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RJ: com fitas na boca, manifestantes acompanham CPI dos Ônibus

Logo no início, o vereador Eliomar Coelho (Psol), que propôs a criação da CPI, se retirou da sala

15 ago 2013
12h48
atualizado às 13h00
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A primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus, na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, foi realizada nesta quinta-feira no Palácio Pedro Ernesto com a presença dos vereadores que compõem a CPI, do presidente da Câmara, vereador Jorge Felipe (PMDB), e da imprensa. Dez manifestantes, com fitas pretas na boca, já estavam no interior da Casa e também acompanharam a reunião. Logo no início, o vereador Eliomar Coelho (Psol), que propôs a criação da CPI, se retirou da sala em protesto por não ter sido escolhido para presidir os trabalhos.

<p>Jovens que ocupam a Câmara Municipal ficam "amordaçados" enquanto acompanham a primeira sessão da CPI dos Ônibus</p>
Jovens que ocupam a Câmara Municipal ficam "amordaçados" enquanto acompanham a primeira sessão da CPI dos Ônibus
Foto: Reynaldo Vasconcelos / Futura Press

Do lado de fora, manifestantes ocuparam a avenida Rio Branco que, com trânsito intenso, chegou a ser fechada. Motoristas tiveram que retornar pela contramão, sob orientação de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio).

Os agentes conseguiram liberar duas pistas da avenida, mas o congestionamento foi grande. Passageiros dos ônibus que estavam parados no engarrafamento desceram e se juntaram aos manifestantes.

Desde que a CPI dos Ônibus foi instalada, na última quinta-feira, com o objetivo de apurar os contratos das empresas de transporte público com a prefeitura, manifestantes ocupam o plenário da Casa, reivindicando a renúncia dos vereadores escolhidos para compor a comissão. Na reunião de hoje, que durou quase uma hora, foram aprovados requerimentos e agenda com as datas das audiências. A primeira audiência está marcada para o próximo dia 22.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil Agência Brasil

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