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AfD mantém vantagem em pesquisa de intenção de voto na Alemanha

7 ago 2026 - 09h46
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Desde levantamento de maio, partido de ultradireita segue sete pontos percentuais à frente do bloco conservador do atual chanceler federal, Friedrich Merz.Até agora, todos os partidos democráticos da Alemanha descartam categoricamente qualquer parceria com a Alternativa para a Alemanha (AfD). Mas há cada vez mais dúvidas sobre por quanto tempo essa postura se manterá, já que a sigla anti-imigração de ultradireita se mantém em alta nas pesquisas.

A julgar pelas atuais pesquisas de intenção de voto, Alice Weidel (AfD) poderia ser a próxima chanceler federal da Alemanha nas próximas eleições em 2029
A julgar pelas atuais pesquisas de intenção de voto, Alice Weidel (AfD) poderia ser a próxima chanceler federal da Alemanha nas próximas eleições em 2029
Foto: DW / Deutsche Welle

De acordo com um levantamento da emissora ARD em parceria com o instituto Infratest Dimap, realizado entre os dias 3 e 5 de agosto, se as eleições fossem realizadas neste domingo, a AfD alcançaria 28% das intenções de voto, obtendo sete pontos de vantagem sobre o bloco conservador formado por União Democrata Cristã (CDU), do chanceler federal Friedrich Merz, e sua aliada bávara no Parlamento, a União Social Cristã (CSU).

A terceira força política seriam Os Verdes, com 15%, seguidos pelo Partido Social-Democrata (SPD), atual parceiro de governo de Merz, com 12%.

O outro partido com representação parlamentar seria o A Esquerda, com 11%, enquanto a sua dissidência, Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), e os liberais (FDP) ficariam fora do Parlamento ao não atingirem a cláusula de barreira de 5%.

Esses percentuais deixariam a atual coalizão, entre CDU e SPD, sem maioria parlamentar, e nem mesmo somando Os Verdes à aliança seria possível formar um governo, o que colocaria o país em risco de ingovernabilidade. Pela margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, a AfD agora está em empate técnico com o atual governo de coalizão.

Clara maioria na Alemanha favorável a aproximação com a AfD

Em setembro, dois importantes estados da antiga Alemanha Oriental realizarão eleições regionais: Saxônia-Anhalt e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Em ambos, a AfD lidera as pesquisas com ampla vantagem.

Além disso, em setembro também haverá eleições em Berlim, embora a AfD, apesar de competitiva, não tenha favoritismo claro por lá.

Todos os partidos democráticos rejeitam uma cooperação com os populistas de direita. Recentemente, cerca de mil juristas alemães chegaram a defender, em uma carta aberta, a proibição da AfD, por considerá-la incompatível com a Constituição.

A população, no entanto, pensa de forma diferente. Apenas 37% dos entrevistados são contrários a qualquer tipo de cooperação com a AfD. Outros 32% consideram que isso deveria ser decidido caso a caso. Já 27% são favoráveis a uma cooperação com a AfD - em sua maioria, simpatizantes do partido.

Mais interessante, porém, é a diferença entre o Leste e o Oeste do país. A AfD tem seus redutos eleitorais no Leste, onde a aceitação a sigla é maior. Ali, 38% defendem que a legenda, reconhecida pelas autoridades em parte como de extrema direita, seja tratada como qualquer outra força política. O índice corresponde aproximadamente ao nível de apoio da AfD na região.

O crescente afastamento do eleitorado dos partidos tradicionais também se reflete em outro dado: pouco mais da metade dos entrevistados, um número recorde, apoia uma mudança política fundamental na Alemanha. Quatro em cada dez defendem apenas correções pontuais de rumo.

Muitos eleitores da AfD se sentem prejudicados

O otimismo e a confiança no sistema político continuam diminuindo entre os eleitores: 43% afirmam se sentir frequentemente prejudicados. Entre os apoiadores da AfD, esse percentual sobe para 70%.

As últimas semanas em Berlim foram marcadas por debates acalorados sobre reformas planejadas e por uma reforma ministerial considerada caótica. A aprovação do governo Merz já era baixa, e agora apenas uma minoria, de 12%, acredita que o novo gabinete trará melhorias à política do país.

Um terço teme ser vítima de terrorismo

O mais recente atentado terrorista na Alemanha também teve forte repercussão na pesquisa. Em 25 de julho, um jovem islamista avançou com um carro alugado contra uma multidão em Berlim durante as celebrações do "Christopher Street Day", maior evento do Orgulho LGBTQ+ no país. Uma mulher foi morta e 31 ficaram feridos. O suspeito fugiu, mas acabou morto pela polícia no dia seguinte.

O episódio voltou a chamar a atenção para a ameaça à população de atentados e do terrorismo.

Um terço dos entrevistados afirma temer ser vítima de um ataque terrorista. O islamismo é o que mais preocupa, com 69% considerando-o uma grande ameaça. É uma mudança em relação ao fim da década passada, quando o terrorismo de extrema direita era o que preocupava mais cidadãos.

A pesquisa divulgada nesta quinta-feira (06/08) ouviu 1.300 cidadãos.

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