Ave extinta pode voltar à Mata Atlântica após projeto surpreender pesquisadores
Projeto em Santa Teresa (ES) ampliou população da ave de seis para 26 indivíduos desde 2023. Iniciativa prepara soltura gradual na Mata Atlântica
A jacutinga, ave considerada uma das mais importantes da Mata Atlântica, pode voltar a viver em regiões onde desapareceu há décadas. Extinta no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e no sul da Bahia, a espécie é alvo de um projeto de conservação desenvolvido pelo Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em Santa Teresa, na região serrana capixaba.
A iniciativa ganhou força em 2023, quando o instituto recebeu seis jacutingas de criadores conservacionistas e iniciou o projeto de reprodução em cativeiro. Desde então, o número de aves chegou a 26, resultado considerado acima das expectativas pelos pesquisadores. As informações foram divulgadas em reportagem do g1.
Projeto amplia população de jacutinga e prepara reintrodução na natureza
"É uma espécie que a gente não encontra mais no estado do Espírito Santo, nem no Sul da Bahia, nem no Rio de Janeiro. Então, a ideia de ter esses indivíduos aqui é exatamente possibilitar a reprodução para que, no futuro, a gente possa fazer a reintrodução em locais onde ela ocorria anteriormente", explica a bióloga Flávia Guimarães.
O desaparecimento da jacutinga em grande parte do Sudeste ocorreu principalmente por causa do desmatamento, da caça e da extração ilegal de palmito, um dos principais alimentos da espécie.
Nesse contexto, o trabalho de conservação começa ainda na fase do ovo. No museu, a equipe controla temperatura e umidade em incubadoras para garantir o desenvolvimento saudável dos embriões. Logo após o nascimento, os filhotes recebem acompanhamento intensivo, com alimentação balanceada e monitoramento diário.
"Eles encontraram um ambiente adequado, alimentação favorável e longe do estresse. Tudo isso favoreceu que a taxa de reprodução fosse boa. Tivemos um número de nascimentos até superior ao que esperávamos", afirmou a médica veterinária Mariana Furtado.
A volta à natureza e monitoramento das jacutingas
À medida que crescem, os pesquisadores transferem as aves para recintos maiores que reproduzem o ambiente da Mata Atlântica. Nesse espaço, elas aprendem a se equilibrar, buscar alimento e desenvolver comportamentos naturais da espécie.
Antes da soltura definitiva, a equipe também inicia um período de isolamento do contato humano. Com essa estratégia, os técnicos estimulam a autonomia das aves e aumentam as chances de sobrevivência quando retornarem à natureza.
"Para que essa ave possa, ao longo do tempo, ir aprendendo a se alimentar sozinha e tendo comportamentos naturais para sobreviver na natureza", explicou Flávia.
Para acompanhar o processo após a reintrodução, todas as jacutingas recebem microchips e anilhas coloridas que permitem a identificação individual. A equipe também pretende instalar câmeras na área de soltura para monitorar o deslocamento das aves.
"A gente pretende colocar câmeras fotográficas na mata para conseguir acompanhar naturalmente o indivíduo passando na frente da câmera. Assim, é possível saber quais locais estão utilizando e por quanto tempo permanecem ali", disse a bióloga.
Preservação ambiental
Além do valor simbólico, o retorno da jacutinga pode ajudar diretamente na recuperação da floresta. A espécie atua como importante dispersora de sementes e contribui para a regeneração natural da Mata Atlântica.
Ver essa foto no Instagram