Inteligência artificial prevê alta na violência contra mulheres em SP nos próximos 2 anos
Estudo analisa mais de 80 mil notificações e identifica maior risco para gestantes e concentração de casos nas zonas sul, leste e central da capital paulista
A violência contra mulheres na cidade de São Paulo registrou um aumento preocupante após 2015, com tendências crescentes em casos de violência física, psicológica e sexual, e a previsão de que esse cenário persista nos próximos dois anos. É o que revela um estudo publicado na Revista de Saúde Pública, que utilizou inteligência artificial para analisar mais de 80 mil notificações entre 2013 e 2023, apontando que as taxas podem chegar a 12 casos por 100 mil habitantes.
O levantamento avalia dados de vítimas com idades entre 20 e 59 anos residentes no município. A metodologia aplica técnicas de séries temporais e algoritmos preditivos para mapear as dimensões sociodemográficas e espaciais do problema, além de identificar o comportamento sazonal das ocorrências ao longo da década analisada.
Fatores de risco e áreas afetadas
Os dados mostram que o risco de violência sexual é 2,47 vezes maior entre gestantes. O estudo também identifica um aumento de 32% na prevalência desse tipo de agressão quando o autor do crime está sob o efeito de álcool.
O mapeamento geoespacial revela uma concentração maior de notificações nas áreas periféricas da capital paulista. As zonas sul e leste, além da região central da cidade, reúnem os maiores índices de registros no período.
Metodologia
Os pesquisadores propõem o uso de um modelo adaptado para a saúde pública, chamado Health Research Standard Process for Artificial Intelligence. O objetivo da aplicação é criar uma matriz metodológica replicável que sirva de base para futuras pesquisas e para a formulação de intervenções baseadas em evidências.
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