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Campanha eleitoral entra no segundo mês de forma desafiadora para Lula

A 26 dias do primeiro turno das eleições, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscam conter os impactos políticos do caso Master/Moraes sobre a campanha à reeleição. Do outro lado, a direita tenta associar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal ao PT para desgastar o governo.

8 set 2026 - 06h55
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Resumo
Pesquisa Quaest mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, reflexo da queda de desempenho do petista. O cenário se agrava para o governo com a crise no STF envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master, explorada pela oposição. Além do desgaste institucional que afeta a esquerda, a campanha de Lula enfrenta forte desvantagem na busca por alianças para a etapa final, em meio a sinais de aproximação do terceiro colocado, Augusto Cury, com o campo bolsonarista.

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Montagem com fotos de arquivo, feita em 7 de setembro de 2026, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à esq.), o médico Augusto Cury (centro), candidato do Avante à Presidência da República, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita ao Palácio do Planalto.
Montagem com fotos de arquivo, feita em 7 de setembro de 2026, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (à esq.), o médico Augusto Cury (centro), candidato do Avante à Presidência da República, e o senador Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita ao Palácio do Planalto.
Foto: AFP - GLEDSTON TAVARES,TERCIO TEIXEIRA,EVARISTO SA / RFI

Mais do que o número de pessoas nas manifestações pelo dia da Independência do Brasil, a semana começou marcada por dados da pesquisa Quaest que mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) exatamente empatados no segundo turno, com 41% das intenções de voto. O resultado reflete não um avanço do candidato do PL, que permanece estável, mas uma oscilação negativa do desempenho do presidente.

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O sinal de alerta na esquerda desta vez vem em um momento de profunda crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. O escândalo do Banco Master, que era até então o calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro, por causa da gravação em que ele pede recursos a Daniel Vorcaro, virou hoje um telhado de vidro ainda maior para o governo Lula, uma vez que, no epicentro do caso, está Alexandre de Moraes, relator do inquérito que condenou os golpistas do 8 de Janeiro.

"A princípio, o escândalo do Master afetou mais Flávio Bolsonaro. Porém, agora, mais próximo das eleições e com o alvo muito bem definido no momento, que é Alexandre de Moraes, essa crise desfavorece muito mais a campanha de Lula à reeleição", afirmou à RFI ocientista político André Rosa.

"O discurso bolsonarista anti-Alexandre de Moraes começa a ser um pouco mais palatável para aquele eleitor que antes desconfiava, que o achava exagerado e até uma certa perseguição. Esse eleitor, antes indeciso, pode ter alguma base para associar a imagem de Lula à do próprio Alexandre de Moraes", explica o analista.

Ciente disso, Lula chegou a defender, em vídeo e sem citar nomes, uma investigação total contra todos os suspeitos, doa a quem doer, e tem procurado deixar para a presidência da Corte a busca por uma saída, sem assumir protagonismo na crise institucional.

A aposta da direita

Outro detalhe que não passou despercebido foi a declaração do meteoro Augusto Cury, psiquiatra até então conhecido como escritor de livros de autoajuda e que vem se consolidando como terceiro colocado nas pesquisas. Ele já havia defendido anistia à maioria dos condenados pelo 8 de Janeiro e, nesta segunda-feira, encerrou um discurso mandando um abraço especial ao ministro André Mendonça, do STF, numa demonstração de que pode estar mais próximo de Flávio do que de Lula em um eventual segundo turno.

A indicação de apoio na segunda etapa não significa que os votos migram automaticamente, mas pode sugerir uma tendência, o que tem peso numa disputa acirrada entre os dois principais candidatos e se torna mais um motivo de preocupação para a esquerda.

"A definição dos apoios e o redesenho dos votos no segundo turno são decisivos. Lula disputa praticamente sozinho no campo da centro-esquerda. Já na direita de Flávio Bolsonaro tem o Zema, tem o Caiado e até Renan Santos, que, mesmo sem declarar apoio a qualquer um dos candidatos, tem eleitores que tendem a migrar mais fortemente para Flávio no segundo turno. E o fator Augusto Cury hoje é o coringa da questão porque está em terceiro", avalia André Rosa.

"Se Lula conseguir atrair Cury para a campanha, mesmo com a maioria dos eleitores dos demais nomes apoiando Flávio, o petista tem mais chances. Agora, se Cury apoiar Flávio Bolsonaro, numa composição com os eleitores dos demais candidatos, aí realmente ficaria muito complicado para a campanha petista."

Alexandre de Moraes na linha de tiro

A direita organizou manifestações pelo 7 de Setembro em várias capitais brasileiras, enquanto o presidente Lula participou de evento ao lado dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Os ataques a Alexandre de Moraes e a tentativa de ligá-lo ao PT foram uma das bandeiras das mobilizações bolsonaristas, especialmente após novas revelações sugerirem uma profunda articulação entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro.                                 

"Quem viu o dossiê que eu fiz contra Alexandre de Moraes? Coincidentemente, horas depois, saiu um áudio meu com Vorcaro, o famoso pastel de vento. Eu e minha esposa nunca fizemos contrato de R$ 208 milhões com Vorcaro. Os meus filhos nunca receberam cartão de crédito do Banco Master. Eu não troquei meu celular durante as conversas com Vorcaro. Senão, não me chamaria Nikolas Ferreira. Eu me chamaria Alexandre de Moraes. E o teu lugar, Xandão, é na cadeia", afirmou o deputado mineiro, em discurso ao lado de Flávio Bolsonaro.

Já o mote governista no 7 de Setembro esteve mais ligado à soberania nacional, inclusive com críticas ao enorme boneco do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inflado durante a manifestação bolsonarista na Avenida Paulista.

"Que vergonha! Traidores da pátria, no Dia da Independência vocês levaram o boneco do Trump, justamente ele, que está atacando o Brasil com tarifas. É uma aliança contra o Brasil. E levaram a bandeira norte-americana para as ruas. E tem mais uma coisa. Bolsonaristas falam de Vorcaro com Moraes. E Vorcaro com Flávio Bolsonaro? Foram R$ 134 milhões", destacou o deputado Lindbergh Farias (PT).

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