Baloeiros adotam técnica de soltura sem componente inflamável
A Sociedade Amigos do Balão (SAB), organização que representa 300 baloeiros fluminenses, adotou uma nova técnica de soltura de balões que pretende proporcionar menos riscos à natureza e às pessoas. Pela técnica, os balões seriam soltos sem o uso de buchas ou qualquer outra componente inflamável.
"Defendemos o balão que não tem bucha. O fogo é usado ainda em terra com o maçarico, que o enche de ar quente. O balão é o mesmo, mas a técnica de soltura é outra. A diferença é o tempo de permanência no ar, que diminui, além da cor da cobertura do balão, que, preferencialmente, deve ser preta para manter o ar aquecido por mais tempo", afirma o presidente da SAB, Marcos Real.
No dia 20, um incêndio possivelmente causado por um balão junino atingiu a mata do Morro dos Cabritos, ao lado da Fonte da Saudade, zona sul e área de preservação do Rio, devastando parte da vegetação local.
Em 2009, o balão sem componente inflamável já foi usado durante o 1º Festival de Balões de Ar Quente do Rio de Janeiro, na Praça Manet, em Del Castilho, na zona norte. O evento, que, segundo os organizadores, reuniu mais de 2 mil participantes, foi autorizado pela XIII Região Administrativa (Méier) e contou com o "nada a opor" do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.
Na Justiça
De acordo com a SAB, a autorização do evento só foi possível depois que a 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, que trata de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, emitiu seu parecer favorável aos balões de ar quente.
"Até com o balão de ar quente ainda há pé atrás. (As pessoas) ignoram a lei e, por puro preconceito e desconhecimento, as autoridades dizem que o baloeiro é criminoso e oferecem recompensa por sua prisão", afirmou Marcos Real, citando a Lei 9.605 de 1998, que proíbe a prática com balões "que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano".
No dia 20, um incêndio possivelmente causado por um balão junino atingiu a mata do Morro dos Cabritos, ao lado da Fonte da Saudade, zona sul e área de preservação do Rio.De acordo com as primeiras informações, algum balão teria caído no Parque da Catacumba, que fica no mesmo bairro, se alastrado e provocado o fogaréu. As chamas são visíveis por moradores do Jardim Botânico, Gávea, Lagoa e até Tijuca. Segundo leitores do jornal O Dia, em Copacabana, o cheiro de queimado é forte.