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Aliados de Trump nas Américas abrem os braços para Israel

16 ago 2026 - 11h51
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Governos de direita vêem oportunidade para estabelecer parceria estratégica, revertendo afastamento diplomático conduzido por antecessores.Quando uma ofensiva militar matou mais de 1,4 mil pessoas na Faixa de Gaza em 2009, o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, expulsou o embaixador de Israel em sinal de protesto. Romperam-se, então, as relações diplomáticas entre os dois países.

Presidente ultraconservador da Argentina, Javier Milei, é aliado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu
Presidente ultraconservador da Argentina, Javier Milei, é aliado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu
Foto: DW / Deutsche Welle

Dezessete anos depois, Venezuela e Israel concordaram em criar um mecanismo para a retomada de serviços consulares. Trata-se de um passo limitado, mas que até recentemente parecia impensável.

Já na Colômbia, o governo nacionalista do novo presidente de ultradireita, Abelardo de la Espriella, reverteu recentemente a decisão do seu antecessor, Gustavo Petro, de romper os laços com Israel. Também este havia sido um gesto de protesto, desta vez contra a mais recente guerra em Gaza, que deixou 70 mil mortos desde 2023.

De la Espriella chegou a anunciar que a Colômbia transferirá sua embaixada para Jerusalém e declarou nesta semana que o país se juntará aos Estados Unidos como um dos únicos dois países a reconhecer a "soberania israelense" sobre as Colinas de Golã.

Segundo o direito internacional, o território pertence à Síria, mas está sob ocupação israelense desde 1967. A grande maioria da comunidade internacional, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), não reconhece a anexação das Colinas de Golã por Israel.

"Há uma tendência de reaproximação com Israel como resposta ao avanço da direita radical na região", afirma Isaac Caro, professor da Universidade Alberto Hurtado, no Chile. Segundo ele, governos autoritários da América Latina vinculam as relações com Israel a "um alinhamento ativo com a política externa dos Estados Unidos".

Bolsonarismo pioneiro

O fortalecimento dos laços com Israel virou uma característica da direita radical latino-americana, dentro de uma visão renovada do lugar da região na civilização ocidental judaico-cristã, acrescenta o especialista.

Na Argentina, por exemplo, o presidente ultraconservador Javier Milei transformou a proximidade com Israel em uma característica central tanto de sua política externa quanto de sua própria identidade política.

Daniel Wajner, professor associado de relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, aponta para uma "explosão" na atividade diplomática entre Israel e governos latino-americanos.

O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que se descreve como "o ditador mais descolado do mundo", foram pioneiros nessa aproximação. Depois vieram Milei e outros líderes. Segundo Wajner, fatores ideológicos, religiosos e estratégicos também explicam o estreitamento dos laços.

Guinada regional à direita

Na Venezuela, as políticas declaradas pelo atual governo, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro em janeiro, continuam baseadas no socialismo populista do chavismo.

Ainda assim, a retomada dos serviços consulares representa uma vitória diplomática simbólica para Israel.

Por sua vez, o governo socialista da Bolívia rompeu relações com Israel após o bombardeio de um campo de deslocados em Gaza, em 2023. Quando o conservador Rodrigo Paz assumiu a Presidência, no ano passado, restaurou rapidamente os laços diplomáticos.

No Chile, o ex-presidente social-democrata Gabriel Boric foi fortemente crítico ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu governo. Seu sucessor, o nacional-conservador José Antonio Kast, busca, entre outras iniciativas, retomar a cooperação em defesa com Israel.

Brasil e México mantêm postura crítica

Em contraste, no Brasil, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assume uma posição fortemente crítica em relação às ações israelenses na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

"O país com mais influência na região que mantém uma postura crítica em relação a Israel é claramente o Brasil", afirma Aranda. O peso demográfico, econômico e político brasileiro constitui um importante contraponto à aproximação promovida por outros governos latino-americanos.

A postura diplomática brasileira, entretanto, depende neste momento das eleições de outubro. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, carrega as bandeiras políticas do pai. O candidato tem o apoio de Netanyahu e já disse que, se eleito, realinhará o Brasil a Israel.

Enquanto Lula adota uma posição particularmente crítica, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, procura preservar maior neutralidade e equilíbrio diplomático. À frente de outro gigante regional, ela criticou as ações de Israel em Gaza, mas manteve as relações diplomáticas.

Ainda assim, diante das recentes mortes em massa no enclave palestino, a mudança nas relações entre Israel e alguns governos latino-americanos é considerada significativa.

Ambos os lados enxergam vantagens

O interesse israelense não se limita a conquistar governos aliados. As relações bilaterais remontam à criação do Estado de Israel, em 1948, e abrangem migração, comércio e segurança.

O apoio latino-americano em organismos multilaterais, como as Nações Unidas, sempre serviu de antídoto a um isolamento internacional de Israel.

Wajner afirma que a decisão de governos da região de melhorar as relações com Israel oferece a ambos os lados "legitimidade, cooperação e influência". Israel precisa de parceiros internacionais, enquanto os governos latino-americanos encontram oportunidades de cooperação econômica, tecnológica e militar.

Por sua vez, países da América Latina podem recorrer a Israel como parceiro em áreas como cibersegurança, inteligência artificial e defesa.

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