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Caso Eloá e Linha Direta: relembre sequestro que teve entrevista de assassino para Sônia Abrão

Episódio de 2008 marca a reestreia de programa que volta a ser transmitido pela TV Globo na noite desta quinta-feira

4 mai 2023 - 18h07
(atualizado às 18h47)
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A TV Globo volta a transmitir nesta quinta-feira, 4, o programa Linha Direta, que fez parte da grade de programação da emissora entre os anos 1990 e 2000. A atração, conhecida por recontar a história de crimes - dos mais históricos aos menos conhecidos -, faz a sua reestreia com o caso da estudante Eloá Cristina Pimentel que, em outubro de 2008, foi sequestrada e morta, aos 15 anos, pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22, em Santo André, na Grande São Paulo.

Eloá esteve em poder de Lindemberg por cinco dias dentro do próprio apartamento na zona periférica da cidade. O sequestro durou cerca de 100 horas, quase todas acompanhadas e monitoradas de perto pela imprensa. O caso teve refém libertada que voltou ao cárcere; entrevista do sequestrador para apresentadora de TV Sonia Abrão; e até participação de um dirigente do São Paulo nas tratativas para libertar as vítimas.

  • Quarta-feira, 15 de outubro: no 3º dia de sequestro, a produção da RedeTV consegue contato com Lindemberg, e a jornalista e apresentadora Sonia Abrão faz uma entrevista ao vivo, em rede aberta, com o sequestrador.

No diálogo, ela tenta convencê-lo a libertar a adolescente e juntos chegam a arquitetar uma possível rendição. O plano, segundo Lindemberg, era sair junto com Eloá. Ela portaria os dois revólveres sem munição, e ele, atrás dela, estenderia os braços para cima. "Mas não vou dar a data e nem a hora", disse o rapaz à apresentadora.

Na época, a conduta de Sônia Abrão foi criticada pela imprensa e por especialistas em segurança. Mesmo assim, em declarações dadas anos após o sequestro, ela disse que não se arrepende do gesto, e que sua formação de jornalista foi importante na condução da conversa.

"Estava apresentando o programa quando o diretor me avisou que o Lindemberg estava na linha. Com minha experiência jornalística, conversei com ele. E falei com a Eloá também. No meio da conversa, ele cortou e desligou. Todo mundo me assistiu, a polícia, a imprensa, o público", disse Sonia ao portal UOL em 2014.

  • Quinta-feira, 16: Na manhã do 4º dia de sequestro, 16, Nayara volta ao prédio para ajudar a libertar Eloá. Mas acabou entrando no apartamento de novo e ficando, outra vez, em poder de Lindemberg. A polícia foi criticada por permitir que a garota participasse do processo de negociação de um sequestro pelo qual ela já tinha sido libertada.

Em depoimento, Nayara afirmou que Douglas, irmão de Eloá, foi orientado pelos PMs a subir até o primeiro piso do prédio, enquanto ela deveria ir ao segundo andar, sem se aproximar muito da porta do apartamento. No entanto, quando chegou perto do local - e sem a proteção de agentes de segurança -, a porta foi aberta e Lindemberg ameaçava Eloá com uma arma. Eloá, então, teria dado a mão à amiga, que voltou a ser mantida como refém.

Já Lindemberg afirmaria depois que Nayara voltou a pedido da amiga. "Foi a Eloá (quem pediu para a Nayara voltar). Ela falou, assim, que a amizade delas era grande". A polícia, na época, se defendeu e disse que só havia autorizado a jovem a negociar a partir do primeiro piso do edifício.

Na tarde de quinta, o então vereador e superintendente de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, se escalou para conversar com Lindemberg. O motivo? O sequestrador pendurou na janela do apartamento uma camisa do clube, indicando ser torcedor do time do Morumbi. Mas a iniciativa do dirigente também não funcionou.

  • Sexta-feira, 17 de outubro: No 5º e último dia de cárcere, as negociações avançam e Lindemberg chega a dizer que se renderia. Mas imagens feitas pela polícia na época mostram o jovem, do outro lado da linha do telefone, conversando com um tom de cansaço e dizendo não ter perspectivas para o próprio futuro. "Não quero mais a Eloá", disse ele aos policiais.

No entanto, no fim da tarde, agentes do Gate invadem o apartamento sob alegação de ter ouvido tiros dentro do imóvel. Na hora de entrada, o sequestrador dispara e atinge Eloá, na cabeça e na virilha. Os tiros também acertaram o rosto de Nayara. O rapaz fazia ameaças de que mataria as duas reféns caso a polícia entrasse na casa.

As duas adolescentes foram atendidas e internadas em estado grave, enquanto Lindemberg era detido e levado à delegacia pelo Gate. Nayara sobreviveu aos ferimentos, mas Eloá teve a morte cerebral confirmada na noite do dia seguinte, sábado, 18, às 23h30. Mais de 12 mil pessoas acompanharam o velório da jovem, que foi sepultada e enterrada em Santo André, na terça-feira, 21, oito dias depois do início do sequestro.

Condenação

Em fevereiro de 2012, Lindemberg, aos 25 anos, foi condenado a 98 anos e 10 meses de prisão após um julgamento de quatro dias. A sentença o considerou culpado por 12 crimes, incluindo homicídio doloso de Eloá, dupla tentativa de homicídio de Nayara Rodrigues e o sargento da PM Atos Valeriano (ambos baleados), cárcere privado e disparo de arma de fogo.

Em julho de 2013, o Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena para 39 anos e 3 meses em regime fechado. Em 2021, Justiça o autorizou a cumprir o restante da pena em regime semiaberto, mas a 16ª Câmara de Direito Criminal de São Paulo e o Ministério Público se posicionaram contra a mudança. Desde a condenação, ele cumpre a pena na penitenciária de Tremembé, no interior paulista.

Estadão
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