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Homem trancado com gás em viatura da PRF morreu por asfixia, diz IML

Imagens mostram gás acumulado em veículo; família cobra investigação e polícia diz que homem precisou ser contido após reação agressiva

26 mai 2022 12h18
| atualizado às 12h46
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Homem é morto após ser trancado em viatura policial com gás em Sergipe
Homem é morto após ser trancado em viatura policial com gás em Sergipe
Foto: Reprodução Redes Sociais

Genivaldo de Jesus Santos, o homem negro trancado com gás no porta-malas de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Umbaúba, no sul de Sergipe, morreu por asfixia, segundo análises preliminares do Instituto Médico Legal (IML). A informação foi enviada ao Terra por meio da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

"Foi identificado de forma preliminar que a vítima teve como causa mortis insuficiência aguda secundária a asfixia. A asfixia mecânica é quando ocorre alguma obstrução ao fluxo de ar entre o meio externo e os pulmões. Essa obstrução pode se dar através de diversos fatores e nesse primeiro momento não foi possível estabelecer a causa imediata da asfixia, nem como ela ocorreu", informa a nota do IML. 

O órgão disse ainda que, após a conclusão dos trabalhos, os laudos serão remetidos à delegacia de Polícia Federal.

Entenda o caso

A vítima, de 38 anos, foi abordada na tarde de quarta-feira, 25, imobilizada e colocada no interior do compartimento da viatura da PRF. Em seguida, segundo testemunhas, os policiais lançaram um gás sobre a vítima e trancaram o porta-malas.

Segundo familiares, o homem sofria de transtornos mentais. A PRF afirma que a vítima resistiu à abordagem e precisou ser contida com armas não letais.

Um sobrinho de Genivaldo contou que o tio foi abordado na Rodovia BR-101 quando pilotava uma motocicleta. Os policiais pediram que ele colocasse as mãos para o alto e, durante a revista, o questionaram sobre algumas cartelas de comprimidos achadas em seu bolso. Segundo o sobrinho, o tio tomava medicamentos.

Veja imagens do caso. Atenção: a gravação contém cenas fortes!

Genivaldo ficou nervoso e questionou os policiais, que fizeram uso de spray pimenta e o colocaram no porta-malas do camburão. Ainda conforme a testemunhas, foi nesse momento que os agentes lançaram outro tipo de gás contra o homem, que já havia sido colocado no porta-malas.

Genivaldo foi levado para a delegacia da Polícia Civil, onde foi constatado que a vítima estava desacordada. O homem ainda foi levado a um hospital, mas não resistiu. O corpo foi levado para perícia no IML de Aracaju.

A família registrou boletim de ocorrência na delegacia de Umbaúba. Familiares da vítima e testemunhas já foram ouvidas, mas, por envolver agentes federais, a investigação deve ser repassada à Polícia Federal.

Em nota, a PRF informou que, durante a abordagem da equipe, o abordado reagiu de forma agressiva e precisou ser contido com técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo. Durante o deslocamento à delegacia, ele passou mal e foi socorrido ao Hospital José Nailson Moura, onde posteriormente foi atendido e constatado o óbito. Ainda segundo a PRF, a ocorrência foi registrada e a Polícia Judiciária vai apurar o caso. A PRF abriu procedimento disciplinar para averiguar a conduta dos envolvidos.

Confira a nota do IML na íntegra:

O Instituto Médico Legal (IML) informa que o corpo de Genivaldo de Jesus Santos deu entrada às 18h20 desta quarta-feira (25), tendo início o processo de identificação por meio da papiloscopia e em seguida encaminhado para o exame de necrópsia.

O IML detalha que foi realizada a necrópsia médico forense, sendo coletadas amostras de material biológico. O material foi encaminhado ao Instituto de Análises e Pesquisas Forenses (IAPF) para elucidar a causa imediata da morte.

Foi identificado de forma preliminar que a vítima teve como causa mortis insuficiência aguda secundária a asfixia.

A asfixia mecânica é quando ocorre alguma obstrução ao fluxo de ar entre o meio externo e os pulmões. Essa obstrução pode se dar através de diversos fatores e nesse primeiro momento não foi possível estabelecer a causa imediata da asfixia, nem como ela ocorreu.

Após a conclusão dos trabalhos, os laudos serão remetidos à delegacia de Polícia Federal.

 

*Com informações do Estadão Conteúdo

Fonte: Redação Terra
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