Brasil lidera ranking global de aumento de taxas americanas sob o governo Trump
Levantamento revela o impacto real das medidas da Casa Branca, que fizeram a tarifa efetiva média sobre os produtos brasileiros saltar de 1,19% para 14,42%
O Brasil se tornou o país que mais registrou aumento de taxas de importação aplicadas pelos Estados Unidos desde que o presidente Donald Trump retornou ao poder, superando outros 30 importantes parceiros comerciais de Washington. O dado alarmante foi consolidado a partir do anúncio de novas tarifas de 25% contra os produtos brasileiros feito pelo governo americano na quarta-feira (15). Conforme o portal g1, o impacto real da decisão foi mapeado pela iniciativa Global Trade Alert (GTA), coordenada pelo centro de estudos independente St. Gallen Endowment, baseado na Suíça. Os números atualizados nesta quinta-feira (16) mostram que o Brasil lidera o crescimento de barreiras alfandegárias no cenário global, à frente de concorrentes como Coreia do Sul, Tailândia, Japão e China.
A escalada protecionista da Casa Branca alterou profundamente o cenário comercial entre as duas nações. Quando Joe Biden encerrou seu mandato em janeiro de 2025, a tarifa efetiva média norte-americana aplicada sobre os produtos brasileiros era de apenas 1,19%. Atualmente, essa taxa média já atinge 11,66%. Com a entrada em vigor das novas sanções comerciais no final deste mês de julho, o imposto efetivo cobrado sobre as exportações do Brasil dará um salto histórico para 14,42%, o que representa uma elevação de mais de 13 pontos percentuais em menos de dois anos.
Os cálculos do centro de estudos suíço diferenciam a alíquota nominal, que é o percentual de 25% anunciado formalmente na legislação americana, da alíquota efetiva, que é a taxa média cobrada na prática após considerar as isenções. Das exportações brasileiras para os Estados Unidos, que movimentaram cerca de US$ 39,6 bilhões em 2024, aproximadamente US$ 8,5 bilhões estarão sujeitos à alíquota máxima de 25% estabelecida pelo novo tarifaço. Diversos produtos, contudo, foram poupados das taxas em uma lista de exceções que inclui ferro-gusa, mel orgânico, café solúvel sem sabor, além de commodities como petróleo, carnes e celulose.
Apesar dessas concessões, o impacto econômico direto preocupa o mercado e deve afetar indústrias nacionais de alta especialização. O professor Rodrigo Zeidan, da New York University Shanghai e da Fundação Dom Cabral, explicou em entrevista à BBC News Brasil que o tarifaço prejudica severamente as empresas de bens manufaturados. "Afeta muita gente sim, porque eles negaram autorização para produtos manufaturados industrializados específicos. E esses produtos são muito mais difíceis de você achar outros compradores no mundo", destacou o economista. O especialista reforçou que empresas que produzem maquinários, peças e equipamentos específicos para a indústria norte-americana terão grandes dificuldades para redirecionar suas produções.
O pacote de sanções adotado por Washington tem origem em uma ampla investigação comercial iniciada em julho do ano passado sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. No relatório final, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) justificou as restrições acusando o governo brasileiro de adotar práticas desleais. Entre os pontos contestados pelo governo de Donald Trump estão o papel do Banco Central no gerenciamento do Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra redes sociais, políticas de patentes biofarmacêuticas, desmatamento ilegal e assimetria nas tarifas do etanol brasileiro.
Diante do cenário adverso, a reação em Brasília foi imediata e enérgica. Em nota conjunta, o governo brasileiro repudiou as medidas e classificou a quarta-feira como um marco lastimável na história das relações diplomáticas com a Casa Branca. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que o governo federal deve acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional para taxar produtos norte-americanos em igual proporção. Além disso, o país dará andamento aos trâmites para levar a disputa comercial à Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reiterou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva continuará trabalhando diplomaticamente para tentar expandir a lista de mercadorias brasileiras isentas das novas cobranças nos postos de alfândega americanos.
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