Madrasta é condenada a 49 anos de prisão por envenenar enteados com chumbinho; um deles morreu
Fernanda e Bruno foram envenenados com "chumbinho", em 2022, na Zona Oeste do Rio de Janeiro; julgamento de Cintia durou 15 horas
O Conselho de Sentença do III Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou na quinta-feira, 5, Cintia Mariano Dias Cabral a 49 anos, 6 meses e 20 dias de prisão em regime inicial fechado. A madrasta foi culpada pelo homicídio qualificado da enteada, Fernanda Carvalho Cabral, e pela tentativa de homicídio qualificado de Bruno Carvalho Cabral, ambos envenenados com "chumbinho", em 2022, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio de Janeiro (RJ).
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O julgamento durou mais de 15 horas. Ao proferir a sentença, a juíza Tula Corrêa de Mello ressaltou a gravidade da conduta de Cintia e ressaltou que a ré agiu de forma premeditada. "A culpabilidade exacerbou. A acusada ceifou a vida da enteada Fernanda. Foi premeditado. A ré planejou friamente a morte da vítima", disse.
A magistrada ainda lembrou que Cintia tentou despistar os médicos ao sugerir que Fernanda passava mal devido ao uso de anabolizantes, o que prejudicou o atendimento e diminuiu as chances de sobrevida da jovem.
Para estabelecer a pena, o júri reconheceu as qualificadoras de emprego de veneno e motivo fútil -- este último baseado no ciúme excessivo que a ré sentia da relação do companheiro, Adeilson Jarbas Cabral, com seus filhos, conforme o TJ-RJ. Pelo homicídio de Fernanda, Cintia foi condenado em 30 anos, já a tentativa contra Bruno resultou em pena de 19 anos, 6 meses e 20 dias.
Durante o julgamento, os filhos biológicos de Cintia, Lucas e Carla Mariano Rodrigues, foram testemunhas e relataram que a mãe lhes confessou informalmente ter envenenado os dois enteados. A confissão foi feita após ela receber alta de uma suposta tentativa de tirar a própria vida. Segundo Lucas, a mãe disse que fez isso "por amor a Adeilson". Já Carla contou intrigas que Cintia costumava criar. O pai das vítimas, Adeilson, também falou sobre o ciúme doentio de Cintia e disse que ela chegava a apagar mensagens de WhatsApp enviadas pelos filhos para que ele não as visse.
Relembre o caso
Em 15 de março de 2022, Fernanda, de 22 anos, passou mal logo após o jantar, apresentando sintomas de intoxicação. Ela ficou internada por 13 dias e faleceu no dia 27 de março. Inicialmente, a morte foi tratada como causas naturais, mas a suspeita de crime surgiu dois meses depois.
Em 15 de maio do mesmo ano, Bruno, então com 16 anos, também se sentiu mal depois de consumir um almoço feito pela madrasta. O jovem contou que sentiu um gosto amargo no feijão e viu "bolinhas azuis" na comida. Bruno recebeu atendimento médico e passou por uma lavagem estomacal que confirmou a presença de chumbinho. Cintia estava presa preventivamente desde julho de 2022. Ela não poderá recorrer em liberdade.