarulhos. No terreno, restaram nada menos do que 1,2 mil toneladas de entulho, equivalente a cerca de 150 caminhões, segundo o Corpo de Bombeiros. 

Segundo a prefeitura, a obra tinha alvará de construção em dia. O documento foi emitido em 23 de novembro de 2012 e autoriza a construção de um condomínio residencial de 30 apartamentos e dois salões comerciais, com um total de 3.706 metros quadrados. 

A construtora Salema, responsável pela obra, entrou com um pedido em maio deste ano para prosseguir com a obra. O novo alvará foi expedido no mês passado, informou a prefeitura. "A partir daí, e de acordo com as normas técnicas brasileiras, a responsabilidade sobre a execução da obra cabe à empreiteira, através do seu engenheiro responsável", destacou.

Rachaduras

O ajudante de pedreiro André Rodrigues Santana, 24 anos, trabalhava na obra e disse que existiam rachaduras no local e que seus superiores sabiam do problema. "Eu já tinha percebido as rachaduras. Todo mundo falou que esse prédio uma hora ia cair. Todo mundo estava sabendo. Tinha trincas nas paredes e já tínhamos avisado os mestres da obra", afirmou ele.

Santana trabalhava na obra do prédio havia seis meses. No dia do desabamento, ele deixou a construção por volta das 18h, cerca de uma hora antes de a estrutura desmoronar.

Outro operário disse que a construtora Salema, empresa responsável pela obra, não fornecia equipamentos de segurança a todos os obreiros. O encanador Mário Ferreira dos Santos, 62 anos, afirmou que trabalhava sem capacete ontem, algumas horas antes do desabamento.

"Não sou registrado, não estava usando capacete e só alguns operários tinham equipamento de segurança. Eles não forneciam equipamentos para todo mundo. O correto é andar com equipamento, pois é muito perigoso", disse Santos.

Para o advogado da Salema, o ocorrido foi uma "catástrofe" e garantiu o uso de equipamento de seguranças pela equipe de operários. 

Testemunhas disseram que operários trabalhavam sem os equipamentos básicos e alguns usavam até chinelos no horário de trabalho. "Isso não é verdade. Sem equipamento e de chinelos? Uma obra desse tamanho, sem fiscalização, não existe", disse o advogado Maurício Monteagudo.

Quando questionado sobre denúncias da existência de rachaduras no local, Monteagudo afirmou que "isso é improvável". “Se tivesse alguma avaria, já tinha corrigido. Falta de equipamento é impossível, até porque temos engenheiro de segurança”, falou.

"Estávamos com quase 80% da obra concluída. Não tinha nenhum problema estrutural em um primeiro momento e o engenheiro responsável acompanhava a obra toda semana. Isso pode ser estrutural do solo, em minha opinião", falou o advogado.

A Polícia Civil continua investigando o caso e, até agora, três pessoas foram ouvidas. O engenheiro civil Fernando Madeira Salema, dono da construtora Salema, ainda é aguardado para prestar depoimento.

Fonte: Terra
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