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Litoral de São Paulo tem estradas interditadas, áreas em risco e bairros isolados após chuvas

Ilhabela tem 8 mil moradores e 250 turistas isolados por causa dos deslizamentos. Rio-Santos continua parcialmente interditada

22 mai 2019
01h07
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SOROCABA - As chuvas que atingiram a região no fim de semana deram uma trégua, mas ainda há estradas interditadas, áreas em risco de deslizamento e muitas famílias isoladas, nesta terça-feira, 21, no litoral norte do Estado de São Paulo.

Toda a encosta de um morro deslizou e a barreira encobriu a rodovia Perimetral, em Ilhabela, litoral norte do Estado de São Paulo
Toda a encosta de um morro deslizou e a barreira encobriu a rodovia Perimetral, em Ilhabela, litoral norte do Estado de São Paulo
Foto: Tribuna do Povo/Divulgação / Estadão

Em Ilhabela, técnicos do Instituto Geológico e da Defesa Civil avaliaram as condições do deslizamento de um morro que bloqueou totalmente a Estrada do Piúva, e concluíram que é preciso esperar uma melhora na estabilidade do terreno para iniciar a remoção da barreira. Enquanto isso, 8 mil moradores e 250 turistas permanecem isolados na costa sul do arquipélago. Já falta comida e combustível. A única saída é pelo mar, mas caminhões e carros não chegam e nem saem.

Dono de uma pousada na Praia do Curral, na costa sul, o empresário Natanael Oliver conta que o isolamento está se prolongando além do esperado . "O problema é que os cabos de fibra ótica se romperam e os moradores estão até sem internet. A comida aqui no (bairro) Colina está acabando, passei no mercado e não tinha verdura e outros gêneros. O lixo está transbordando na frente das casas. A costa sul não tem posto de combustível e já falta gasolina. O telefone só funciona quando quer. A situação está difícil", disse.

Ele conta que estava com vários hóspedes quando a barreira caiu e dois ficaram retidos porque não queriam ir embora sem o carro. "Um dos casais, de São Paulo, acabou deixando o carro para trás e indo embora hoje (terça) de manhã, de ônibus."

A moradora Angela do Vale, de 50 anos, que mora na região desde que nasceu, diz nunca ter vivido uma situação tão aflitiva. "Moramos num bairro a 8 km de onde caiu a barreira e compreendo que está sem condições de abrir neste momento para a gente passar. Estive no local com meu esposo e vi a situação. É um volume muito grande de terra, está bem encharcado o solo e há perigo, sim, para quem vai mexer e para quem tem casa nas imediações. O que a gente vive é uma situação bem crítica porque mercado já não tem legumes, verduras. Ontem já tinha acabado queijo, estava acabando carne, tudo. Tem as barcas que estão fazendo o transporte, mas são filas intermináveis para você atravessar. Estou com o carro sem diesel e não consigo ir buscar."

Ela conta que sua mãe tem uma pousada e muitos hóspedes não conseguiram ir embora. O filho dela tem um restaurante e já falta carne e outros alimentos para manter o atendimento. "O comércio aqui está muito prejudicado, assim como tudo. Minha filha faz faculdade do outro lado do continente e está difícil, ela vai (de barco) e a gente não sabe como ela vai voltar. Na escola falta merenda também, pois o único meio de comunicação com o centro é essa avenida que foi interrompida. Precisamos mesmo de outra alternativa para, numa situação destas, chegar até a cidade. Agora, com as previsões de tempo ruim, até por barco fica difícil. Eu me sinto isoladíssima, presa."

A prefeitura de Ilhabela informou ter retirado, na manhã desta terça, 15 mil litros de água do local onde aconteceu o deslizamento, usando um caminhão hidrovácuo. "Esse grande volume de água estava acumulado na pista, pressionando o muro de uma residência que se encontra interditada. Em relação ao monitoramento geotécnico, sondas já estão instaladas no local para o processamento da área afetada, o que permitira um diagnóstico real da estabilidade do solo."

Conforme a prefeitura, a expectativa é de que a sondagem seja concluída nas próximas 24 horas, quando será possível ter subsídios para iniciar os trabalhos de desobstrução da pista com segurança. "Hoje (terça), a rodovia segue interditada, uma vez que a área está muito instável, com solo encharcado e vertendo água, além da existência de blocos rochosos fragmentados, com risco de se deslocarem."

A prefeitura disponibilizou cinco lanchas e uma escuna para transportar os moradores isolados entre o sul da ilha e a região central da cidade. O embarque e desembarque são feitos no píer do Portinho e no atracadouro da balsa, na Barra Velha. As embarcações funcionam das 5 horas até as 2 horas da manhã seguinte, mas durante a madrugada dois barcos ficam de plantão para atender emergências.

Mais de 20 pessoas que tiveram de deixar as casas, interditadas pela Defesa Civil, estão abrigadas com parentes. A partir desta quarta-feira, 22, três escolas municipais localizadas no sul da ilha, que estavam com aulas suspensas, retomam as atividades

Rodovia

A rodovia Rio-Santos (SP-55), principal ligação entre as cidades litorâneas, continua parcialmente interditada no km 118, no bairro Cigarras, em São Sebastião. Nesta terça-feira, o tráfego foi liberado por dois períodos de uma hora, entre a manhã e o início da tarde, para a passagem de veículos em comboio. periodicamente por uma hora para reduzir o congestionamento. Em seguida, a pista voltou a ser interditada para o trabalho das máquinas do município e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).

Na segunda-feira, o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB) decretou estado de emergência. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento, mais de 400 pessoas atingidas pelas chuvas foram atingidas pelos serviço social. Nesta segunda, ainda havia 30 pessoas desabrigadas e 120 desalojadas e hospedadas em abrigos temporários.

Golpe

Em Caraguatatuba técnicos da Defesa Civil e do Instituto Geológico fizeram vistoria no trecho de encosta do Morro do Camaroeiro, que está em área de risco. Foram avaliados prédios e casas que têm os fundos voltados para a encosta e sofrem com o escorregamento de terra em períodos chuvosos. Os moradores foram colocados em alerta para deixarem os imóveis ao primeiro sinal de possível deslizamento.

Conforme a prefeitura, oportunistas estão circulando pelos bairros, pedindo doações à população, alegando que seriam para as famílias abrigadas no Centro Integrado de Atenção à Pessoa com Deficiência e Idoso (Ciapi). Segundo o município, trata-se de golpe. "A prefeitura repudia essa atitude e está tomando as providências para identificar essas pessoas", informou, em nota. As doações devem ser feitas diretamente no Ciapi, onde ainda estão cerca de 30 pessoas desalojadas.

Litoral sul

Em Peruíbe, no litoral sul de São Paulo, os moradores do bairro Grajaú continuavam isolados, devido ao deslizamento de lama e pedras que bloqueou a estrada de acesso no sábado, 18. Uma uma trilha de 1 km foi improvisada, mas atende apenas para pedestres. "Estou com o carro em casa, mas não posso usar. O jeito é fazer uma caminhada pela trilha, mas também é perigoso", disse João Carlos Sereno, morador do bairro.

A prefeitura informou que ainda não é possível prever quando a estrada será liberada. Técnicos do Instituto Geológico e do DER fizeram avaliações, mas a encosta da serra que desabou ainda apresenta risco de novos deslizamentos. O município conseguiu enviar duas motolâncias para apoiar a Unidade de Saúde do bairro no atendimento à comunidade. Duas mulheres em final de gestação foram removidas da área isolada com o auxílio de um helicóptero da Polícia Militar.

Estadão

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