Idoso pecuarista suspeito de assassinar a ex de 24 anos é encontrado morto com dinheiro e carta
Priscila Custodio foi morta às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), no interior de SP, depois de encontrar João Roberto, de 62 anos, para devolver uma caminhonete. Corpo dele foi localizado semanas depois
O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matar a tiros a ex-companheira Priscila Custodio, de 24, foi encontrado morto em uma mata em Rifaina, São Paulo. Junto ao corpo, localizado pelo neto do suspeito, a polícia apreendeu uma arma calibre 38, dinheiro e uma carta, cujo teor não foi revelado. O crime contra Priscila ocorreu no dia 27 de outubro durante a devolução de uma caminhonete. A Polícia Civil apura o feminicídio e investiga a morte do pecuarista como suspeita.
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O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matar a ex-companheira Priscila Lacerda Custodio, de 24, em Rifaina, no interior de São Paulo, foi encontrado morto com uma carta escrita à mão e uma quantia de dinheiro.
Segundo o boletim de ocorrência, o corpo do homem foi localizado pelo neto, em uma área de mata fechada, próximo à residência do pecuarista na última segunda-feira, 2. Além dos objetos pessoais, foi apreendido um revólver calibre 38.
O conteúdo da carta e a causa da morte não foram divulgados.
Priscila foi morta com um tiro no dia 27 de outubro, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), depois de encontrar João Roberto para lhe devolver uma caminhonete. Segundo a polícia, após efetuar o disparo, ele fugiu.
Confronto de versões
Em entrevista à EPTV, filiada à TV Globo, a advogada da família do pecuarista, Lauriani Baldini França, afirmou que, segundo parentes, o laudo prévio apontou que a causa da morte de João é desconhecida. Ainda de acordo com ela, uma quantia de R$ 100 mil em espécie desapareceu, e ela contestou relatos de testemunhas sobre o crime.
"Ela não frequentava a casa do João, mas, ao olhar as redes sociais, têm várias fotos de viagens com ele, filmagens dela na propriedade dele e na caminhonete", disse.
O valor mencionado pela advogada, porém, não é o dinheiro encontrado com o corpo, mas o que ele havia levado a um leilão para buscar a caminhonete. Segundo ela, é o mesmo veículo que Priscila teria ido devolver no dia em que foi morta.
"Em momento algum estamos falando que esse dinheiro foi gasto com a Priscila", afirmou à EPTV.
O Estadão tenta contato com a defesa do pecuarista, e aguarda retorno.
Já o advogado da família de Priscila, Diogo Máximo, informou que esteve em Rifaina e Franca e teve acesso ao inquérito nesta terça-feira, 3. "No relatório, há informações sobre a carta e o dinheiro, mas o conteúdo do documento e o valor não aparecem", disse ao Estadão.
Máximo afirmou ainda que os parentes desconheciam o relacionamento dela com o pecuarista. "Só sabiam da relação dela com o Samuel Ramos. Eles começaram a namorar este ano", relatou.
O delegado de plantão, Telismar Júnior, havia informado, na semana passada, que João Roberto e Priscila mantinham um relacionamento esporádico e ela já tinha sido ameaçada por ele.
"Por razões de ciúmes e da condição de sexo feminino da vítima, ele acabou matando ela", disse.
"A família do pecuarista tenta desqualificar a Priscila, dizendo que ela fazia extorsão. João tinha uma ficha criminal extensa, com casos de violência, inquéritos e processos", relatou.
O advogado alegou ainda que a quebra de sigilo dos telefones de ambos vai "trazer luz ao caso". "Assim poderemos ver até que ponto ela foi coagida. A gente discute muito a violência doméstica no Brasil, mas ela não para", disse.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) afirmou que o corpo do homem foi recolhido e encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) de Franca. "O caso foi registrado como morte suspeita no plantão da Delegacia Seccional de Franca", disse.
Relembre o caso
A SSP afirmou que a vítima e o suspeito mantinham um relacionamento. O crime ocorreu por volta das 21h, no km 463 da rodovia, próximo a uma propriedade rural.
Testemunhas relataram que Priscila, natural de Perdizes, no interior de Minas Gerais, foi ao local acompanhada do irmão e de uma amiga para devolver uma caminhonete ao homem. Durante uma discussão, João Roberto teria sacado uma arma e efetuado o disparo.
Priscila foi socorrida e encaminhada ao hospital do município, mas morreu na unidade de saúde.
Segundo o delegado de plantão, o suspeito já havia sido condenado por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira.
Procurado pelo Estadão, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que "processos envolvendo violência doméstica e pedidos de medida protetiva tramitam sob segredo de justiça".
Policiais militares foram acionados e realizaram diligências na propriedade. O celular da vítima foi apreendido para análise e as testemunhas prestaram depoimento. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio no plantão da Delegacia Seccional de Franca.
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