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Alta do custo de vida, o maior medo dos alemães

2 out 2026 - 15h33
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Resumo
A 35ª edição da pesquisa "Os medos dos alemães", da seguradora R+V, revelou que o aumento contínuo do custo de vida é a maior preocupação de 59% da população em 2026, impulsionado pela alta de itens básicos como energia e habitação. O temor com a sobrecarga estatal por refugiados aparece em seguida, com 52%. Apesar disso, o receio geral de crises globais, guerras e desemprego caiu. Diante desse cenário econômico desafiador, a confiança popular recuou e a classe política recebeu avaliação negativa.

O que os alemães mais temem em 2026? Guerras? Crises globais? Nada disso. Para quase 60% da população, a maior preocupação é que o custo de vida, que não para de subir, continue aumentando.Os alemães estão interessados em política como há muito não se via. Isso ficou evidente na alta participação eleitoral nas recentes eleições estaduais.

De longe, a maior preocupação dos alemães em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há anos: o aumento do custo de vida
De longe, a maior preocupação dos alemães em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há anos: o aumento do custo de vida
Foto: DW / Deutsche Welle

Há debates acalorados sobre temas como a migração, sobre as reformas previstas na Previdência, no sistema de saúde e nos cuidados assistenciais, bem como sobre democracia e Estado de Direito. E, de longe, o maior temor entre os alemães é que o custo de vida continue aumentando.

Esse, pelo menos, é o resultado do estudo intitulado Os medos dos alemães, apresentado recentemente em Berlim pela seguradora R+V, uma das maiores empresas do setor na Alemanha. Esta é a 35ª edição do levantamento, realizado anualmente desde o início da década de 1990.

Entre o início de maio e o final de julho deste ano, o estudo ouviu cerca de 2,4 mil cidadãos de língua alemã, com 14 anos ou mais. A maior preocupação citada em 2026 é a mesma que lidera a pesquisa há muitos anos: o medo do aumento do custo de vida.

A vida cada vez mais cara

No ano passado, 52% apontaram o encarecimento do custo de vida como sua maior preocupação. Já em 2026, esse índice aumentou para 59%. Grischa Brower-Rabinowitsch, que participou do estudo, declarou em Berlim, que "as pessoas vivenciam diariamente o quanto o cotidiano se tornou dispendioso. Ao todo, 59% da população temem que seu dinheiro não seja suficiente para viver a longo prazo".

A cientista política de Marburg, Isabelle Borucki, que participou do estudo como consultora, acrescentou que "os preços de itens essenciais, como energia, habitação e alimentos, subiram de forma perceptível. Isso reduz a margem financeira para lazer, férias e compras. As pessoas têm cada vez menos condições de arcar com essas despesas."

Preocupação com impostos e taxas mais altas

O estudo também mostra que os alemães estão bastante conscientes de que os sistemas de seguridade social no país atravessam uma grave crise e estão deficitários. Da mesma forma, a maioria parece estar ciente de que impostos e taxas irão aumentar. Por isso, o receio de impostos mais altos é maior do que em anos anteriores.

"Por trás do medo de impostos mais altos e cortes de benefícios, está a questão da justiça para cada indivíduo: quem vai arcar com os custos da modernização? Poderei ainda contar com os benefícios prometidos?"

Mas, e quanto aos temas que também dominam as manchetes na Alemanha? A imigração, a crescente polarização da sociedade, as transformações globais?

Uma maioria estreita de 52% dos entrevistados teme que o número de refugiados sobrecarregue o Estado. Esse receio ocupa, portanto, o terceiro lugar entre todas as preocupações. Por outro lado, quando a imprensa noticia as turbulências globais, os alemães permanecem visivelmente indiferentes.

Menos medo de Donald Trump

Brower-Rabinowitsch apontou que "45% dos entrevistados temem que a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, torne o mundo mais perigoso. Esse número é bem menor do que durante seu primeiro mandato".

Em 2018, durante o primeiro período de Trump na Casa Branca, 69% dos alemães responderam à mesma pergunta dizendo que isso lhes causava grande preocupação. Borucki tem uma explicação simples para isso: "Após anos de alertas geopolíticos constantes, começa a haver um efeito de habituação".

Isso também fica evidente ao observarmos a dimensão geral dos temores. Neste ano, a média de todos os medos pesquisados é de 38%. É a segunda média mais baixa desde que o estudo começou a ser realizado, em 1991. Para efeito de comparação, na pesquisa da R+V de 2016 - um ano após a chegada de muitos refugiados à Alemanha -, esse mesmo índice era de 52%.

Notas baixas para os políticos

A tendência também parece se confirmar em relação a outros temores Os alemães encaram o futuro com muito menos receio do que se esperava. Apenas 34% temem uma guerra com a participação da Alemanha; no ano passado, esse índice era de 41%.

Além disso, desde 1992, o estudo faz a pergunta: "Você tem medo de perder o emprego?". Atualmente, apenas 20% das pessoas empregadas respondem que sim. Esse é o valor mais baixo já registrado.

Desanimadora, porém, é a avaliação dos políticos - tanto os do governo quanto os da oposição. Os entrevistados puderam dar uma nota à classe política, seguindo o sistema de notas escolares alemão - cujo valor mais alto é 1 e 6 é o mais baixo. O resultado foi 4,1, nota indica um desempenho apenas "suficiente".

A cientista política Borucki atribui a nota baixa sobretudo ao atual governo de liderado pelos conservadores da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, e o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda.

A chamada Grande Coalizão sucedeu, em maio de 2025, o gabinete anterior formado pelo SPD, Verdes e o Partido Liberal Democrático (FDP), a chamada Coalizão Semáforo, devido às cores dos três partidos.

"Após o fim da Coalizão Semáforo, muitos depositaram na aliança entre conservadores e social-democratas a esperança de mais liderança, menos conflitos e uma rápida recuperação econômica. Isso não se concretizou. Existe agora um abismo entre os grandes anúncios e os resultados perceptíveis no dia a dia. A população está decepcionada e perdendo a confiança."

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