Brasil registra 524 tornados em nove anos; entenda por que Sul concentra casos
Levantamento reúne ocorrências em mais de 280 cidades e revela quais regiões aparecem com maior frequência no mapa do fenômeno
Entre 2018 e 2026, o Brasil registrou 524 tornados em mais de 280 municípios, segundo o projeto Prevots. O Sul concentra 43% dos casos devido ao encontro de ar quente e úmido da Amazônia com massas frias da Argentina, favorecendo supercélulas. O Rio Grande do Sul lidera com 93 registros, seguido por São Paulo, com 90. Apesar de cidades de várias regiões serem atingidas, 58% dos episódios foram de baixa intensidade, caracterizados principalmente como trombas d'água e terrestres.
O Brasil registrou 524 tornados entre 2018 e 2026, com ocorrências distribuídas por mais de 280 municípios. Apesar de casos aparecerem de Norte a Sul, três estados se destacam. Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina somam 227 episódios, o equivalente a cerca de 43% do total.
Os números, divulgados pelo 'g1', fazem parte de um levantamento do Prevots, projeto mantido por pesquisadores ligados à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade de Oklahoma, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM).
Fora desse recorte regional, São Paulo chama atenção. O estado aparece na segunda posição do ranking nacional, com 90 ocorrências, apenas três a menos que o Rio Grande do Sul, líder do levantamento.
Por que o Sul registra tantos tornados?
A concentração está relacionada às condições atmosféricas encontradas na região. De um lado, correntes de vento transportam calor e umidade da Amazônia em direção ao Sul. Por outro, massas de ar frio e seco avançam a partir da Argentina.
Nesse cenário, os ventos podem apresentar diferenças de velocidade e direção de acordo com a altitude. Esse processo, conhecido como cisalhamento, favorece a formação de movimentos de rotação nas tempestades. Sob determinadas condições, a rotação pode se aproximar da superfície e dar origem a um tornado.
A dinâmica também ajuda a entender a ocorrência de supercélulas no Sul. Essas tempestades possuem rotação organizada e podem produzir tornados mais intensos e duradouros. Na região, 51% dos registros analisados tiveram origem nesse tipo de tempestade.
Quais cidades aparecem no topo do levantamento?
Embora o Sul tenha forte presença nos dados, o ranking municipal mostra que o fenômeno não fica restrito à região. Sarandi (RS), Guaíba (RS) e Dourados (MS) dividem a primeira posição, com nove ocorrências registradas desde 2018.
Na sequência aparecem Horizontina (RS), Xanxerê (SC) e Ananindeua (PA), com oito casos cada. Corbélia (PR), Cerqueira César (SP) e Salvador (BA) contabilizam sete registros. Já Guarapuava (PR) soma seis. A presença de cidades do Pará e da Bahia entre as mais atingidas mostra, contudo, que os registros não se restringem ao Centro-Sul do país.
Maioria dos registros é de menor intensidade
Apesar do número expressivo de ocorrências, o levantamento indica que a maior parte dos tornados registrados no Brasil pertence às categorias de menor intensidade. Das 524 ocorrências, 304 correspondem, juntas, a trombas d'água e terrestres, o equivalente a 58% do total.
Por outro lado, 142 casos, ou 27%, tiveram relação com supercélulas. Outros 78 ocorreram a partir de linhas de instabilidade e ficaram na faixa intermediária da classificação usada pelo projeto.
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