Brasil barra enviados dos EUA por temor de investida contra urnas
Itamaraty negou vistos de dois funcionários americanos após avaliar que a viagem seria usada para questionar o sistema eleitoral e alimentar dúvidas sobre as eleições presidenciais.O Itamaraty informou neste sábado (25/07) que o governo brasileiro rejeitou, no dia anterior, os pedidos de visto de dois altos funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Riley M. Barnes e Samuel Samson pretendiam desembarcar no país nas próximas semanas e teriam o objetivo de observar questões relacionadas à liberdade de expressão nas eleições presidenciais.
No entanto, segundo fontes da diplomacia brasileira ouvidas em condição de anonimato pela agência de notícias Reuters, pelo jornal americano Washington Post e pela DW, o governo avaliou que a visita seria politicamente instrumentalizada e usada para lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Nos bastidores do Itamaraty, chamou a atenção que a solicitação foi apresentada à embaixada brasileira em Washington no dia 20 de julho, véspera de um encontro reservado do senador Flávio Bolsonaro com representantes de cerca de 40 países, no qual ele voltou a criticar as urnas eletrônicas.
Na ocasião, o pré-candidato à Presidência afirmou que o Brasil utilizaria em sua eleição equipamentos produzidos pela Smartmatic, empresa venezuelana associada pela CIA a suspeitas de fraude eleitoral. A informação já foi desmentida diversas vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2020.
"Não vou entrar em detalhes, mas muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras [...] têm a mesma origem dessa empresa venezuelana", disse ele. Depois, argumentou que "não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro" e pediu a presença de observadores internacionais.
Ambiente de desconfiança
A avaliação de assessores do Planalto foi de que os representantes americanos não se enquadravam no perfil tradicional de observadores eleitorais internacionais, frequentemente convidados a acompanhar eleições em diferentes países. Há a percepção de que o movimento teria o real objetivo de criar um ambiente de desconfiança sobre a lisura da eleição.
Reportagem publicada pelo Washington Post neste sábado, um dia após a decisão do Itamaraty, afirma que os assessores foram escalados pelo Departamento de Estado para produzir um relatório que questionaria o sistema de votação eletrônica do país. A informação foi confirmada também pela Reuters, que ouviu funcionários do governo americano.
Ainda segundo o Washington Post, Samson costuma promover a linha política conservadora do presidente americano Donald Trump e elaborar relatórios ministeriais.
A decisão ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Washington, cujas novas taxas contra produtos brasileiros são vistas por críticos como politicamente motivadas.
O Departamento de Estado confirmou à imprensa que a viagem de Barnes e Samson estava na agenda dos dois funcionários, mas não detalhou oficialmente os objetivos da visita.
gq (Reuters, OTS)
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