Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Apesar da transição, Hamas ainda é autoridade em Gaza

15 jul 2026 - 17h01
Compartilhar
Exibir comentários

Comitê de transição aguarda autorização de Israel para entrar em Gaza e iniciar atividades, e moradores do território palestino relatam que rotina permanece inalterada.Apesar de o grupo radical Hamas ter anunciado na semana passada que dissolveria seu governo na Faixa de Gaza, como parte do acordo de paz com Israel, moradores do território palestino dizem que quase nada mudou no dia a dia.

Instituições antes controladas pelo Hamas seguem em funcionamento sob o grupo
Instituições antes controladas pelo Hamas seguem em funcionamento sob o grupo
Foto: DW / Deutsche Welle

Instituições continuam abertas e serviços seguem funcionando como anteriormente sob o comando do grupo armado. O comitê designado para assumir a administração do local não iniciou suas funções até o momento.

O jovem palestino de 19 anos Eyad Saleh, por exemplo, relata que foi nesta semana aos mesmos escritórios governamentais de sempre para solicitar uma nova cópia de seu diploma universitário, perdido durante a guerra, e encontrou tudo operando normalmente.

"Não há outro lugar para ir em Gaza além das instituições administradas pelo Hamas", disse Saleh à DW por telefone, da Cidade de Gaza. "A única entidade que presta serviços aos moradores é o mesmo órgão que existia antes da guerra, com os mesmos funcionários."

O jovem espera candidatar-se a uma bolsa de estudos no exterior, já que estava entre os melhores alunos de sua escola. Estudar fora, ele espera, será sua passagem para sair de Gaza.

Já Na'ama Saeed, de 39 anos, sofre de uma doença crônica e foi ao Ministério da Saúde - controlado pelo Hamas - nesta semana para tentar obter um documento de encaminhamento médico.

"A autoridade responsável em Gaza continua sendo o Ministério da Saúde, e é a única entidade autorizada a emitir os documentos oficiais necessários", disse Saeed à DW. "Se houvesse outro órgão oficial ao qual pudéssemos recorrer sem lidar com o governo atual, não hesitaríamos", concluiu.

Planos oficiais, mas nenhuma mudança

O cessar-fogo mediado pelos EUA em outubro de 2025delineou um caminho para uma nova administração de Gaza, composta por tecnocratas independentes.

O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um órgão de transição formado por especialistas palestinos e supervisionado pelo Conselho de Paz, foi criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e também seria acompanhado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O comitê iniciou seu trabalho no começo de 2026. O objetivo era que o colegiado assumisse a administração do território palestino após o anúncio do Hamas. No entanto, seus 15 membros permanecem no Cairo, capital do Egito, aguardando autorização de Israel para entrar em Gaza e assumir suas funções.

"Não há mudança, ninguém está entrando para assumir", disse Ghassan Khatib, professor de política internacional da Universidade Bir Zeit, perto de Ramallah, à DW. "Nem os americanos nem os israelenses estão entusiasmados com esse movimento [do Hamas]. E a Autoridade Palestina não consegue tirar proveito disso porque não tem permissão para estar lá, tanto por parte de Israel quanto dos Estados Unidos", acrescentou.

Além disso, o Hamas, que é classificado como uma organização terrorista por vários países, já afirmou que seus ministérios permanecerão em funcionamento, juntamente com os funcionários nomeados, e que continuará supervisionando a segurança e o policiamento em partes de Gaza que permanecem sob seu controle.

Na semana passada, Ismail al-Thawabta, diretor-geral do Escritório de Mídia do Governo administrado pelo Hamas, afirmou que "apenas funcionários técnicos e profissionais" permanecerão em seus cargos para conduzir os assuntos cotidianos do enclave palestino.

Cerca de 30% do território sob controle do Hamas

Após os ataques terroristas liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, Israel reagiu, deslocando praticamente toda a população de 2,2 milhões de pessoas e destruindo grandes áreas de Gaza.

Embora Israel tenha prometido "eliminar o Hamas", o grupo militante continua no poder, ainda que apenas em cerca de 30% do território palestino. As tropas israelenses agora ocupam os 70% restantes. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descreve a nova divisão como uma zona de amortecimento para impedir novos ataques de militantes palestinos.

Enquanto isso, o processo de cessar-fogo está paralisado, com Israel e o Hamas acusando um ao outro de violações. Mais de mil palestinos foram mortos em ataques israelenses desde o cessar-fogo de outubro de 2025, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

Uma questão central continua sendo o desmantelamento das armas do Hamas. O Hamas se recusou a se desarmar até que Israel interrompa seus ataques a Gaza e se retire do território.

"O Hamas sabe que Israel quer que as armas sejam entregues, mas o Hamas não levantará a bandeira branca e não se renderá completamente", disse Ibrahim al-Madhoun, analista político de Gaza próximo ao Hamas e atualmente baseado na Turquia.

Ele acrescentou que a entrega da administração civil foi "uma tentativa do Hamas de romper o impasse, especialmente após as negociações realizadas no Cairo com Nikolay Mladenov, que não produziram resultados". Mladenov é o alto representante do Conselho de Paz responsável por mediar as negociações.

A popularidade do Hamas sob análise

Protestos e dissidentes têm sido regularmente silenciados pela força. No mês passado, um chamado para protestar contra o Hamas, organizado nas redes sociais por palestinos que vivem no exterior, não foi atendido pelas pessoas em Gaza.

"Percebemos que aqueles que dizem 'não confio em nenhum dos grupos políticos' estão se tornando 60% da amostra que usamos em nossas pesquisas", disse Ghassan Khatib, que também é fundador do Jerusalem Media and Communication Center (JMCC), especializado em estudos de opinião pública. "Esse número tem aumentado."

No entanto, as pesquisas devem ser tratadas com cautela devido à difícil situação em Gaza, dizem os pesquisadores. Um número crescente de pessoas parece ter perdido a confiança nos dois principais partidos políticos: o Fatah, que domina a Autoridade Palestina (AP) na Cisjordânia ocupada, e o Hamas, que tomou o poder em Gaza da Autoridade Palestina em 2007.

Desde então, Israel e, em alguns momentos, também o Egito reforçaram o fechamento das passagens terrestres, do espaço marítimo e do espaço aéreo de Gaza.

A grave situação humanitária em Gaza

Sem qualquer solução política à vista, a vida dos moradores de Gaza continua extremamente difícil. Organizações de ajuda humanitária seguem criticando Israel por impedir a entrada de mais ajuda no local. A administração civil israelense COGAT afirmou o contrário num relatório publicado na semana passada.

No domingo passado (12/07), o vice-coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Ramiz Alakbarov, condenou "veementemente" a obstrução das operações humanitárias pelas "autoridades de fato" de Gaza, em referência ao Hamas.

Um dia antes, homens armados ligados ao Hamas teriam invadido um ponto de distribuição de alimentos em Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, segundo a declaração de Alakbarov. O Hamas negou as acusações.

O estudante Eyad Saleh pertence a uma geração de jovens palestinos que cresceu em Gaza sob o governo do Hamas, isolada por um bloqueio imposto por Israel. Para ele, a presença do grupo armado no terreno significa que precisa escolher cuidadosamente suas palavras, mas afirmou que um novo começo é necessário.

"Eu não me importo com grupos políticos", disse Saleh, que pediu para ser identificado apenas por seu nome do meio e sobrenome por medo de represálias. "Mas acredito que Gaza merece algo melhor do que o Hamas e melhor do que qualquer outra facção política da Palestina, porque todas fracassaram."

---------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele apa recer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra