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Ausência de argumentos técnicos escancara viés político do tarifaço de Trump contra o Brasil

A lista de exceções ao tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros representou um alívio, mas não resolveu toda a questão. O governo está sendo pressionado a buscar alternativas que ajudem os empresários afetados. A tensão institucional entre os dois países voltou a crescer diante dos argumentos apresentados no decreto americano, assinado na quarta-feira (30), e das novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.

31 jul 2025 - 05h52
(atualizado às 06h49)
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A lista de exceções ao tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros representou um alívio, mas não resolveu toda a questão. O governo está sendo pressionado a buscar alternativas que ajudem os empresários afetados. A tensão institucional entre os dois países voltou a crescer diante dos argumentos apresentados no decreto americano, assinado na quarta-feira (30), e das novas sanções contra o ministro Alexandre de Moraes

O presiidente americano Donald Trump chega à Casa Branca na quarta-feira, 30 de julho de 2025.
O presiidente americano Donald Trump chega à Casa Branca na quarta-feira, 30 de julho de 2025.
Foto: © AP/Mark Schiefelbein / RFI

Raquel Miura, correspodente da RFI em Brasília

O roteiro seguiu o modus operandi que Donald Trump tem utilizado para forçar negociações ao redor do mundo: ameaça com data marcada para o tarifaço e recuo parcial na hora H. No caso brasileiro, porém, a ausência de argumentos minimamente técnicos escancarou o viés político e as segundas intenções do decreto dos Estados Unidos. 

As justificativas deixam explícita a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal — que impôs regras mais rígidas à atuação das Big Techs no Brasil e está prestes a condenar Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado —, além da tentativa de desgastar o governo Lula, defensor de um maior protagonismo do Sul Global. 

Um total de 694 itens da pauta comercial entre os dois países foi retirado da tarifa extra, mas outros produtos — que no ano passado representaram quase 60% do valor exportado aos EUA — continuam sendo sobretaxados. A nova data prevista para o reajuste tarifário é 6 de agosto, o que dá sete dias a mais para que empresários afetados e o governo busquem uma solução. 

Atuação do clã Bolsonaro 

Diante da atuação de Eduardo Bolsonaro em solo americano, governistas atribuem os prejuízos financeiros ao clã Bolsonaro. "Que vergonha o que esse Trump está fazendo com os Estados Unidos. Isso não é mais uma democracia, é um projeto autoritário. E que vergonha essa família Bolsonaro. Traidores da pátria, conspirando contra o Brasil", disparou o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ). 

No mesmo dia em que assinou o decreto das tarifas, o governo Trump impôs novas sanções a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, criada para punir ditadores ao redor do mundo. Essa legislação pode dificultar, por exemplo, o acesso de Moraes a serviços prestados por empresas americanas, como as de cartão de crédito. 

Bolsonaristas comemoraram os ataques ao magistrado. Já as manifestações em defesa do decreto tarifário foram bem mais raras — embora alguns tenham tentado justificar as taxas, sem esconder os objetivos políticos. 

O deputado Bibo Nunes (PL) se arriscou, deixando claras suas intenções: "Essa taxação de 50% é para chamar a atenção dos brasileiros para o momento difícil que vivemos. Mas eu disse que, se os Estados Unidos precisarem de algum produto, a taxação será zero. E depois, voltando ao normal, quando a direita voltar ao poder em 2027, as taxas para o Brasil serão de 0%." 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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