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Enamorado é vítima de golpista que se passava por Luís Castro

Suspeito preso no Rio de Janeiro também tentou enganar Kannemann e o ídolo colorado D'Alessandro usando falsas identidades

2 set 2026 - 09h16
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Resumo
A Polícia Civil prendeu no Rio de Janeiro um homem acusado de aplicar golpes em figuras do futebol fingindo ser o técnico Luís Castro. O atacante gremista José Enamorado caiu no esquema e transferiu R$ 22 mil para uma falsa ação social. O suspeito, Lucas de Oliveira Eduardo, detido na Operação Falso 9, também tentou enganar nomes como Kannemann e D'Alessandro, usando seu conhecimento dos bastidores esportivos para ganhar a confiança das vítimas.

Uma conversa que começou com elogios aos treinos e perguntas sobre a rotina do jogador terminou com um Pix de R$ 22 mil. O atacante gremista José Enamorado foi uma das vítimas de um homem preso nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro, suspeito de aplicar golpes contra jogadores e dirigentes ligados à dupla Gre-Nal.

Foto: Redes Sociais/Pedro H. Tesch /Grêmio FBPA / Porto Alegre 24 horas

Segundo a investigação, o suspeito, identificado como Lucas de Oliveira Eduardo, se passava pelo técnico do Grêmio, Luís Castro. Usando uma foto do treinador e um número de telefone com prefixo do Rio de Janeiro, ele procurou jogadores pelo WhatsApp e criou, aos poucos, uma relação de confiança antes de pedir dinheiro.

No caso de Enamorado, a abordagem começou em abril. Durante dias, o golpista conversou com o atacante sobre futebol, família, rotina e desempenho nos treinamentos. Em determinado momento, pediu que o jogador mantivesse o contato em segredo e não comentasse com os companheiros.

A estratégia, segundo a polícia, era ganhar a confiança do atleta antes de apresentar o pedido financeiro. O falso Luís Castro afirmou que ajudava um projeto social no Rio de Janeiro que distribuía cestas básicas e perguntou se Enamorado também gostaria de contribuir.

O jogador aceitou. O suspeito informou que seriam necessárias 300 cestas, no valor de R$ 75 cada, e encaminhou uma chave Pix que, segundo ele, pertenceria a uma responsável pela instituição. Em 7 de maio, Enamorado fez a transferência de R$ 22 mil.

O dinheiro foi enviado para uma conta bancária controlada pela organização criminosa e ainda não foi recuperado. Depois do pagamento, o suspeito chegou a encaminhar uma suposta confirmação de que as cestas haviam sido recebidas, encerrando a fraude.

Enamorado não foi o único alvo. O falso treinador também tentou interferir diretamente na rotina de Walter Kannemann. Em uma das mensagens, determinou que o zagueiro argentino chegasse mais cedo para treinar no Centro de Treinamento do Grêmio, no bairro Humaitá, em Porto Alegre.

Kannemann desconfiou da mensagem e procurou confirmar a orientação. Foi quando descobriu que a ordem não havia partido do clube.

O suspeito também mirou pessoas ligadas ao Internacional. Entre os alvos esteve Andrés D'Alessandro, que recebeu uma mensagem de alguém que se passava por um conhecido. A conversa também envolvia dinheiro, mas o ex-dirigente colorado desconfiou e não prosseguiu.

A prisão de Lucas de Oliveira Eduardo ocorreu em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, durante a Operação Falso 9. A ação foi realizada pelas polícias civis do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, por meio da 4ª Delegacia de Polícia Distrital de Porto Alegre e das delegacias de Cabo Frio e Itaperuna.

A investigação começou no Rio Grande do Sul porque a 4ª DP é responsável pela área onde ficam a Arena e o Centro de Treinamento do Grêmio. O delegado Gabriel Lourenço rastreou o suspeito e pediu a prisão preventiva, posteriormente decretada pela 2ª Vara de Garantias de Porto Alegre.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro também investiga o homem por possíveis golpes praticados no estado. Conforme o levantamento policial, ele teria usado estratégias semelhantes para tentar obter dinheiro de outras pessoas do futebol, incluindo o técnico Dorival Júnior, quando comandava a Seleção Brasileira, além de dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Para o delegado Gabriel Lourenço, a familiaridade do suspeito com o ambiente do futebol pode ter facilitado a abordagem. Lucas teria sido jogador das categorias de base e, por isso, conhecia a linguagem e a rotina dos atletas.

A investigação continua para identificar outras possíveis vítimas e verificar a extensão dos golpes.

Porto Alegre 24 horas
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