Operação mira lavagem de dinheiro com roubo e furto de joias e bloqueia R$ 374 milhões em SP
3ª fase da Operação Ouro Reverso cumpre 31 mandados de busca e apreensão
A Polícia Civil de SP deflagrou a terceira fase da Operação Ouro Reverso contra uma rede criminosa de roubo, receptação e lavagem de dinheiro ligada ao comércio de ouro e joias. Com mandados na capital e Grande SP, a Justiça bloqueou R$ 374 milhões em bens e interditou uma empresa suspeita de movimentar mais de R$ 356 milhões. As investigações, iniciadas em 2024, revelaram um esquema dividido em núcleos que usava laranjas e empresas de fachada para ocultar patrimônio obtido ilegalmente.
RIO - A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira, 27, a terceira fase da Operação Ouro Reverso, voltada a desarticular uma organização criminosa especializada em roubo, furto, receptação e lavagem de dinheiro decorrente do comércio ilegal de joias e ouro. Por determinação da Justiça, foram bloqueados cerca de R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados.
Ao todo, 62 agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) cumprem 31 mandados de busca e apreensão na capital paulista e região metropolitana. A ordem judicial também determinou a interdição temporária de uma empresa e o sequestro de um imóvel utilizados pelo grupo. A ação conta com o apoio de auditores das Receitas Estadual e Municipal, além de peritos avaliadores da Caixa Econômica Federal.
De acordo com as investigações da 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas do Deic, a estrutura da organização era dividida em três núcleos operacionais bem definidos: execução, receptação e financeiro.
Estrutura empresarial
As investigações revelaram que apenas uma das empresas integradas ao esquema movimentou quantia superior a R$ 356 milhões. A principal hipótese do Deic é que o CNPJ tenha sido utilizado como fachada para os recursos dos crimes.
Com base no cruzamento de dados contábeis, apreensões de dispositivos eletrônicos e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), os investigadores identificaram uma rede de ocultação de patrimônio. O mecanismo envolvia sucessivas alterações societárias, uso de "laranjas" e transferências fracionadas entre pessoas físicas e jurídicas.
Investigações começaram em 2024
De acordo com a secretaria de Segurança Pública de São Paulo, as apurações tiveram início em 2024, após os investigadores identificarem a entrega de uma joia a um conhecido jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo.
O responsável pelo presente possuía condenações por envolvimento com organização criminosa. A partir desse episódio, a Polícia Civil aprofundou as investigações e identificou uma estrutura voltada à obtenção, transformação e comercialização de metais preciosos de origem criminosa.
A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi realizada em maio de 2025 e teve como alvo o núcleo denominado "O Sangue", formado por suspeitos de envolvimento em roubos violentos de alianças e pela receptação inicial das peças. A ação permitiu reunir informações sobre a atuação do grupo e identificar outros integrantes da estrutura criminosa.
Em agosto deste ano, a segunda fase, denominada "A Fachada", concentrou as investigações em estabelecimentos comerciais, oficinas e laboratórios utilizados para transformar o ouro e as joias obtidos ilegalmente em novos produtos.
Os alvos estavam concentrados principalmente em uma região do centro da capital conhecida como "Círculo do Fogo", que reúne fundições, fabricantes e comerciantes de metais preciosos. Na ocasião, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em joias e determinados bloqueios de bens e ativos que somaram R$ 35 milhões.
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