Barbieri estrutura atuação alinhada aos ODS da ONU
Quatro etapas orientam empresas na incorporação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU à estratégia de negócio e mostram como o setor privado pode ir além das iniciativas isoladas de sustentabilidade.
Alinhar a estratégia empresarial aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) exige mais do que adesão ao discurso da sustentabilidade. O processo envolve etapas estruturadas — da comunicação interna à definição de indicadores — e parte do mapeamento das áreas em que cada organização gera impactos positivos e negativos ao longo de sua cadeia de valor.
Os ODS estabelecem 17 objetivos e 169 metas a serem alcançados nas dimensões ambiental, social e econômica. Foi a primeira agenda global elaborada com participação do setor privado, além de governos, e reconhece formalmente o papel das empresas no cumprimento das metas.
Para André Rossi, gerente de desenvolvimento e novos negócios da Barbieri Brasil, a entrada no tema começa por um exercício interno. "Quando olhamos para a cadeia de valor com atenção, percebemos que há mais pontos de alavancagem do que o esperado. O desafio é criar critérios para priorizar as ações com maior potencial de transformação real", afirma.
O primeiro passo é interno
Antes de qualquer intervenção externa, é necessário construir adesão nas instâncias de decisão da empresa. Isso passa por demonstrar que estratégias de triplo impacto — que consideram retornos econômicos, sociais e ambientais — podem gerar resultados concretos: entrada em mercados, atração de investidores, fortalecimento de relações com governos e retenção de colaboradores.
Sem esse alinhamento inicial, iniciativas de sustentabilidade tendem a operar de forma isolada, sem integração à estratégia central do negócio.
Mapeamento de impactos
A etapa seguinte envolve a análise da cadeia de valor para identificar onde a empresa já gera impactos positivos e onde produz efeitos negativos. O processo pode incluir lideranças de diferentes áreas, fornecedores e parceiros. A partir daí, critérios como disponibilidade de recursos, alinhamento à estratégia de sustentabilidade e potencial competitivo das ações orientam a definição de prioridades.
Correspondência com os 17 objetivos
Com as prioridades definidas, o próximo passo é verificar quais dos 17 ODS têm correspondência com as atividades da empresa. A ONU disponibiliza um marco global de indicadores para apoiar essa análise. Para Rossi, essa correspondência tem função além da gestão interna. "Os ODS não são uma lista a ser marcada. Eles representam um referencial para que as empresas possam comunicar, de forma comparável, o que estão fazendo e qual direção estão tomando. Isso facilita o diálogo com parceiros e com a sociedade", diz.
Estruturação do projeto
A última etapa consiste em desenhar um projeto com base em lógica de negócio: linha de base definida, metas mensuráveis, indicadores de acompanhamento e meios de verificação. A participação de diferentes áreas da organização nessa construção contribui para o engajamento e para a viabilidade do projeto ao longo do tempo.
"A consistência de um projeto de triplo impacto está nos indicadores. Sem linha de base e sem meios de verificação, não há como saber se a intervenção está gerando o resultado esperado — e sem isso, o reporte perde credibilidade", observa Rossi.
Os quatro passos descritos funcionam como referência, não como modelo fixo. Cada empresa parte de uma realidade diferente, com recursos e contextos distintos. O ponto comum é o reconhecimento de que a Agenda 2030 oferece um quadro para integrar sustentabilidade e estratégia de negócio de forma estruturada.
Website: https://www.adbarbieri.com/pt-br/
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