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PM mata sogro e advogada ativista no combate à violência contra a mulher no interior de SP

Agressor foi morto por policiais militares quando tentava matar também a sogra; OAB lamentou tragédia

21 nov 2025 - 18h12
(atualizado às 18h36)
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Um policial militar matou a mulher e o sogro a facadas durante uma discussão familiar, nesta sexta-feira, 21, em Piraju, no interior de São Paulo. Ele foi morto por policiais quando tentava matar também a sogra que havia se refugiado em um banheiro.

A mulher do policial era advogada e ativista em defesa de mulheres vítimas da violência doméstica. A arma do PM havia sido recolhida no dia anterior porque ele havia ameaçado a mulher.

Conforme a Polícia Civil, quando teve a arma recolhida pela corporação por ameaça à esposa, foi determinado ao PM que mantivesse distância da mulher. No entanto, ele invadiu a casa pulando o muro e usou a faca para matar a esposa e o sogro.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), o caso foi registrado como homicídio, feminicídio e violação de domicílio. A Polícia Civil apura as circunstâncias, com acompanhamento da Corregedoria da PM.

Camilla Silva era presidente da Comissão das Mulheres Advogadas e atuava na defesa de vítimas da violência doméstica.
Camilla Silva era presidente da Comissão das Mulheres Advogadas e atuava na defesa de vítimas da violência doméstica.
Foto: Advocacia Silva/Divulgação / Estadão

O crime aconteceu no bairro Nova América, onde fica a residência da família. Segundo o registro policial, a Polícia Militar foi acionada por vizinhos que ouviram os gritos das vítimas. Quando chegaram ao local, os policiais flagraram o PM Leonardo Silva, de 25 anos, atacando a mulher, Camilla Santos Silva, de 32, com golpes de faca.

O sogro dele, pai de Camilla, Paulo Sérgio Silva, de 62 anos, estava caído no chão, com ferimentos. Ignorando as ordens dos colegas para se entregar, o agressor foi em direção ao banheiro, onde a sogra havia se escondido quando começaram as agressões. Ele acabou alvejado pelos policiais militares.

A mulher, o pai dela e o PM foram encaminhados para o pronto-socorro do Hospital de Piraju, mas não resistiram aos ferimentos. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Avaré.

Segundo informações da Polícia Civil, na noite anterior aos crimes, a arma de Leonardo havia sido recolhida pela corporação devido a ameaças contra a esposa.

De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Camilla era ativista em defesa dos direitos das mulheres, no enfrentamento à violência doméstica e na valorização da mulher advogada. Ela era presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB local.

Camilla estava inscrita na Ordem desde janeiro de 2018. Em nota, a 112.ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil, com sede em Piraju, lamentou a morte dela.

"Lamentavelmente, Doutora Camilla soma-se às vítimas do feminicídio, crime que, apesar da firme reprovação social, institucional e penal, cresce de forma alarmante em nosso país. Aos familiares e amigos, estendemos nossos mais sinceros sentimentos e solidariedade", diz a nota.

A OAB São Paulo também divulgou nota de profundo pesar diante do feminicídio que vitimou a advogada Camilla Santos Silva.

Estadão
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