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Piscina onde aluna passou mal recebia por dia carga de cloro necessária para uma semana, diz polícia

Segundo o delegado Alexandre Bento, relatos de funcionários indicam que eram usados quase 10 quilos de cloro por dia na piscina

13 fev 2026 - 22h40
(atualizado às 23h05)
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Relatos de funcionários da academia C4 Gym apontam que a quantidade de cloro usada por dia na piscina onde a aluna Juliana Bassetto, 27 anos, passou mal no último sábado, 7, e morreu após ser internada, correspondia a uma carga recomendada para uma semana.

"Os relatos que nós temos é que eles usam quase 10 quilos de cloro por dia", disse ao Estadão o delegado Alexandre Bento, que está à frente das investigações. "É um relato narrado por funcionários. Mas a gente não sabe efetivamente quanto eles usam. Segundo o cálculo pelo rótulo, essa quantidade daria para ser utilizada, em uma piscina dessa, por pelo menos uma semana. Essa é a informação que a gente tem", acrescentou.

Juliana sofreu um mal-estar ainda na água durante uma aula de natação. Ela precisou ser socorrida no local e foi hospitalizada, mas não resistiu. Outras cinco pessoas, que também estiveram na piscina no mesmo dia, precisaram ser internadas. A principal suspeita é que as vítimas tenham sofrido uma intoxicação provocada pelo cloro usado para a limpeza da piscina.

Funcionário da academia faz mistura de produtos químicos para limpeza da piscina na academia C4 Gym
Funcionário da academia faz mistura de produtos químicos para limpeza da piscina na academia C4 Gym
Foto: Câmera de monitoramento/Reprodução / Estadão

As investigações apontam que a manipulação do cloro ficava a cargo de Severino Silva, um ajudante-geral que não tinha formação para a tarefa e acumulava ainda a função de manobrista da academia. À polícia, ele relatou que recebia a orientação dos sócios da academia por mensagens.

A defesa de Severino diz que o funcionário colabora com as investigações e é tratado no caso apenas como testemunha - ele não foi indiciado. A C4 Gym afirma que um dos sócios tinha formação para a manutenção da piscina e que o certificado foi apresentado nos autos "como prova".

Por conta do episódio, a Polícia Civil indiciou os sócios da academia e pediu pela prisão temporária de Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração pelo crime de homicídio por dolo eventual (quando se assume o risco do resultado morte). O Tribunal de Justiça de São Paulo indeferiu o pedido e autorizou que os sócios respondam o caso em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares.

A polícia afirma que os sócios teriam visado ao lucro ao colocar uma pessoa sem experiência e formação para cuidar da piscina, e que os empresários teriam tentado ainda descaracterizar a cena do crime, dissipando os gases logo após Juliana ser levada a um hospital.

A defesa dos responsáveis pela C4 Gym afirma que tão logo os alunos relataram odor forte na piscina, toda a academia foi esvaziada e o Samu e o Corpo de Bombeiros foram acionados, e que partiu da Juliana e seus acompanhantes a escolha de ser tratada em um hospital em Santo André.

Informou ainda que o local não foi abandonado, mas que a unidade foi fechada no horário previsto aos sábados (às 15h) e que "seus responsáveis permaneceram disponíveis para esclarecimentos".

"O advogado da academia esteve presente e solicitou acompanhar a vistoria do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil, mas o pedido não foi autorizado. Também esclarece que os sócios sempre estiveram à disposição da autoridade policial", informou a defesa, em nota.

Marido de vítima tem melhora no quadro

O marido de Juliana, Vinícius Oliveira, foi outra vítima da intoxicação pelo cloro. Ele precisou ser internado em estado grave, e teve que ser entubado. Nesta sexta, ele apresentou melhora no quadro.

Segundo o delegado Alexandre Bento, o pai de Vinícius relatou a ele que o filho está melhor, que não está mais entubado e está conversando. De acordo com Bento, ele já recebeu a informação também sobre a morte de Juliana.

Estadão
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