'Chorei muito quando eu vi aquela cena', diz mãe de mulher arrastada em SP
Crime completa uma semana neste domingo, 7, e família deu entrevista ao Fantástico, da TV Globo. Tainara Santos, de 31 anos, foi atropelada por Douglas Alves, de 26. Jovem foi preso e vítima está internada no HC
*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência doméstica e violência contra a mulher. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
Mãe de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que teve as pernas amputadas após ser atropelada na zona norte de São Paulo, Lúcia Aparecida Souza da Silva afirmou ter "chorado muito" ao ver o vídeo da agressão contra sua filha.
"Um horror, um horror. Eu, como mãe, ainda fico pensando nas pernas dela, no sofrimento, o povo buzinando. Era para matar mesmo. Ele não tem coração. Não tem justificativa. Não tem", disse em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo, 7.
Lúcia aponta que o crime foi intencional e que o agressor, Douglas Alves Silva, queria matar sua filha. "Ele foi para matar." A defesa dele nega que eles se conhecessem, apesar de amigos dos dois apontarem que eles tenham namorado.
"Quando vi aquela cena, eu chorei muito. Acaba com o sonho de uma mãe, acaba com o sonho de um filho. Hoje foi a Tainara, amanhã é a Evelin, amanhã é a Edna, amanhã é a Maria. Isso tem que mudar", afirma Lúcia.
Na reportagem, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia defendeu uma atuação urgente do judiciário no caso. Ela ainda disse ser necessária a criação de uma rede nacional de proteção às vítimas, com foco na prevenção, no acolhimento e no combate contínuo às agressões. "Para que a gente previna e acolha mulheres vulnerabilizadas, previna crimes ilícitos praticados contra as mulheres, todos os tipos de violência", afirmou.
O presidente Lula também comentou o caso de Tainara durante a última semana. "Outra vez a violência contra a mulher, aquele carro arrastando aquela mulher por um quilômetro, que teve as duas pernas amputadas. Então, é o seguinte, eu resolvi assumir a tarefa de tentar criar uma mobilização de homens nesse País. Não é uma coisa de mulher. É uma coisa de homem, porque é a violência de homens contra mulheres. Então, nós, homens, vamos ter que criar juízo, vergonha e vamos educar, sabe, ao invés de sermos violentos contra as mulheres, a gente tratá-las com respeito", disse Lula.
A filha continua internada, sedada e em estado grave. A mãe aponta que ela "é forte e está se recuperando, devagarzinho, aos poucos". "Tainara é divertida, gosta de deixar todo mundo feliz. Trabalhadora. Tem seus filhos. Gosta de dançar. É minha filha, meu bebezinho."
A tentativa de feminicídio aconteceu no último dia 29. Segundo advogados que representam a vítima, ela estava deixando um bar na Avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, na região da Vila Maria, quando o Douglas teria começado a discutir com um homem que fazia companhia à vítima. Em seguida, Tainara e Douglas teriam começado uma discussão.
"Vou ser as pernas dela, ela tem muito amor, vai ter muito carinho da gente, das amigas, dos familiares. Ela vai ser feliz de novo", conclui Lúcia.
Imagens de câmeras de monitoramento que circulam nas redes sociais mostram o momento em que os dois estão na rua, já fora do bar, brigando. Segundos depois, o suspeito entra em um carro preto, dá partida e atropela Tainara, que fica presa embaixo do veículo.
Douglas foi preso pela Polícia Civil no dia seguinte. As imagens obtidas pelo Estadão mostram dois agentes chegando ao quarto onde o homem estava às 20h43 e indo embora com ele algemado às 20h48. Os dois policiais ficaram juntos dentro do quarto com o suspeito pouco mais de três minutos. Depois, um deles sai e o outro continua no local até sair com o preso.
Tainara, mãe de duas crianças, precisou amputar as duas pernas em decorrência das lesões. Na quinta-feira, 4, Tainara foi transferida para o Hospital das Clínicas. Nas redes sociais, a irmã de Tainara, Tatiana Souza Santos, informou que a jovem permanece entubada e ainda respira com auxílio de aparelhos.