Operação Descuidado apura fraude em recursos da saúde envolvendo 13 prefeituras no RS
Relatórios falsos simulavam atendimentos para justificar repasses do programa Rede Bem Cuidar
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, nesta quarta-feira (18), a Operação Descuidado, que investiga um esquema de fraude em repasses da área da saúde envolvendo 13 prefeituras gaúchas. A ação é conduzida pela 6ª Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre e apura o uso de documentos falsificados para simular atendimentos médicos com o objetivo de garantir o recebimento de recursos públicos do projeto Rede Bem Cuidar, do governo estadual.
De acordo com as investigações, uma empresa de assessoria em políticas públicas, com sede em Erechim, no norte do Estado, é apontada como responsável por produzir relatórios fraudulentos que indicavam a realização de serviços de saúde que, na prática, nunca ocorreram. Esses documentos permitiam que os municípios envolvidos recebessem verbas estaduais indevidamente. O montante exato desviado ainda está sendo calculado.
Na operação, foram cumpridos dois mandados judiciais: um de busca e apreensão no escritório da empresa investigada, em Erechim, e outro de busca pessoal, em Capivari do Sul, onde o empresário alvo principal da investigação se encontrava. As autoridades recolheram documentos e dispositivos eletrônicos que serão analisados para aprofundar a apuração e identificar possíveis novos envolvidos.
O promotor José Eduardo Coelho Corsini, responsável pelo caso, classificou o esquema como uma "grave violação da moralidade administrativa", destacando que a fraude prejudica diretamente o atendimento à população e desvia recursos públicos essenciais para o funcionamento da saúde básica.
O material apreendido está em análise, e o Ministério Público não descarta que a fraude tenha ocorrido por vários anos, já que os repasses estaduais às prefeituras são realizados mensalmente.