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Governo de Manaus pede ajuda da Força Nacional após ataques

Pedido está em análise pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública; transporte coletivo voltou a ser suspenso na capital amazonense

7 jun 2021 13h15
| atualizado às 13h37
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Novos ataques voltaram a assustar a população de Manaus, capital do Amazonas, entre a noite de domingo, 6, e a manhã desta segunda-feira, 7. Uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e uma agência bancária foram incendiadas e o prédio do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) foi alvo de tiros. No domingo, 6, ao menos 16 veículos, incluindo ônibus do transporte coletivo, viaturas policiais, tratores e até uma ambulância tinham sido queimados. O governador do Estado, Wilson Lima (PSC), solicitou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública o envio da Força Nacional de Segurança a Manaus. O pedido está em análise pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Funcionários de empresa de ônibus, trabalham para remover dois ônibus dos 14 que foram queimados por facções em ataques
Funcionários de empresa de ônibus, trabalham para remover dois ônibus dos 14 que foram queimados por facções em ataques
Foto: Edmar Barros / Futura Press

A secretaria municipal da Segurança Pública disse que as ações seriam em represália à morte de um traficante pela polícia e que as ordens para os ataques partiram de uma facção criminosa, do interior de um presídio. O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) pediu ao governo do Estado que autorize a intervenção das Forças Armadas para garantir a lei e a ordem. Ele suspendeu as aulas na rede municipal e o atendimento ao público na maioria das repartições municipais. Até a entrega de cestas básicas para famílias atingidas pelas cheias do Rio Negro foi adiada.

Depois do registro de novos ataques durante a noite, o transporte coletivo voltou a ser suspenso na capital amazonense. "Por motivo de força maior, o Sinetram informa que a operação da frota de transporte coletivo estará suspensa na manhã desta segunda-feira. Também não haverá atendimento na central e nos postos da Sinetram", informou comunicado da empresa. Segundo a direção, o transporte só será retomado quando houver garantia de segurança para funcionários e passageiros. Sem ônibus, o Estado suspendeu o expediente em repartições estaduais.

Os ataques recomeçaram na noite de domingo, quando foi incendiada a UBS do Lírio do Vale. Moradores viram dois homens se afastarem do local já em chamas em uma moto. Os bombeiros chegaram a tempo de evitar que todo o prédio fosse destruído. Em seguida, o caixa eletrônico de uma agência foi incendiado e a sede do Sinetram foi alvejada por disparos de arma de fogo. O sindicato informou que ninguém ficou ferido e que está colaborando com a polícia para identificar os atiradores.

O prefeito de Manaus disse que os ataques atingiram também algumas estruturas municipais, como o monumento da rotatória Umberto Calderaro Filho, conhecido como "Bola das Letras", inaugurado há cinco dias. Almeida disse que, após ter pedido ao governador o envio das forças de segurança a Manaus, também tratou do tema com o comandante militar da Amazônia, general Luís Carlos Gomes Mattos. "Está mais do que na hora do Exército entrar nas ruas. Não se pode deixar que os marginais tomem conta", disse.

O governador informou ter formalizado, ainda na noite de domingo, o pedido de envio de tropa da Força Nacional de Segurança "para atuar em apoio às forças estaduais nas ações de combate ao crime organizado". Segundo ele, até a chegada das tropas federais, todo o efetivo das polícias militar e civil continuará em operações para prender os responsáveis pelos ataques. Mais dois suspeitos foram presos na madrugada desta segunda, totalizando 16 pessoas detidas por suposta participação nos crimes. Sobre o envio de tropas a Manaus, a reportagem entrou em contato com o ministério e aguarda retorno.

Estadão
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