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Justiça mantém prisão de ladrões de testes; itens são doados

Entre o material, estavam 2 milhões de máscaras de proteção, macacões, óculos e termômetros

16 abr 2020
11h04
atualizado às 11h55
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SÃO PAULO - A Justiça de São Paulo manteve a prisão em flagrante de cinco pessoas detidas no sábado (11), acusadas de tentar vender uma carga de 14 mil testes de Covid-19 furtadas do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e determinou que material apreendido com o grupo, em especial 2 milhões de máscaras de proteção, sejam doados à Secretaria Estadual da Saúde.

A quadrilha havia furtado cerca de 14 mil testes para o coronavírus que haviam chegado em São Paulo pelo Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A carga desviada estava em um armazém no Ipiranga, zona sul, guardada por homens armados com espingardas e metralhadoras.

Além das máscaras, 600 caixas de álcool em gel, 45 macacões médicos, óculos de proteção e termômetros foram destinados à secretaria e à Polícia Civil.

Foram presos em flagrante Fu Zhihong Cleber Marcelino da Silva, Marcelo Martins da Silva, Hilmar Jose Duppre Júnior e Kawe Mycon Brito Dos Santos. A reportagem tenta contato com a defesa dos réus.

"Aproveitando-se da calamidade pública e com o isolado intuito de lucro, os investigados em tese desviaram material que poderia salvar milhares de vidas, de forma que, indubitavelmente, é intensa a reprovabilidade da sua conduta, a justificar a manutenção da custódia para a garantia da ordem pública", escreveu a juíza Patrícia Álvares Cruz, corregedora do Dipo, ao negar recurso da defesa dos presos para relaxar a prisão em flagrante, na mesma decisão em que transferiu o material.

O furto dos testes havia sido informado à polícia há alguns dias, e no sábado policiais receberam a informação de que o material estava sendo vendido em São Paulo. Um agente, "passando-se por um representante de um empresário do estado do Nordeste negociou os quinze mil testes pelo valor de R$ 3 milhões", segundo relato do caso dos policiais à Justiça.

A negociação se deu em um bar na Rua Almirante Lobo, no Ipiranga, onde um homem confirmou a venda e ainda afirmou que "chegaria uma carga de quinhentos mil testes e poderiam desviar cerca de cinquenta mil", ainda segundo as informações da polícia. O homem disse, ainda de acordo com a polícia, que a carga "estava valendo mais do que ouro".

Feito o acordo, o dinheiro deveria ser levado para o local onde estava a mercadoria, um imóvel na Rua Cipriano Barata, mesmo bairro. Lá, a Polícia encontrou a carga e os seguranças que protegiam a mercadoria. Um deles se identificou como sargento do Exército. Embora não tenha ocorrido troca de tiros, um dos presos teve de ser imobilizado pelos policiais, porque esboçava reação.

Dentro do imóvel, além dos testes furtados do aeroporto, havia farto material médico, parte deles com nota fiscal de compra. Durante as investigações, os policiais descobriram que o imóvel havia sido alugado no dia 30, já após o início do surto da pandemia. As armas apreendidas estavam registradas no Exército como itens de colecionador.

Um dos presos, Fu Zhihong, declarou à Justiça que usa serviços de uma importadora para ter as mercadorias. A polícia pesquisou a empresa, RGA Comércio Exportação e Importação, e constatou que ela não atua no ramo médico.

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Estadão
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