Cantor baleado na Barra Funda agradece apoio após alta e exibe ferimentos: 'À queima-roupa'
João Igor foi atingido por disparos de um policial militar dentro de um ônibus; SSP diz que polícias Civil e Militar investigam o caso
O cantor gospel João Igor, atingido pelo disparo de um policial militar no terminal Barra Funda, em São Paulo, na última quarta-feira, 30, gravou alguns vídeos nas suas redes sociais na tarde desta sexta, 1°, após receber alta do hospital onde estava internado.
Em um deles, agradeceu o apoio de familiares, fãs, amigos, e de advogados. Em outro registro, o artista exibiu ferimentos na coxa que, segundo ele, foram ocasionados pelos tiros do policial.
"Muito obrigado a todos que mandaram mensagem, muito obrigado a todos que foram lá na porta do hospital, a todos que se 'manifestou', que não 'deixaram eu' ser forjado, que não deixaram as pessoas 'me enganar', colocar como culpado da situação. Mas eu só tenho agradecer a Deus mesmo, a minha família, as minhas crianças, a minha namorada, meus amigos, a todos, sem exceção", afirmou.
João estava internado no Centro Médico São Lucas, em Itaquaquecetuba, interior do Estado depois de ser atingido pelos disparos de um policial militar no terminal rodoviário da Barra Funda, na tarde da última quarta-feira. As polícias Militar e Civil investigam o caso.
Em outro vídeo, o cantor gospel mostrou os ferimentos na coxa esquerda que, segundo ele, foram ocasionados pelos tiros do agente. "Será que ele atirou para matar?", questionou o cantor erguendo o shorts e exibindo dois cortes profundos na perna. "Tirou à queima-roupa".
Na sequência, mostrou outro hematoma na região do joelho direito e disse que o machucado é fruto de um tiro de raspão. "Era para eu ficar sem andar", afirmou. "Mas estou vivo, graças a Deus".
Conforme a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o agente envolvido diz ter sentido cheiro de maconha vindo da bagagem de João Igor, que estava sentado junto do seu irmão em um ônibus com destino a Bauru. De acordo com a pasta, os dois teriam resistido à abordagem.
A defesa do cantor alega inocência e diz que os pertences do artista foram jogados no chão e expostos a possíveis manipulações de outros passageiros, impossibilitando afirmar que João Igor estava portando algum tipo de entorpecente.
Ainda no hospital, os advogados do cantor gravaram outros momentos do cantor, incluindo momentos de entrevistas para imprensa, agradecendo os funcionários da unidade após receber alta, e - quando ainda estava no leito - cantando um louvor.
"Pai, eu não esqueci, quando me encontrou no chão caído", cantou o artista, deitado na cama e com o braço esquerdo enfaixado. "Eu nasci de novo", completou, conforme vídeo. Sentado em uma cadeira de rodas, ele cantou a mesma canção na presença de funcionários do hospital.
João segue com o braço enfaixado e, segundo sua advogada, Aline Souza, os médicos avaliam os riscos de uma cirurgia no local, uma vez que o projétil da arma teria quebrado o osso em pequenos pedaços, tornando o procedimento de correção mais complexo.
Relembre o que aconteceu
A abordagem ocorreu dentro de um ônibus rodoviário no Terminal da Barra Funda, zona oeste da capital paulista. O cantor e o irmão iriam para Bauru, no interior paulista, quando foram abordados por um policial militar.
Na versão da SSP-SP, o policial percebeu um cheiro de maconha nas bagagens dos dois e isso teria iniciado a confusão. Eles teriam entrado em luta corporal e até caído da escada do veículo. Foi neste momento, segundo a pasta, que a arma disparou.
Após ser atingido, João Igor foi socorrido ao Pronto-Socorro da Santa Casa. Já o policial, ainda segundo a SSP, sofreu ferimentos na mão e recebeu atendimento na UPA da Lapa, em razão da luta corporal. Já o irmão do cantor, não se feriu, segundo a SSP-SP.
Ainda conforme a secretaria, havia substâncias semelhantes a maconha na mala do irmão de João Igor.
A advogada do cantor, Aline Sousa, diz que o artista, o irmão e testemunhas alegam que o policial ficou incomodado com o barulho de uma ligação que ele fazia para a namorada no interior do ônibus. O PM, então, teria tentado tomar o celular, dando início à confusão.
"Foi exatamente por causa disso que ele foi baleado a primeira vez. O policial pegou o celular da mão dele e ele segurou para não entregar, já que estava em chamada de vídeo com a namorada."
A advogada do cantor e do irmão afirma que a abordagem foi "truculenta, desproporcional e despreparada". Sustenta ainda que João Igor foi baleado ao tentar proteger o rosto com o braço. "A ação ocorreu em um terminal rodoviário lotado, colocando em risco, não só ele, mas dezenas de passageiros, entre eles crianças, mulheres e idosos", disse a defensora./COLABORARAM RENATA OKUMURA, JOSÉ MARIA TOMAZELA, FABIO GRELLET