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Autor do Dia do Orgasmo luta para manter data viva no PI

Nove de maio é o Dia do Orgasmo no município piauiense de Esperantina

9 mai 2014 07h38
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Uma das faixas que foram distribuídas pela cidade após a promulgação da lei
Uma das faixas que foram distribuídas pela cidade após a promulgação da lei
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Oito anos após o 9 de maio ter sido promulgado como Dia do Orgasmo na cidade de Esperantina (PI), a 189 quilômetros de Teresina, o autor da lei, hoje afastado da política partidária, Arimateia Dantas, ainda luta para manter sua ideia viva, e também se deidica a caminhadas de centenas de quilômetros contra corrupção. Como a prefeitura não tem planos para lembrar a data neste ano, ele promete ressuscitar a “Urna do Orgasmo” para não passar em branco.

“A gente lamenta que isso tenha acontecido em Esperantina. As pessoas não tem a percepção do avanço histórico, para a humanidade, estamos discutindo a origem da vida... (o prefeito atual) pode ter uma visão mais conservadora das coisas, mas poderia ao menos discutir sob uma visão mais conservadora... mas quando os administradores se omitem de sua responsabilidade, acontece o desgaste dele enquanto político”, reclama Dantas, que foi vereador pelo PT, ao falar sobre como o atual prefeito Lourival Bezerra (PSDB) tem tratado o tema.

As faixas tem o objetivo de quebrar o tabu sobre o tema na cidade
As faixas tem o objetivo de quebrar o tabu sobre o tema na cidade
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

A celebração do Dia do Orgasmo toma sua verdadeira dimensão, quando se percebe que a lei foi aprovada em uma pequena cidade do Nordeste brasileiro com pouco mais de 38 mil habitantes. Para o autor, esse esquecimento, prejudica muito a qualidade de vida das pessoas. “Muita gente que poderia acordar mais feliz no dia 10, isso é qualidade de vida, seja pobre ou rico...  A gente comentando assim já pode imaginar o tabu, mas quando entra no redemoinho do negócio, é muito pior... eu tinha melhor das intenções, mas virava uma questão de falta de moral, pornografia... diziam que eu queria colocar a cidade em uma situação desconfortável”, conta.

A ideia surgiu de uma experiência pessoal de Dantas. Após uma relação sexual percebeu que sua parceira não tinha chegado ao orgasmo. “Na época, isso lá por 2000, eu tinha uma militância muito forte, e um idealismo maior ainda, e fiquei me questionando por causa desse socialismo, de lutar pelo direito da felicidade dos outros, e eu tinha uma mulher que eu poderia dar prazer, mas estava negligenciando, e vi que politicamente isso não era correto”, relata, admitidno que teve dificuldade  de perguntar se ela tinha chegado ao orgasmo. “Foi como se eu tivesse tirado uma pedra da minha alma... imaginei quantos casais não se despedaçaram por causa dessa pergunta”, confessa.  

Até a igreja entendeu a importância da lei na cidade
Até a igreja entendeu a importância da lei na cidade
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Percebendo essa dificuldade, Dantas percebeu que precisaria fazer alguma coisa, mas apenas alguns meses depois, já no final de seu mandato de vereador, resolveu sentar e escrever o projeto que só foi aprovado pela legislatura seguinte a  sua. Entretanto após diversos vetos do vereadores e da prefeitura, a proposta foi sancionada em 2006.

“Se você tem medo de perguntar por preconceito, o Estado vai assumir a pergunta, porque a questão está ligada à família, as relações sociais... e quando o Estado discute a questão, ela não vai ser tratada como pornografia”, justifica, dizendo que o tema sucinta outras discussões sobre a sexualidade. “Um lavrador com impotência vai falar com quem? Essa pessoa desenvolve uma depressão, que podem levar a outros problemas de saúde, e tudo isso porque não tinha uma ereção, uma sequencia de outras coisas que podem levar a morte”, completa.

Debates foram organizados pelam falar sobre o tema em Esperantina
Debates foram organizados pelam falar sobre o tema em Esperantina
Foto: Arquivo Pessoal / Divulgação

Ele diz que faixas já foram espalhadas pela cidade, mas ao longo do tempo, os resultados foram aparecendo, além de ter recebido apoio até dos evangélicos, já que muitos casais que participavam dos encontros promovidos pela igreja relatavam problemas sexuais.

O projeto prevê que a cidade desenvolva e estimule debates sobre o tema, visando a conscientização da população sobre os problemas clínicos, psicológicos, emocionais e éticos “que envolvem o cerceamento deste direito natural”. E para não deixar a data passar em branco, Dantas resolveu reativa a “Urna do Orgasmo”, que nada mais é que um endereço de e-mail (urnadoorgasmo@gmail.com) no qual as pessoas falam sobre o tema.

Dantas conta que o sucesso da urna e da lei foi tão grande após a promulgação, que ele recebeu mensagens de diversas partes do mundo. “Recebi e-mail de muita gente da Alemanha, de Cuba, México, Itália, Colômbia, Portugal, Egito... muitas pessoas achavam eu era um sexólogo e pediam ajuda”, conta, dizendo que a proposta acabou ficando de lado por conta da necessidade de se focar nos seus projetos pessoais. “O tempo foi passando, a ideia foi morrendo e a gente tem que trabalhar para sustentar a família”, diz em tom bem humorado.

Caminhando contra corrupção
Mas mesmo longe da política partidária, o engajamento de Dantas continua na questão do orgasmo e também no combate a corrupção. Tanto é que ele faz parte de uma inciativa Força Tarefa Popular que percorrer centenas de quilômetros a pé para promover a conscientização da população sobre o dinheiro público.

“Desde 2001 nos caminhamos entre 100 a 300 quilômetros a pé, de cidade em cidade, fazendo o trabalho e conscientização da população e da fiscalização in loco das coisas públicas... Estamos tomando a decisão de patrocinar a fiscalização concomitante, porque bilhões foram liberados para o saneamento básico, aqui no Piauí foram R$ 150 milhões para 10 cidades, e estamos organizando um movimento para que quando esse dinheiro for recebido o movimento social possa acompanhar cada passo, desde a licitação a entrega da obra”, conta. 

Fonte: Terra
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