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Ataques a ônibus em SP: polícia descarta ação do PCC e identifica adolescentes envolvidos

Foram registradas 180 depredações nos últimos dias, a maioria na zona sul da capital; vandalismo é orquestrado na internet, conforme investigação

4 jul 2025 - 13h05
(atualizado em 4/7/2025 às 16h26)
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A Polícia Civil de São Paulo identificou a participação de adolescentes em alguns atos de depredação e vandalismo contra ônibus que ocorreram na cidade de São Paulo nas últimas semanas.

O perfil dos suspeitos, aliado ao padrão dos ataques - em geral as pedras são atiradas na parte traseira e no lado esquerdo dos coletivos - leva a polícia a trabalhar neste momento com a hipótese de que os ataques são organizados por grupos pela internet.

"Nós identificamos a presença de pessoas de feição jovial em alguns ataques", afirmou Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira, 3, em São Paulo.

A empresa de ônibus Piracicabana registrou boletim de ocorrência na segunda-feira, 30. Os motoristas relataram à polícia que os autores dos ataques eram, na maioria, adolescentes. Eles arremessaram pedras para quebrar as janelas.

Neste momento das investigações, ainda prematuras, está descartada a possível autoria de facções criminosas. "Descartamos, por ora, uma ação de facções criminosas. Isso em razão da ausência de um propósito. Trabalhamos com outras hipóteses que já foram ventiladas, como os desafios de internet", diz Sayeg.

A Divisão de Crimes Cibernéticos também está envolvida nos trabalhos para monitorar se há envolvimento de criminosos em plataformas digitais.

As ações criminosas são coordenadas e acontecem a partir das 22h, de maneira geral. Questionado sobre o avanço lento as investigações, o diretor afirmou que a investigação é "peculiar" diante de uma situação atípica.

Até o momento, dois suspeitos foram presos em flagrante, em São Bernardo do Campo e Diadema. Os investigadores afirmam, no entanto, que o perfil de atuação foi diferente dos outros ataques e parece ser uma situação isolada.

Sayeg também descarta que o vandalismo seja uma retaliação ao rompimento de contrato da Prefeitura de São Paulo com as empresas Transwolff e Upbus, por causa da suspeita de ligação com o PCC.

De acordo com os investigadores, já foram registrados 180 ataques de depredação contra o transporte coletivo, 60% deles na zona sul. Já as empresas de ônibus contabilizaram 235 ataques.

A divergência de dados se refere à ausência do registro dos boletins de ocorrência após alguns ataques, de acordo com o delegado Fernando Santiago, titular da 4ª Delegacia de Crimes contra o Patrimônio.

Ação especial contra depredações

Diante dos ataques, a Polícia Militar decidiu criar uma operação especial de policiamento do transporte coletivo, com cerca de 3600 viaturas e 7800 agentes.

Além do monitoramento e mapeamento dos locais de maiores incidência de ataques, policiais e viaturas ficarão em pontos estratégicos, como corredores, terminais de ônibus e garagens.

Haverá apoio de militares da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) e outras unidades especializadas da PM. A previsão é que as ações se estendam até 31 de julho.

A polícia também prepara ações veladas, com agentes infiltrados nos coletivos, para tentar prisões em flagrante.

A situação foi denunciada pela SPUrbanuss nesta terça-feira, 1º, após a entidade levantar o número de casos e enviar ofícios às Secretarias de Estado da Segurança Pública e de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo solicitando "providências para coibir os ataques que estão ocorrendo aos ônibus urbanos, desde meados de junho passado".

Estadão
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