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Operação Sophia: quadrilha que usava imagem de criança gaúcha com câncer em golpes é alvo de ação em 5 Estados

Polícia Civil cumpre 19 mandados de prisão contra grupo criminoso que utilizava inteligência artificial, deepfake e clonagem de voz para criar vaquinhas falsas; 11 suspeitos já foram presos

14 jul 2026 - 12h16
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Uma megaoperação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, deflagrada nesta terça-feira (14), mira uma sofisticada organização criminosa especializada em estelionato digital. O grupo utilizava o drama real de Sophia, uma menina gaúcha de três anos moradora de Campo Bom que luta contra o câncer infantil, para criar campanhas falsas de arrecadação de fundos na internet.

Foto: Polícia Civil / Divulgação / Porto Alegre 24 horas

Batizada de Operação Sophia, a ação cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em cinco estados da federação: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Até o momento, 11 suspeitos foram capturados. A ofensiva é coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos, vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.

A rota do dinheiro e o alvo no RS

No Rio Grande do Sul, as ordens judiciais de busca e prisão foram concentradas no município de Passo Fundo, no Norte do estado. O alvo local é apontado como peça-chave do núcleo financeiro da quadrilha.

Conta de passagem: O investigado em Passo Fundo teria aberto uma conta em uma intermediadora de pagamentos utilizando o nome de sua própria empresa.

Arrecadação via Pix: Essa conta recebia diretamente os valores transferidos por doadores de boa-fé através de QR Codes e Pix gerados nos anúncios falsos.

Desvio: Apenas nessa conta, foram rastreados R$ 31,7 mil vinculados à imagem de Sophia. Logo após o recebimento, o dinheiro era pulverizado para contas de outros integrantes do grupo.

"A suspeita é de que ele tenha cedido conscientemente sua identidade e sua estrutura empresarial para permitir o recebimento dos valores das vítimas, proteger os demais integrantes e permitir a posterior distribuição e ocultação do dinheiro obtido com as falsas doações", detalhou o delegado João Vitor Heredia, coordenador da operação.

Tecnologia a serviço do crime: IA, deepfakes e clonagem de voz

A investigação revelou que o grupo operava com uma estrutura altamente profissional e divisão rigorosa de tarefas. Longe de ser um golpe amador, a quadrilha utilizava tecnologia de ponta para ludibriar os doadores:

Manipulação audiovisual: Foram identificadas ferramentas avançadas para clonagem de voz, sincronização labial (lip sync) e criação de avatares digitais por meio de inteligência artificial e deepfakes.

Páginas camufladas: Os criminosos utilizavam mecanismos de camuflagem de sites, remoção de metadados das mídias originais e registro de domínios em provedores estrangeiros para dificultar o rastreamento policial.

Anúncios patrocinados: O grupo pagava por publicidade nas redes sociais para impulsionar os vídeos da campanha falsa. Ao clicar nos links, as vítimas eram redirecionadas para páginas clonadas idênticas às de plataformas legítimas, como o site Vakinha.

Paralelamente ao golpe em andamento, os policiais encontraram provas de que o bando fazia buscas ativas na internet por novas crianças com doenças graves em situação de extrema vulnerabilidade para servirem de "tema" para os próximos estelionatos.

Como o golpe foi descoberto e os valores movimentados

O caso começou a ser desvendado após a mãe de Sophia notar que imagens e vídeos da rotina médica da filha — originalmente publicados na única conta oficial mantida pela família no Instagram para relatar o tratamento — estavam circulando em anúncios pagos nas redes sociais com chaves Pix de terceiros. Nenhum valor doado por esses links alternativos jamais chegou à família de Campo Bom.

A investigação financeira da Polícia Civil revelou o tamanho do esquema:

R$ 294,5 mil foram diretamente rastreados e vinculados especificamente à falsa campanha usando a imagem de Sophia.

Mais de R$ 1,7 milhão foi movimentado no período sob investigação por uma das empresas de fachada mapeadas, considerada o verdadeiro hub financeiro do grupo criminoso.

Os mandados de busca e apreensão realizados nesta terça-feira buscam recolher celulares, computadores, mídias digitais, cartões bancários e contratos sociais nos endereços dos investigados para robustecer o inquérito e identificar novos receptores e cúmplices da fraude.

Porto Alegre 24 horas
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