As dinastias políticas com mais candidatos nas eleições de 2026
As eleições de 2026 destacam o peso das dinastias políticas no Brasil, com clãs disputando cargos de ponta em vários estados para manter sua influência. A família Bolsonaro lidera em candidaturas, somando oito nomes pelo país, enquanto líderes evangélicos contam com sete integrantes no Sudeste. Oligarquias tradicionais como os Barbalho, Arraes e Calheiros também lançam múltiplos parentes, ao passo que grupos familiares como os Trad e os Gomes chegam ao pleito rachados por alianças opostas.
Clãs políticos entram em peso na eleição. Oito Bolsonaros concorrem em quatro estados. No Rio e em SP, clã evangélico tem sete nomes. No Norte e Nordeste, oligarquias tentam manter influência com múltiplas candidaturasDo Norte ao Sul, do Nordeste ao Centro-Oeste e Sudeste, famílias políticas do Brasil miram sua permanência no poder nas eleições de 2026. Com candidatos à Câmara, Senado, Assembleias e governo estaduais e até à Presidência, clãs com múltiplos membros na política entraram em peso no pleito.
O recorde de candidatos pelo mesmo clã é dos Bolsonaro, que contam com oito candidatos neste ano, divididos em quatro estados. Há ainda oligarquias regionais com múltiplas candidaturas, como os Barbalho, os Calheiros e os descendentes de Miguel Arraes, que tentam manter uma influência que se estende por décadas. Já no Rio de Janeiro e em São Paulo, um clã evangélico conta com cinco irmãos disputando cargos.
Em alguns casos, como no Ceará e em Mato Grosso do Sul, os clãs políticos entram na disputa rachados por causa de alianças que refletem a disputa nacional entre o lulismo e o bolsonarismo.
Oito Bolsonaros pelo Brasil
Dinastia política distribuída há décadas por cargos eletivos, o clã Bolsonaro apresentou oito candidatos (excluindo as dezenas de postulantes que usam o sobrenome Bolsonaro sem compartilhar parentesco).
Com o patriarca Jair Bolsonaro em prisão domiciliar e banido de concorrer pela primeira vez em quase quatro décadas, o principal nome da eleição é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o filho "01", que concorre à Presidência.
Carlos Bolsonaro (PL-SC), o filho "02", concorre a uma vaga ao Senado por Santa Catarina, mas tem enfrentado uma campanha acirrada, apesar do peso do poder do sobrenome no estado majoritariamente conservador. Um meio-irmão de Carlos, o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), concorre a uma vaga de deputado federal pelo mesmo estado.
Na mesma estratégia de distribuir familiares pelo Brasil, a mulher de Jair, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), concorre a uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.
Já uma ex-esposa de Jair e primeira "franquia" do ex-capitão a estrear como vereadora ainda nos anos 1990, Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), que também é mãe de Flávio, disputa uma vaga à Câmara Federal pelo Rio de Janeiro. Irmão de Jair, Renato Bolsonaro (PL-SP) tenta uma vaga de deputado federal por São Paulo.
Por fim, a atual deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL-SP), casada com um primo distante de Jair, concorre à reeleição em São Paulo e Marcelo Bolsonaro (PL-SP), outro primo distante, também disputa uma vaga pela Assembleia do mesmo estado.
Além de Jair, outra baixa na família nesta eleição é o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Cassado e vivendo no exterior, ele está impedido de concorrer a novos cargos, após ocupar três mandatos na Câmara Federal.
A grande família evangélica do eixo Rio-SP
Se Jair Bolsonaro conseguiu emplacar quatro filhos na política, o pastor evangélico R.R. Soares deixa o ex-presidente para trás. Nesta eleição, cinco filhos do televangelista da Igreja Internacional da Graça de Deus concorrem a cargos eletivos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
No Rio, concorrem à reeleição o deputado estadual Marcos RR Soares e o deputado federal Filipe RR Soares, ambos filiados ao PSDB. Já por São Paulo, concorrem à reeleição o deputado federal David RR Soares (Podemos) e o deputado estadual Daniel Soares (União). O quinto irmão é André RR Soares (Republicanos), ex-deputado que desta vez concorre como primeiro suplente do ex-prefeito Waguinho (Republicanos), que disputa vaga ao Senado pelo Rio.
Ao disputar como suplente, André RR Soares está concorrendo contra um primo, o deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que desta vez tenta voltar ao Senado. Crivella é sobrinho da mulher de R.R. Soares. O clã estendido ainda conta com um sétimo membro, a deputada estadual Edna Macedo (Republicanos-SP), que concorre à reeleição e é tia de Marcelo Crivella e irmã da esposa de R.R. Soares. Edna ainda é irmã do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus.
O clã amazônico dos Barbalho
A oligarquia dos Barbalho, que há décadas domina a política do estado do Pará, conta com seis candidatos nestas eleições. Filho do patriarca Jader, o ex-governador Helder Barbalho (MDB) disputa desta vez uma vaga Senado e tem justamente como primeiro suplente o pai, hoje com 81 anos e no fim do seu atual mandato como senador.
Outro filho, Jader Barbalho Filho (MDB), que ocupava até abril o Ministério das Cidades, concorre a deputado federal. Já a mãe de Helder e Jader Filho e ex-esposa do patriarca Jader, a deputada federal Elcione Barbalho (MDB), disputa desta vez uma vaga na Assembleia Legislativa do Pará.
Por fim, a vereadora Nay Barbalho (MDB), sobrinha de Jader, concorre a uma vaga como deputada estadual. O último membro do clã é o deputado federal José Priante (MDB), primo de Jader e que concorre à reeleição.
Além de disputarem cargos eletivos, os Barbalho também mantêm presença na máquina pública do Pará. A mulher de Helder, Daniela Baralho, é conselheira do Tribunal de Contas do Estado. Já Mara Lúcia Barbalho, irmã de Jader e Helder, é conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Em 2023, um levantamento do jornal O Estado de S. Paulo identificou pelo menos 20 membros do clã atuando em cargos do governo paraense.
Os herdeiros de Miguel Arraes em Pernambuco
Em Pernambuco, cinco parentes do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005), líder histórico da esquerda brasileira no século 20 e patriarca de uma mais e influentes dinastias do estado, estão disputando cargos nestas eleições.
Bisneto de Miguel Arraes, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) desta vez disputa o governo do estado. Seu irmão, o deputado federal Pedro Campos (PSB) está concorrendo à reeleição.
Outro núcleo que concorre é formado pelas irmãs Marília (PDT) e Maria Arraes (PSB), netas de Miguel Arraes. A primeira disputa o Senado. A segunda, atual deputada federal, desta vez tenta uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
O quinto familiar é Daniel Arraes de Alencar Valença (PSOL), também neto de Miguel Arraes e que concorre a uma vaga de deputado estadual. Ao contrário de outros familiares, Daniel decidiu omitir o sobrenome famoso, optando por usar Daniel Valença nas urnas, o mesmo de outro parente famoso: o tio e cantor Alceu Valença.
Ao contrário de outras dinastias, os Arraes-Campos nem sempre operam como um clã político unitário, e já travaram disputas públicas, como durante a eleição para prefeitura do Recife em 2020, que colocou Marília e João em lados opostos.
A família Calheiros em dois estados do Nordeste
Outra oligarquia política, os Calheiros contam com quatro candidatos em 2026: três em Alagoas e um em Pernambuco. Nome mais conhecido do clã, o veterano Renan Calheiros (MDB-AL), que já soma mais de 30 anos no Senado, tenta a reeleição. Seu filho, o também senador e ex-ministro Renan Filho (MDB-AL), disputa mais uma vez o governo de Alagoas, após ter comandado o Executivo estadual entre 2015 e 2022.
Há ainda dois irmãos de Renan na disputa. Remi Calheiros (MDB), que concorre à reeleição como deputado estadual em Alagoas.
Membro da família que construiu sua carreira no estado vizinho de Pernambuco, o deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB-PE) também busca a reeleição.
A família rachada de Mato Grosso do Sul
Uma das famílias políticas mais influentes de Mato Grosso do Sul, os Trad contam com três candidatos nestas eleições: os irmãos Fábio Trad (PT), Nelsinho (PSD) e Marquinhos Trad (PV). Os três são filhos do ex-deputado federal Nelson Trad (1930-2011).
Apesar de integrarem a mesma família e por anos terem atuado em conjunto, os irmãos estão em lados opostos nestas eleições. Fábio Trad concorre ao governo de MS, apoiando o presidente Lula. O vereador Marquinhos Trad (PV), outro candidato alinhado com Lula, está disputando uma vaga de deputado federal. No lado oposto está Nelsinho, que concorre como suplente ao Senado numa coligação com o PL dos Bolsonaro.
...e a família rachada do Ceará
Similar aos Trad, a família Gomes, do Ceará, tem três irmãos candidatos neste pleito e também enfrenta uma situação de racha. Nome mais conhecido do clã, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) disputa o governo local, após ter comandado o Executivo estadual entre 1991 e 1994.
Seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB), disputa a reeleição. A irmã mais nova da dupla, a deputada estadual Lia Gomes (PSB), também tenta se reeleger. Nestas eleições, Ciro formou uma coligação local com o PL de Flávio Bolsonaro, enquanto Cid e Lia não só apoiam Lula para a Presidência como também a reeleição do atual governador Elmano de Freitas (PT), que é concorrente de Ciro no pleito.
O trio de irmãos de SP e as famílias do Maranhão e Paraná
Em São Paulo, concorrem o trio de irmãos petistas Jilmar Tatto, Enio Tatto e Nilto Tatto, membros de uma família que domina a política do extremo sul da capital paulista e que conta com mais um vereador local e um ex-vereador. Os deputados federais Jilmar e Nilto disputam a reeleição. Já Enio Tatto tenta se manter como estadual.
No Maranhão, o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL) foi barrado de concorrer à reeleição após uma condenação, mas sua família vai contar com quatro candidatos. Sua esposa, a deputada federal Detinha (PL), e o filho Josimar Júnior (PL) concorrem a vagas na Assembleia Legislativa. No sentido Brasília, os sobrinhos Aldir Júnior (PL) e Fabiana Vilar (PL) tentam vagas na Câmara Federal.
No Paraná, o ex-deputado Fernando Francischini (Solidariedade) tenta voltar à Câmara após ser cassado em 2021. Sua mulher Flávia Francischini (PL) tenta se reeleger deputada estadual. O filho de Fernando, o deputado federal Felipe Francischini (Podemos) também concorre à reeleição. Mãe de Felipe e ex-mulher de Fernando, Luciane Bonatto (Podemos) tenta uma vaga como deputada estadual.
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