Operação atinge grupo que coordenava execuções e roubos a partir de cinco presídios no RS
Batizada de "Tropa do Caos", quadrilha ligada a facção atuava na Região Metropolitana, Litoral e Centro; ordens de tortura eram filmadas para detentos
A Polícia Civil deflagrou a Operação Cadeia de Comando contra o grupo "Tropa do Caos", braço de uma facção do RS que ordenava crimes violentos a partir de cinco presídios. A ofensiva cumpriu mandados de prisão contra oito apenados e três suspeitos nas ruas, além de buscas em seis cidades. Investigações revelaram que líderes encarcerados coordenavam execuções, roubos, logística de armamentos pesados e castigos físicos brutais contra comparsas, gravados em vídeo para comprovação interna.
Uma ofensiva deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (15) mira uma organização criminosa que comandava ações violentas de dentro do sistema penitenciário gaúcho. Autodenominado "Tropa do Caos", o bando funcionava como braço operacional de uma das maiores facções do Estado, com forte atuação em Alvorada, Porto Alegre, Viamão, além de ramificações no Litoral Norte e na Região Central.
A Operação Cadeia de Comando cumpre 11 mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão, mobilizando 172 agentes. Entre os alvos judiciais, oito já se encontram recolhidos e receberam novas ordens de prisão nas seguintes unidades prisionais:
Cadeia Pública de Porto Alegre (antigo Presídio Central);
Penitenciária Estadual de Porto Alegre (Pepoa);
Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ);
Penitenciária Estadual de Charqueadas III;
Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).
Nas ruas, as equipes capturaram três suspeitos que estavam em liberdade — sendo um deles autuado em flagrante —, enquanto outro investigado permanece foragido. Os mandados de busca foram executados em Alvorada, Viamão, Canoas, Gravataí, Agudo e Balneário Pinhal.
Cobranças gravadas em vídeo e logística bélica
As investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão interceptaram comunicações eletrônicas que revelam a rotina de ordens expedidas pelas celas. Os apenados definiam detalhes logísticos minuciosos, como o fornecimento de veículos clonados, repasse de armamento pesado, distribuição de entorpecentes e entrega de coletes balísticos para os comparsas em liberdade.
As mensagens também documentam a imposição de castigos físicos brutais para cobrar dívidas internas ou punir falhas operacionais, como a perda de armas e drogas. Para comprovar o cumprimento das sentenças disciplinares aos líderes encarcerados, os executores gravavam vídeos das agressões e enviavam os registros diretamente aos presídios.
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