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Arcebispo sobe tom e diz que direita é "violenta e injusta"

Declaração de dom Orlando Brandes ocorreu durante o sermão da missa especial ao Dia da Padroeira, em Aparecida

12 out 2019
12h20
atualizado às 12h38
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Durante o sermão da missa especial ao Dia da Padroeira em Aparecida, no interior de São Paulo, o arcebispo dom Orlando Brandes pediu proteção à vida, focando sua palavra na proteção da Amazônia. O religioso invocou os fiéis a ajudar na proteção da vida, buscar os afastados e ocupar os espaços vazios. Ao subir o tom crítico aos políticos, Brandes falou em "dragão do tradicionalismo" e disse que a direita é "violenta" e "injusta".

Fiéis acompanham a missa solene no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida, no interior de São Paulo
Fiéis acompanham a missa solene no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida, no interior de São Paulo
Foto: Suamy Beydoun/Agif / Estadão

"Temos um dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estamos fuzilando o papa (Francisco), o Sínodo (da Amazônia), o Concílio do Vaticano II, parece que não queremos vida", afirmou o arcebispo durante o sermão. "Nas escrituras, o dragão é o demônio, é o diabo, é o mal que desorganiza tudo. Satanás também tem as suas comunidades, grupos do mal, que tentam e atentam contra a vida."

Em sua fala, ele também pediu para que Nossa Senhora Aparecida livre os brasileiro do mal.

"Para que, no Brasil, nossas crianças não morram mais com bala perdida, nossos jovens não se suicidem e nossos idosos tenham um lugar de dignidade para viver e sobreviver ao dragão do pecado."

"Dragão do tradicionalismo"

Sobre o "dragão", dom Brandes analisou que o caminho para a corrupção está sendo facilitado, o que, segundo o religiosa, aumenta as desigualdades sociais em um momento em que os brasileiros sofrem com o desemprego e a violência.

Por fim, invocou os católicos a buscar os afastados da Igreja e a ocupar os espaços vazios na sociedade.

De acordo com o arcebispo, que trabalhou com projetos sociais na região amazônica, a Igreja Católica mantém diversos serviços de assistência para a população ribeirinha, incluindo um barco-hospital em operação no Rio Amazonas.

Após a celebração, explicou que a Amazônia está sendo corrompida sob a exploração dos recursos naturais e a exploração sexual da comunidade ribeirinha.

"A Amazônia é do Brasil, a Igreja se colocou contrária a grupos transnacionais interessados na internacionalização da Amazônia. Pelo fato de a Amazônia ser nossa, temos que cuidar de quem mora lá", finalizou.

Mais de 40 mil fiéis acompanharam a missa principal. Sem espaço vazio dentro do Santuário Nacional, muitos romeiros acompanharam o culto do lado de fora da basílica.

De acordo com o templo católico, mais de 170 mil pessoas devem visitar a imagem da santa neste sábado.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) é esperado para a missa das 16 horas. Segundo o arcebispo, não há encontro oficial agendado com a Igreja. Dom Brandes é quem vai celebrar a missa e se dispôs a receber o presidente caso surja o pedido.

Estadão
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