Filhote de gato-maracajá é resgatado após atropelamento da mãe no Noroeste do RS
Animal silvestre foi encontrado sozinho em estrada rural de Sete de Setembro e encaminhado para reabilitação em Passo Fundo
Um filhote de gato-maracajá foi resgatado pelo Batalhão Ambiental da Brigada Militar na quinta-feira (8), após a morte da mãe em um atropelamento ocorrido em uma estrada do interior do município de Sete de Setembro, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul.
O pequeno felino, com aproximadamente meio quilo, foi localizado por um morador da área rural que, ao perceber o animal adulto sem vida às margens da via, decidiu verificar se havia filhotes nas proximidades. Durante a busca, encontrou o filhote sozinho e vulnerável, levando-o temporariamente para casa antes de acionar as autoridades ambientais.
Após o chamado, a equipe do Batalhão Ambiental realizou o resgate e encaminhou o animal para uma avaliação veterinária inicial. Em seguida, o filhote foi levado ao Centro de Acolhimento de Primatas e Aves (Primaves), em Passo Fundo, onde permanece sob cuidados especializados. Técnicos avaliam se será possível a reinserção do animal na natureza após o período de reabilitação.
Conhecido cientificamente como Leopardus wiedii, o gato-maracajá é um felino de hábitos noturnos e comportamento solitário. Na fase jovem, apresenta aparência semelhante à de gatos domésticos, mas, ao atingir a idade adulta, desenvolve cauda longa e patas adaptadas à escalada, características essenciais para sua sobrevivência em ambientes florestais.
A espécie exerce papel relevante no equilíbrio ambiental, especialmente no controle de populações de pequenos mamíferos. A redução de áreas naturais, causada pelo desmatamento e pela expansão urbana, contribui para a aproximação desses animais de regiões habitadas, aumentando os riscos de acidentes.
O Batalhão Ambiental reforça que animais silvestres não devem ser mantidos como pets, mesmo quando parecem dóceis ou indefesos. A captura, guarda ou criação sem autorização legal configura crime ambiental.
Este foi o segundo resgate de felinos silvestres registrado no Noroeste gaúcho em menos de uma semana. No último dia 2, um gato-do-mato foi salvo em Alecrim, após ser encontrado em situação de risco devido à presença de cães.