Adolescente tem tratamento contra o câncer interrompido após revogação de decisão judicial
Os profissionais defendem a manutenção do protocolo terapêutico conforme prescrito
Um adolescente de 14 anos, diagnosticado com Linfoma de Hodgkin clássico, teve interrompida uma etapa considerada essencial de seu tratamento após a revogação da decisão judicial que determinava o fornecimento do medicamento Brentuximabe Vedotina pelo poder público. O jovem passou por quimioterapias de primeira e segunda linhas, mas apresentou recidiva da doença. Segundo a equipe médica, somente após o início da terapia com o medicamento foi possível alcançar resposta clínica suficiente para a realização de um transplante autólogo de medula óssea, realizado em fevereiro de 2026.
Atualmente, o paciente está na fase de consolidação do tratamento, considerada decisiva para reduzir significativamente o risco de uma nova recaída. No entanto, a aplicação prevista para o dia 2 de julho não foi realizada após a interrupção do fornecimento do medicamento. Conforme a prescrição médica, ainda restam seis aplicações para a conclusão do protocolo terapêutico. Cada dose do Brentuximabe Vedotina custa aproximadamente R$ 80 mil, valor que, segundo a família, inviabiliza a compra sem assistência do Estado.
Em laudo médico, a equipe de Oncologia Pediátrica da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre ressalta que a continuidade do tratamento é urgente e alerta que a interrupção ou o atraso na administração do medicamento pode comprometer os benefícios alcançados com o transplante e aumentar o risco de retorno da doença. Os profissionais defendem a manutenção do protocolo terapêutico conforme prescrito.
O fornecimento da medicação havia sido assegurado por uma decisão liminar, posteriormente revogada na sentença. Desde então, a família tenta obter junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) o restabelecimento da medida para garantir a continuidade do tratamento, mas o pedido ainda não foi analisado favoravelmente. Enquanto aguarda uma nova decisão judicial, a família sustenta que a interrupção da terapia coloca em risco a recuperação do adolescente e os resultados obtidos até o momento.
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