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Baleia Timmy, achada morta na Dinamarca, era fêmea

5 jun 2026 - 09h36
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Autópsia no cadáver do animal, que encalhou várias vezes na Alemanha e foi solto em alto-mar em polêmica operação de resgate, revela que cetáceo não era macho, como se pensava. Causa do óbito ainda é desconhecida.A autópsia da baleia-jubarte conhecida como "Timmy", encontrada morta na ilha dinamarquesa de Anholt, confirmou que o animal era uma fêmea. O exame, realizado ao longo de várias horas, foi concluído na noite desta quinta-feira (04/06), mas não conseguiu determinar a causa da morte.

Corpo do animal foi levado até a praia, já com coloração alterada e inchado por gases
Corpo do animal foi levado até a praia, já com coloração alterada e inchado por gases
Foto: DW / Deutsche Welle

Na manhã desta sexta-feira, os restos da baleia já haviam sido removidos da praia, segundo informações da emissora TV2, com base em dados das autoridades ambientais da Dinamarca. Agora, resta apenas o transporte final dos resíduos, previsto para ocorrer nos próximos dias.

Exame não encontrou explicação para morte

Equipes de especialistas iniciaram a autópsia utilizando roupas de proteção devido ao avançado estado de decomposição do animal. Inicialmente, o corpo - já com coloração alterada e inchado por gases - foi medido e analisado externamente.

Em seguida, os técnicos abriram o cadáver para liberar os gases e permitir a inspeção interna. Durante o procedimento, a carcaça foi cortada em partes, com órgãos expostos ao redor.

Apesar da análise minuciosa, não foram identificadas lesões evidentes que expliquem a morte. Especialistas indicam que isso é comum em casos semelhantes, especialmente quando há decomposição avançada.

Parasitas foram encontrados nos rins, mas não são considerados responsáveis pelo óbito. Também não havia redes de pesca ou objetos no estômago ou na boca da baleia.

Procedimento tem valor científico

A identificação do útero confirmou que o animal era uma fêmea, o que já era suspeitado previamente. Os exames também indicaram que ela não esteve grávida recentemente.

Foram coletadas amostras de órgãos como fígado e rins, que passarão por análises laboratoriais. Os resultados podem levar meses.

Apesar da ausência de uma causa conclusiva, os pesquisadores destacam a importância do exame.

Segundo a bióloga Charlotte Bie Thostesen, baleias-jubarte são difíceis de estudar em mar aberto, e encalhes oferecem oportunidades raras de pesquisa.

Após o término da autópsia, partes da carcaça foram removidas com auxílio de equipamentos pesados e armazenadas em contêineres. A equipe deixou a ilha na manhã seguinte.

Destino dos restos

Os resíduos devem ser transportados e processados por empresas especializadas. Parte do material, no entanto, será preservada para fins científicos.

Alguns ossos, como os das nadadeiras e estruturas pélvicas, devem integrar o acervo do Museu de História Natural de Copenhague.

Drama de repercussão internacional

O caso da baleia Timmy ganhou repercussão internacional nas últimas semanas após uma sequência de encalhes e uma tentativa de resgate considerada incomum na Europa.

A baleia havia sido vista pela primeira vez em março de 2026 na costa do Mar Báltico, na Alemanha, região fora de seu habitat natural, que normalmente é o Atlântico.

Durante semanas, o animal ficou preso em águas rasas, encalhando repetidamente e apresentando sinais de fraqueza. Especialistas acreditam que ele poderia estar desorientado, doente ou seguindo cardumes para fora de sua rota habitual.

Diante da comoção pública e da pressão para salvá-lo, foi organizada uma operação de resgate de grande escala, com financiamento de milionários. A baleia foi transportada em uma barcaça com água até o Mar do Norte, sendo liberada em alto-mar no início de maio, a cerca de 70 quilômetros da costa dinamarquesa.

Apesar dos esforços, especialistas já alertavam que as chances de sobrevivência eram reduzidas, devido ao longo período em águas rasas e ao desgaste físico do animal.

Poucos dias após a soltura, a baleia foi encontrada morta próxima à ilha de Anholt, na Dinamarca. A identidade foi confirmada posteriormente por meio de um dispositivo de rastreamento preso ao corpo.

Caso gerou debate

O caso gerou debate entre cientistas e autoridades sobre intervenções desse tipo. Enquanto parte da sociedade apoiou a tentativa de resgate, alguns especialistas criticaram a operação, avaliando que o animal possuía poucas chances reais de recuperação.

Ainda assim, episódios como o de Timmy ajudam a chamar atenção para os riscos enfrentados por baleias em regiões impactadas pela atividade humana, incluindo mudanças climáticas, pesca intensiva e poluição sonora.

Agora, com a autópsia concluída e análises laboratoriais em andamento, pesquisadores esperam que o caso contribua para ampliar o conhecimento sobre a espécie e orientar futuras decisões em situações semelhantes.

md/ra (DPA, ots)

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