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Manifestantes que invadiram sede dos Correios em Brasília deixam o local

30 ago 2013
21h49
atualizado às 21h49
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Os trabalhadores dos Correios que invadiram a sede da empresa nesta sexta-feira, na capital federal, deixaram o local no fim da tarde, após presença de um oficial de Justiça, que levou uma liminar favorável à empresa, determinando a desocupação. Os Correios informaram, por meio da assessoria de imprensa, que o grupo deixou a sede pacificamente.

Os trabalhadores, ligados à Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (Fentect), faziam uma manifestação em frente ao prédio, como parte do Ato Nacional de Mobilização pela Campanha Salarial de 2013, quando quebraram a porta de vidro do edifício e parte deles conseguiu subir para o 18° andar, onde fica a Vice-Presidência de Recursos Humanos da estatal.

Os trabalhadores pedem aumento real de 15%, reposição da inflação de 7,13% e de 20% das perdas salariais. Eles também reivindicam a entrega de correspondências pela manhã em todo o País e a jornada de seis horas para os atendentes.

O vice-presidente jurídico dos Correios, Cleucio Santos Nunes, disse que a empresa foi surpreendida pelos trabalhadores e que o ato representa uma ruptura nas negociações. Segundo o secretário de Finanças da Fentect, José Rivaldo da Silva, a manifestação foi resultado da demora da empresa em apresentar uma proposta aos trabalhadores.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil Agência Brasil
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