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Ave extinta pode voltar à Mata Atlântica após projeto surpreender pesquisadores

Projeto em Santa Teresa (ES) ampliou população da ave de seis para 26 indivíduos desde 2023. Iniciativa prepara soltura gradual na Mata Atlântica

12 mar 2026 - 12h18
(atualizado às 12h54)
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A jacutinga, ave considerada uma das mais importantes da Mata Atlântica, pode voltar a viver em regiões onde desapareceu há décadas. Extinta no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e no sul da Bahia, a espécie é alvo de um projeto de conservação desenvolvido pelo Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em Santa Teresa, na região serrana capixaba.

Jacutinga é uma ave em extinção que voltou a aparecer
Jacutinga é uma ave em extinção que voltou a aparecer
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

A iniciativa ganhou força em 2023, quando o instituto recebeu seis jacutingas de criadores conservacionistas e iniciou o projeto de reprodução em cativeiro. Desde então, o número de aves chegou a 26, resultado considerado acima das expectativas pelos pesquisadores. As informações foram divulgadas em reportagem do g1.

Projeto  amplia população de jacutinga e prepara reintrodução na natureza

"É uma espécie que a gente não encontra mais no estado do Espírito Santo, nem no Sul da Bahia, nem no Rio de Janeiro. Então, a ideia de ter esses indivíduos aqui é exatamente possibilitar a reprodução para que, no futuro, a gente possa fazer a reintrodução em locais onde ela ocorria anteriormente", explica a bióloga Flávia Guimarães.

O desaparecimento da jacutinga em grande parte do Sudeste ocorreu principalmente por causa do desmatamento, da caça e da extração ilegal de palmito, um dos principais alimentos da espécie.

Nesse contexto, o trabalho de conservação começa ainda na fase do ovo. No museu, a equipe controla temperatura e umidade em incubadoras para garantir o desenvolvimento saudável dos embriões. Logo após o nascimento, os filhotes recebem acompanhamento intensivo, com alimentação balanceada e monitoramento diário.

"Eles encontraram um ambiente adequado, alimentação favorável e longe do estresse. Tudo isso favoreceu que a taxa de reprodução fosse boa. Tivemos um número de nascimentos até superior ao que esperávamos", afirmou a médica veterinária Mariana Furtado.

A volta à natureza e monitoramento das jacutingas

À medida que crescem, os pesquisadores transferem as aves para recintos maiores que reproduzem o ambiente da Mata Atlântica. Nesse espaço, elas aprendem a se equilibrar, buscar alimento e desenvolver comportamentos naturais da espécie.

Antes da soltura definitiva, a equipe também inicia um período de isolamento do contato humano. Com essa estratégia, os técnicos estimulam a autonomia das aves e aumentam as chances de sobrevivência quando retornarem à natureza.

"Para que essa ave possa, ao longo do tempo, ir aprendendo a se alimentar sozinha e tendo comportamentos naturais para sobreviver na natureza", explicou Flávia.

Para acompanhar o processo após a reintrodução, todas as jacutingas recebem microchips e anilhas coloridas que permitem a identificação individual. A equipe também pretende instalar câmeras na área de soltura para monitorar o deslocamento das aves.

"A gente pretende colocar câmeras fotográficas na mata para conseguir acompanhar naturalmente o indivíduo passando na frente da câmera. Assim, é possível saber quais locais estão utilizando e por quanto tempo permanecem ali", disse a bióloga.

Preservação ambiental

Além do valor simbólico, o retorno da jacutinga pode ajudar diretamente na recuperação da floresta. A espécie atua como importante dispersora de sementes e contribui para a regeneração natural da Mata Atlântica.

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